Capítulo 3

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Quando me acordei pela manhã não havia sinal do enfermeiro. Ele devia ter ficado comigo até o plantão dele acabar, ou até eu cair no sono.

Cair no sono!

Ai meu Deus! Eu dormi! Em sete meses finalmente eu havia dormido uma noite tranquila, sem nenhum pesadelo!

_Bom dia! - A enfermeira que estava cuidando do meu soro cumprimentou quando percebeu que estava acordada. _Não fale! - Ela me alertou antes que eu pudesse dizer alguma coisa.

Concordei levemente com a cabeça.

Como eu iria me comunicar com as pessoas desse jeito?

Mirei a mesinha ao lado da poltrona, mas não fui capaz de ver um papel. Olhei para a enfermeira que sorriu e disse:

_Seu pai está vindo, foi o que a sua amiga com cabelos cor de fogo disse. – Ela riu. _Ela estava bastante... ansiosa com a sua situação.

Assim que ela terminou de falar comecei a fazer uma mímica de escrita, pedindo algo onde pudesse escrever, para assim poder me comunicar com ela. No entanto, no mesmo instante a porta do quarto se abriu.

Por um momento meu coração disparou e imaginei o enfermeiro de ontem à noite passando pela soleira, mas ao invés disso um homem grisalho com o nome bordado no jaleco foi quem entrou sorrindo no quarto.

_Olá senhorita, sou o Dr. Robson, acho que não se lembra de eu tê-la cuidado, estava inconsciente.

Em primeiro lugar, eu não era analfabeta, conseguia ler o nome dele bordado no jaleco branco; em segundo, era meio mais que óbvio que eu não lembrava dele, ninguém lembraria de alguém que conheceu enquanto estava inconsciente; e por último, ele não deveria ser mais sensível? Isso era a ideia de piadinha dele para relaxar o clima?

_Certo, você deve evitar falar hoje. – Ele continuou sem perceber a minha expressão. _Vou lhe receitar alguns remédios para caso você sinta dor. - Ele disse tirando uma caneta do bolso do jaleco e escrevendo em um bloquinho de papel. _Vou examiná-la mais uma vez e dependendo do resultado, pode ir para casa ainda hoje. Os resultados dos exames devem ficar todos prontos na quinta-feira. Os que já estão prontos eu analisei e estava tudo normal, como o previsto. Por isso que pedi os exames mais complexos para serem feitos. – Ele pausou e olhou com expectativa para mim. _Está entendendo?

Confirmei com a cabeça, já que era tudo o que eu podia fazer.

_Soube que seu pai está vindo hoje, talvez você já volte para casa com ele. Lembre-se que não deve falar hoje e movimente sua língua o mínimo possível. Há certas coisas que você não deve consumir, nada ácido, por exemplo. Sugiro que tome iogurtes até quinta-feira, natural é claro, beba água devidamente tratada. Você deve voltar aqui na próxima segunda para a tirar os pontos, revisão e tudo o mais.

Ele se aproximou de mim assim que terminou o seu monólogo e pediu para que eu abrisse a boca. Eu estava plenamente consciente do fato que ela não devia ter um odor muito agradável. Pelo que parecia, fazia mais de vinte e quatro horas que não escovava os dentes. Também devia fazer esse tempo que não comia nada, a não ser que você pudesse considerar água algum tipo de comida.

_Certo. – Ele falou depois de inspecionar minha boca. _Você teve bastante sorte menina, poderia ter sido muito pior.

Engoli em seco com as palavras dele. Ele não fazia ideia do quão pior poderia ter sido.

SOMBRAS I (Revisado)Onde histórias criam vida. Descubra agora