Em meio aos corredores da prestigiada faculdade de Direito da Mackenzie, a jovem e determinada estudante ruiva, chamada Amanda Araújo , se vê imersa em uma emocionante jornada de autoconhecimento e descobertas. Enquanto foca em seus estudos e desafi...
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Janeiro estava estranho pra Amandinha. Ela e Richarlison já tinham uns cinco meses ficando — não era namoro, mas também não era só ficada. Era aquele quase relacionamento que doía mais do que assumidos.
Tudo tinha começado lá atrás, em novembro, quando ela foi visitar ele em Londres. Era pra ser perfeito: frio, luzes de Natal, os dois sozinhos no apartamento dele, ela matando a saudade, ele finalmente tendo ela perto.
Mas do nada, entre um filme e outro, entre um beijo e outro, ela soltava: — Ai, queria tanto estar com meus pais agora... — É tão estranho passar o Natal longe da minha mãe... — Não sei se vou aguentar ficar aqui até o final do mês...
Ela falava por falar, era ansiedade, saudade normal.
Mas pra ele... virou facada.
Ele começou a pensar que ela preferia estar em qualquer outro lugar menos ali. Que ele tava sendo só uma parada temporária. Que ela não queria realmente aquela vida com ele.
No final das contas, ela nem passou o Natal lá. Voltou antes do combinado.
Ele pediu desculpa, disse que entendia... mas ficou com aquilo preso na garganta.
Quando ela contou que ia viajar com a prima mel de 15 anos pra Europa, ele só respondeu: — Aproveita. Frio. Seco. Nada a ver com ele.
E foi isso que destruiu ela por dentro. Ela não queria "aproveitar". Mas ele tava se protegendo.
{...}
— Amandinha... eu não consigo. — a voz dele sai baixa, meio trêmula, do outro lado da linha.
— Não consegue o quê, Richarlison? — aperto o celular na mão. — Fala logo... você tá me deixando nervosa.
Ele respira fundo. Eu ouço. Essa pausa já diz tudo.
— Eu acho que a gente tá em momentos muito diferentes. — a voz vem engasgada, como se ele estivesse escolhendo cada palavra. — Eu não quero que essa coisa boa que a gente tem termine em briga, pressão... essas coisas.
— Eu também não quero! A minha voz falha um pouco.
— Não, Amandinha... — ele interrompe com calma, mas firme. — Escuta. Fico em silêncio, mesmo com o coração batendo forte.
— Quando tu tava aqui em novembro, tu falava dos teus pais o tempo inteiro... — ele suspira. — E isso me fez pensar que talvez tu ainda não esteja pronta pra isso aqui... pra um relacionamento à distância... pra estar comigo em Londres.
Sinto meu estômago apertar. Não porque ele tá errado — mas porque dói ouvir.
— Eu só falo dos meus pais porque eles são importantes pra mim... — tento justificar, a voz saindo fraca.
— Eu sei. — ele responde rápido, como se quisesse me poupar. — Mas te ouvir falando deles o tempo todo me fez sentir que tu ainda tá muito presa aí. E eu não posso te pedir pra escolher entre tua vida e eu.
Engulo seco.
— Vai ficar tudo bem... eu prometo. — digo quase num sussurro. — Daqui a pouco eu vou pra Inglaterra e a gente vai se acertar.
— Depois da nossa última briga eu entendi uma coisa. — ele fala devagar, como se estivesse com medo da minha reação. — Eu não posso te colocar na posição de escolher. Nem quero ser mais um peso pra ti.
Eu fecho os olhos, sentindo a voz dele entrar direto no meu peito.
— Eu não quero te perder, penso... mas não digo. Fico em silêncio, tentando não chorar enquanto ele respira fundo do outro lado.
Sem sinal..
— Mas eu também não posso ficar angustiado e chateado por ficar tanto tempo longe da minha namorada. — ele diz, a voz falhando. — Tá atrapalhando meu trabalho, Amandinha. Eu não tô rendendo em campo tanto quanto deveria.
— Eu tô te atrapalhando... — sussurro, sentindo meus olhos arderem enquanto encaro o teto, tentando não desabar ali mesmo.
— Não! Não é isso! — ele responde rápido, quase desesperado pra me impedir de pensar dessa forma.
Talvez nós realmente não tivéssemos maturidade suficiente pra um relacionamento à distância agora... e o Richarlison percebeu isso antes de mim.
Só que eu simplesmente não queria aceitar. Eu não queria imaginar um futuro sem ele. Eu não queria que o Richarlison saísse da minha vida — de nenhum jeito.
— Eu não quero que você saia da minha vida. — deixo escapar, finalmente dizendo o que estava me consumindo.
Do outro lado da linha, ele respira fundo... e então sua voz vem mais baixa, mais quebrada:
— Eu não vou sair. Nunca.
— Você é a pessoa mais incrível que eu já conheci... e me dói muito te deixar ir como mulher.
Fecho os olhos com força quando sinto as lágrimas transbordarem. Do outro lado, o silêncio dele diz tudo: ele também tá chorando.
— Eu nunca deixaria você ir embora como pessoa. Como amiga. Isso eu não consigo. — a voz dele sai embargada.
Levo a mão à boca, tentando conter o choro, mas ele simplesmente escapa — solto, sentido, doído. Fico quieta por alguns segundos, ouvindo apenas a respiração pesada dos dois... como se estivéssemos abraçados, mesmo separados por um oceano.
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