Capítulo 26

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_Então, se acertou com seu amigo? – Perguntou dona Lilly, a recepcionista do hotel.

_Mais ou menos. – Eu disse ajeitando o macacão.

_Mais ou menos?

_Eu tinha que voltar. – Dei de ombros.

_Então quer dizer que vocês não voltaram?

Fiquei desconfortável com a pergunta.

_Não estávamos juntos para voltar.

_São só amigos.

Balancei a cabeça.

_Não, não somos.

Dona Lilly ergueu as sobrancelhas.

_Que relação vocês tem?

_Profissional. – Respondi. E não foi uma mentira, eu era parte do trabalho de Flynt.

Dona Lilly não fez uma cara muito bonita, mas não disse nada.

Sei o que ela imaginou, mas eu não ia entrar em detalhes. Não ia explicar que eu estava sendo caçada por um demônio e que o trabalho de Flynt era me manter segura e me treinar.

Quando acabou o meu expediente, fui treinar com Flynt. Não falamos nada mais que o essencial.

No dia seguinte, Flynt achou que já era hora de me ensinar a atirar.

_Apoie a arma com a sua outra mão. – Ele comandou e obedeci. _Pé esquerdo um pouco mais a frente. Não precisa dobrar tanto os joelhos, não vai lutar, vai atirar. Agora, desative a trava de segurança e mire antes de colocar o dedo no gatilho. Pra mirar direito você tem que enxergar a mira de trás no centro da mira da frente. Feche um olho.

Senti o coice da arma. Passou raspando no tronco da árvore, na altura do meu quadril.

_Droga, Milla! – Flynt gritou. Não sei por que, o tiro não passou nem perto dele. _Eu disse pra mirar antes de pôr o dedo no gatilho!

_Eu sei, entendi. – Falei já ficando nervosa.

Outro tiro.

Dessa vez pegou à direita do alvo. Flynt fez uma careta.

_Tem certeza que está enxergando a mira de trás no centro de mira da frente?

_Tenho. – Respondi mais alto do que eu deveria.

Flynt passou para trás de mim.

_Não estique tanto os braços. – Ele disse fechando a mãos na dobras de um dos meus cotovelos e o puxando para trás de leve. _Assim está melhor. E diminua a tensão dos ombros. – Ele passou a mão para o meu ombro e fez uma leve pressão.

Tranquei a respiração.

_Você ficou mais tensa. – Flynt disse com a mão ainda em meu ombro. _Eu disse pra diminuir.

_Que tal tirar a mão daí? – Perguntei irritada. Imediatamente o calor e o peso da mão de Flynt deixaram o meu ombro.

_Desculpa. – Ele disse se distanciando de mim outra vez.

_Não. – Eu disse balançando a cabeça, acionando a trava de segurança e abaixando a arma. _Você estava me treinando.

_Mas me excedi. – Flynt contestou. _Não devia ter lhe tocado. Sei que... desaprova o que eu fiz.

SOMBRAS I (Revisado)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora