Em meio aos corredores da prestigiada faculdade de Direito da Mackenzie, a jovem e determinada estudante ruiva, chamada Amanda Araújo , se vê imersa em uma emocionante jornada de autoconhecimento e descobertas. Enquanto foca em seus estudos e desafi...
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Samora me fez companhia hoje numa aula experimental e na volta passamos na sorveteria que tinha perto de casa. Eram 19:14h da noite e já tinha três chamadas perdidas de Richarlison no meu celular.
- Ei!! Larga de ser chato, ela tá comigo - minha amiga diz assim que atendo a chamada do jogador.
- Sai fora, feia. Agora é minha hora - Richarlison faz um biquinho e eu me derreto toda
- Oi amor! —ele fala assim que meu rosto aparece no vídeo.
- Oi mo, saudade - falo rindo, falar com o jogador sempre era motivo de alegria.
- Eu perdi mesmo - Samora resmunga e Richarlison concorda -
- Para de ser chata, eu passei a tarde toda com você.
Ainda estávamos caminhando pra casa, minha atenção estava dividida no jogador e em não tropeçar enquanto andava.
{...}
Quando entro em casa, fecho a porta devagar. Tiro a mochila, jogo no sofá e o coração já tá acelerado. Não devia, porque a gente nem tava namorando. Mas era sempre assim... Richarlison fazia tudo parecer maior.
Respiro fundo e ligo de vídeo.
Ele atende na primeira vibração, como se estivesse com o celular na mão esperando. A imagem dele aparece: moletom largo, cabelo bagunçado, aquela cara de fim de noite inglesa... Um pouco cansado. Um pouco carente. Um pouco "tô com saudade mas não vou admitir direito".
— Chegou — ele sorri de canto. — Finalmente.
— Ai, amor... Londres tá te deixando dramático demais. — digo rindo.
— Não me chama de dramático não. Tu que some. — Ele ajeita o celular contra o peito. — Tá gelado aqui. E tu andando na rua, conversando com tua amiga, nem aí pra mim.
— Eu tava indo pra casa, relaxa. — Sento na minha cama, cruzando as pernas. — E nós dois só estamos... ficando, né? Nem precisa sentir tanta saudade assim.
Ele para. A expressão muda. Um pequeno silêncio atravessa a tela.
— E daí que a gente só tá ficando, Amanda? — ele fala baixo. — Eu gosto de falar contigo. Gosto quando tu me dá atenção. Gosto de te ver sorrindo pra mim. Isso não precisa ser namoro pra fazer falta.
Meu estômago vira.
— Mo... — começo, tentando controlar o sorriso.
— Não me chama de "mo" e depois diz que é só ficada — ele reclama, mas o bico entrega o carinho por trás.
Eu mordo o lábio.
— Tá... desculpa. É que eu fico com vergonha.
— Vergonha de gostar de mim? — ele provoca, com aquele sorriso lento.
— Talvez... — murmuro. Ele respira fundo, olhando direto pra tela como se pudesse me puxar pra perto.
— Eu tô a quantos mil quilômetros?
— Sei lá... uns dez?
— Então. Eu tô aqui, em outro país, jogando, treinando, um monte de coisa acontecendo... e mesmo assim é você que eu quero falar quando o dia acaba. Isso já diz tudo, não diz?