Anticoncepcional

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— Mo... xô falar um negócio aqui — Ele deita perto dela

Ela riu, já sabendo que vinha coisa.

— Lá vem. Fala logo.

Ele faz aquela cara dele de "tô falando sério, mas de um jeito fofo".

— É sobre você parar o remédio lá.

Ela piscou, surpresa.
Ela sabia que esse assunto ia voltar eventualmente... mas não ali, do nada, em Cancún, com ela de biquíni e um drink de morango na mão.

— Amor... de novo isso?

— Relaxa, mo. Não tô te pressionando não.
(ele fala rindo, mas olhando pra ela com calma)

— É que você vive dizendo que esse negócio tá te fazendo mal. Dor de cabeça, enjoo, humor mexido... você mesma falou que não aguenta mais.

Ela suspira, jogando a cabeça no encosto.

— Sim, eu falei... mas parar de vez assim... já dá aquela sensação de que a gente vai começar a tentar.

Ele dá um sorrisinho torto.

— E não vai não?

Ela olha pra ele de canto e ri fraca
— Você fala como se fosse a coisa mais simples do mundo.

— fazer um é, cuidar acho que também, falta só você querer agora (encosta a testa na dela)

Ela fica quieta. Ele aproveita.

— E outra... parar não significa que vai acontecer de primeira. Você sabe.
— A gente pode ir no nosso ritmo, " mermo."
— E se não for agora, beleza. Mas pelo menos você não vai tá sofrendo com esse remédio.

Ela mordiscou o canudo do drink, pensativa.

— Você fala tão certinho que até dá raiva.
Ele ri, puxando ela pro peito.

— Frio e calculista, mo. (Pisco para ela )

— Então você quer que eu pare... mas sem compromisso imediato?

— Quero que você pare pra ficar bem.
— E se um dia acontecer... aconteceu porque era o tempo certo.

— Tá... pode ser. ( concordo) — vou parar então

Ele fecha os olhos, satisfeito, e beija o topo da cabeça dela.

— Só isso já me deixa feliz, sabia?

— Ridículo.

— O quê? Eu?

— Ou o fato de você me amar tanto que até considera minhas ideias?

Ela empurra ele rindo, mas deita de novo no peito dele.

— Só você mesmo pra me deixar calma falando desse assunto.

— Porque eu te quero bem, mo. — E porque tudo com você vai ser no nosso tempo. Sempre.

Ela volta a olhar pro mar, apoiando a cabeça no ombro dele.

— Mo... eu tô infeliz na faculdade.
Ele vira o rosto na hora.

— Como assim?

Ela aperta os lábios, quase envergonhada.

— Eu não tô gostando. Não me vejo mais ali, sabe? Não combina comigo. Eu saio de lá esgotada... frustrada. Eu acho que vou trancar.

Ele segura o queixo dela, fazendo-a olhar pra ele.— Por que você não estuda lá fora?

Ela levanta o olhar na hora.
— Como assim lá fora?

— Em Londres, mo. Comigo. Você pode aplicar pra um curso que você goste, viver outra experiência. Eu te ajudo com tudo. não vai estar sozinha.

Ela arregala os olhos, o coração engasgando no peito.

— Você tá falando sério?

Ele segura o rosto dela com as duas mãos, sorrindo. — Eu tô te chamando pra morar comigo, mo. Eu confio em você. E eu quero você comigo.

Ela dá um riso nervoso, emocionada

— Meu Deus, Ric... você tá me fazendo surtar.

— Surtar de coisa boa, né? — ele dá aquele sorriso convencido que ela ama.

Ela respira fundo, olha pro mar, olha pra ele... e a resposta simplesmente sai:

— Eu quero.

— O quê? — ele pergunta sério, pra ter certeza.

— Eu quero ir. Eu quero morar com você. Quero estudar lá. Quero muito.

O sorriso dele abre na hora, enorme, sincero, orgulhoso.

Ele puxa ela pela cintura, abraça forte e beija a cabeça dela. — Eu prometo que vai dar tudo certo, mo. Você vai ser feliz.

Ela se encolhe no peito dele, rindo, emocionada, como se um peso enorme tivesse sido arrancado das costas.

— Eu tô muito feliz, Ric. Muito mesmo.

— Eu sabia. — ele responde, dando um beijinho no nariz dela.

— A gente decide isso juntos. E agora já tá decidido. Londres te espera.

Ela suspira, apoiando o rosto no ombro dele, olhando pro mar iluminado:

"Eu vou recomeçar. E vou recomeçar ao lado dele."

E eles ficam ali, vendo o mar, o clima leve... e pela primeira vez, ela não se sentiu tão apavorada com o assunto.

Só... pensativa.
E curiosamente tranquila.

 E curiosamente tranquila

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Minha ruivaOnde histórias criam vida. Descubra agora