Capítulo 17

8 1 0
                                        


Não é tão ruim. Pensei enquanto olhava em volta. Flynt e eu tínhamos entrado pelos fundos e, tirando o pó e as teias de aranha, o lugar podia ser considerado até melhor que meu antigo apartamento. Não que isso fosse muito difícil, era claro.

Tinha duas camas de solteiro, um balcão, um refrigerador velho e um banheiro. Não que banheiro fosse o termo correto a se utilizar. Tinha uma privada e uma pia ao lado, mas essa parte não tinha repartição nenhuma com o resto do galpão.

_Como a gente faz quando quiser fazer xixi? O outro se vira de costas ou sai pra rua? – Perguntei mirando a privada. E o mais importante, e quando for número dois? De jeito nenhum eu deixaria Flynt participar tão ativamente da minha intimidade a ponto de observar toda vez que eu usasse o vaso sanitário.

Flynt deu uma gargalhada e então eu olhei pra ele, crente de que estava lendo a minha mente.

_Eu acabo de falar que você vai morar em um galpão, e você só se preocupa se eu vou ver você fazendo xixi?

_Queria que eu fizesse o quê? Reclamasse? – Perguntei.

_Não. – Ele disse sorrindo de lado. _É só que você supera todas as minhas expectativas.

_Ah. – Eu disse apenas desviando o olhar. Mas fiquei pensando o que ele queria dizer com "todas as minhas expectativas". Expectativas de quê? Não, ele definitivamente não estava se referindo à garota dos sonhos dele.

_Mas respondendo à sua pergunta, não sei, o outro podia sair pra rua. Com Leo aqui a gente nunca precisou pensar nisso.

_Está bem. – Eu disse olhando em volta. _Qual é a sua cama?

Ele apontou pra cama mais perto da porta da frente. Larguei a minha mochila sobre a outra.

Flynt abriu o refrigerador e eu notei os baús. Eram dois e estavam no canto do espaçoso galpão. Andei até eles.

_Você deve estar morrendo de fome. – Flynt disse.

_Estou. – Concordei distraída enquanto analisava os enormes baús. Passei a mão sobre a madeira escura de um.

_Temos alguns refrigerantes e garrafas de cerveja. Vazias. – Flynt disse e eu me virei para ele enquanto ele balançava uma garrafa. _Vamos ter que fazer compras mais tarde.

Pelo jeito que ele andou até mim, com uma latinha de refrigerante em cada mão, e pelo olhar felino, eu soube que ele me viu analisando os baús.

_E então? Curiosa?

_Sim. – Concordei pegando uma latinha de refrigerante. _O que tem aí dentro?

Ele deu de ombros.

_Roupas. – E então um sorriso malicioso tomou conta de seu rosto enquanto ele pegava uma chave. _Alguns brinquedinhos.

Brinquedinhos? Fiquei nervosa por um instante. Flynt e Leo eram lindos, mas será que as garotas viriam aqui pra... Se divertir?

Flynt abriu um dos baús e eu me senti muito idiota. Armas, claro. Eram armas que tinham ali dentro. Pistolas, espingardas, facas, espadas, lanças. E eu tinha certeza que aquela ali no canto era uma metralhadora. Era óbvio que Flynt não estaria se referindo a brinquedos eróticos.

_Está pensando no quê? Que somos sádicos? – Flynt perguntou com um sorrisinho.

_Estou me perguntando se vocês recebem mulheres aqui. – Respondi honestamente antes de sequer pensar.

SOMBRAS I (Revisado)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora