Se você quiser

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Eu tinha acabado de chegar em casa depois da aula da noite

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Eu tinha acabado de chegar em casa depois da aula da noite. Meu apê em São Paulo era pequeno, mas aconchegante, e eu gostava da sensação de independência.
Joguei a chave na mesa, larguei a mochila no sofá e fui direto pegar um copo d'água.

O celular vibrou.

𝐑𝐢𝐜𝐡𝐚𝐫𝐥𝐢𝐬𝐨𝐧: Mo
𝐑𝐢𝐜𝐡𝐚𝐫𝐥𝐢𝐬𝐨𝐧: Adivinha quem vai dar uma passadinha no Brasil rapidinho?

Arregalei os olhos.

𝐀𝐦𝐚𝐧𝐝𝐚: você ?
𝐀𝐦𝐚𝐧𝐝𝐚:sério??

Demorou 10 segundos.

𝐑𝐢𝐜𝐡𝐚𝐫𝐥𝐢𝐬𝐨𝐧:é coisa rápida
Vou pra SP resolver um compromisso do patrocinador.
𝐑𝐢𝐜𝐡𝐚𝐫𝐥𝐢𝐬𝐨𝐧: Chego amanhã à tarde.

Meu coração bateu forte.
Eu morava em São Paulo.
Ele sabia disso.

𝐀𝐦𝐚𝐧𝐝𝐚: E tá me avisando pq...?

Ele demorou.
Parecia que queria provocar.

𝐑𝐢𝐜𝐡𝐚𝐫𝐥𝐢𝐬𝐨𝐧: Pra saber se tu vai me ver, né, Amandinha

Eu sentei no sofá, mordendo o sorriso.

𝐀𝐦𝐚𝐧𝐝𝐚: Se vc quiser, né.

𝐑𝐢𝐜𝐡𝐚𝐫𝐥𝐢𝐬𝐨𝐧: Eu quero.

Eu tava fechando a mochila quando mandei a mensagem.
Era só uma viagem de dois dias.
Reunião com marca esportiva, sessão de fotos e tchau. Mas desde que soube que ia pra São Paulo, na minha cabeça só existia uma pergunta:
Será que ela ia querer me ver?

Quando ela respondeu "se tu quiser", eu ri sozinho.

Ela sempre fazia charme. Sempre fingia que não queria tanto quanto eu.
Mas eu sabia.

𝐑𝐢𝐜𝐡𝐚𝐫𝐥𝐢𝐬𝐨𝐧: Tô indo pro compromisso agora

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𝐑𝐢𝐜𝐡𝐚𝐫𝐥𝐢𝐬𝐨𝐧: Tô indo pro compromisso agora. Mais tarde passo aí.

Tentei fingir calma.
Falhei miseravelmente.

Passei a tarde arrumando o cabelo, tirando roupa do armário e colocando outra, passando perfume no quarto inteiro, andando de um lado pro outro como se fosse encontro com o crush da primeira vez.

Só que... era.
Sempre era.

Às 19:47, recebi outra mensagem.
Richarlison: Desce. Tô aqui.

Meu coração caiu no estômago.
Olhei pela janela.
Carro preto parado em frente ao prédio.
Vidro escuro.

Samora: "AMANDA DESCER AGORA OU EU VOU AÍ E TE ARRASTO PELO PÉ"

Senti até vontade de rir.
Peguei a bolsa, respirei fundo e desci no elevador.
Quando a porta abriu... ele tava lá. De moletom preto, cabelo pra trás, corrente brilhando no pescoço.Encostado no carro, mexendo no celular.
Ele levantou o olhar devagar.

— Oi, ruiva.
Um sorriso de canto, aquele que ele só dava pra mim.

Cheguei mais perto.
— Oi, rick.

— Tava com saudade. — ele disse sem rodeio, olhando pra mim como se eu fosse a única pessoa na rua inteira.

Eu engoli em seco.

— A gente só fica, né? — provoquei.
Ele passa a língua pelos lábios, se aproximando.

— E daí? — murmura. — Eu posso sentir falta de quem eu fico.

E antes que eu respondesse, ele segurou meu rosto com a mão quente, puxou minha cintura com a outra... E me beijou como se a distância inteira entre Londres e São Paulo tivesse explodido naquele segundo.

Minha ruivaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora