Quando me acordei pela manhã não havia sinal do enfermeiro. Ele devia ter ficado comigo até o plantão dele acabar, ou até eu cair no sono.
Cair no sono!
Ai meu Deus! Eu dormi! Em sete meses finalmente eu havia dormido uma noite tranquila, sem nenhum pesadelo!
_Bom dia! - A enfermeira que estava cuidando do meu soro cumprimentou quando percebeu que estava acordada. _Não fale! - Ela me alertou antes que eu pudesse dizer alguma coisa.
Concordei levemente com a cabeça.
Como eu iria me comunicar com as pessoas desse jeito?
Mirei a mesinha ao lado da poltrona, mas não fui capaz de ver um papel. Olhei para a enfermeira que sorriu e disse:
_Seu pai está vindo, foi o que a sua amiga com cabelos cor de fogo disse. – Ela riu. _Ela estava bastante... ansiosa com a sua situação.
Assim que ela terminou de falar comecei a fazer uma mímica de escrita, pedindo algo onde pudesse escrever, para assim poder me comunicar com ela. No entanto, no mesmo instante a porta do quarto se abriu.
Por um momento meu coração disparou e imaginei o enfermeiro de ontem à noite passando pela soleira, mas ao invés disso um homem grisalho com o nome bordado no jaleco foi quem entrou sorrindo no quarto.
_Olá senhorita, sou o Dr. Robson, acho que não se lembra de eu tê-la cuidado, estava inconsciente.
Em primeiro lugar, eu não era analfabeta, conseguia ler o nome dele bordado no jaleco branco; em segundo, era meio mais que óbvio que eu não lembrava dele, ninguém lembraria de alguém que conheceu enquanto estava inconsciente; e por último, ele não deveria ser mais sensível? Isso era a ideia de piadinha dele para relaxar o clima?
_Certo, você deve evitar falar hoje. – Ele continuou sem perceber a minha expressão. _Vou lhe receitar alguns remédios para caso você sinta dor. - Ele disse tirando uma caneta do bolso do jaleco e escrevendo em um bloquinho de papel. _Vou examiná-la mais uma vez e dependendo do resultado, pode ir para casa ainda hoje. Os resultados dos exames devem ficar todos prontos na quinta-feira. Os que já estão prontos eu analisei e estava tudo normal, como o previsto. Por isso que pedi os exames mais complexos para serem feitos. – Ele pausou e olhou com expectativa para mim. _Está entendendo?
Confirmei com a cabeça, já que era tudo o que eu podia fazer.
_Soube que seu pai está vindo hoje, talvez você já volte para casa com ele. Lembre-se que não deve falar hoje e movimente sua língua o mínimo possível. Há certas coisas que você não deve consumir, nada ácido, por exemplo. Sugiro que tome iogurtes até quinta-feira, natural é claro, beba água devidamente tratada. Você deve voltar aqui na próxima segunda para a tirar os pontos, revisão e tudo o mais.
Ele se aproximou de mim assim que terminou o seu monólogo e pediu para que eu abrisse a boca. Eu estava plenamente consciente do fato que ela não devia ter um odor muito agradável. Pelo que parecia, fazia mais de vinte e quatro horas que não escovava os dentes. Também devia fazer esse tempo que não comia nada, a não ser que você pudesse considerar água algum tipo de comida.
_Certo. – Ele falou depois de inspecionar minha boca. _Você teve bastante sorte menina, poderia ter sido muito pior.
Engoli em seco com as palavras dele. Ele não fazia ideia do quão pior poderia ter sido.
VOCÊ ESTÁ LENDO
SOMBRAS I (Revisado)
FantasiVivendo sozinha em Boston, tentando fazer uma vida para si mesma, ela tenta ignorar o frio na espinha e o terror cada vez que cai na inconsciência: Milla está sendo atormentada por pesadelos cada vez mais recorrentes, e cada vez mais reais. Sua vid...
