_Então, se acertou com seu amigo? – Perguntou dona Lilly, a recepcionista do hotel.
_Mais ou menos. – Eu disse ajeitando o macacão.
_Mais ou menos?
_Eu tinha que voltar. – Dei de ombros.
_Então quer dizer que vocês não voltaram?
Fiquei desconfortável com a pergunta.
_Não estávamos juntos para voltar.
_São só amigos.
Balancei a cabeça.
_Não, não somos.
Dona Lilly ergueu as sobrancelhas.
_Que relação vocês tem?
_Profissional. – Respondi. E não foi uma mentira, eu era parte do trabalho de Flynt.
Dona Lilly não fez uma cara muito bonita, mas não disse nada.
Sei o que ela imaginou, mas eu não ia entrar em detalhes. Não ia explicar que eu estava sendo caçada por um demônio e que o trabalho de Flynt era me manter segura e me treinar.
Quando acabou o meu expediente, fui treinar com Flynt. Não falamos nada mais que o essencial.
No dia seguinte, Flynt achou que já era hora de me ensinar a atirar.
_Apoie a arma com a sua outra mão. – Ele comandou e obedeci. _Pé esquerdo um pouco mais a frente. Não precisa dobrar tanto os joelhos, não vai lutar, vai atirar. Agora, desative a trava de segurança e mire antes de colocar o dedo no gatilho. Pra mirar direito você tem que enxergar a mira de trás no centro da mira da frente. Feche um olho.
Senti o coice da arma. Passou raspando no tronco da árvore, na altura do meu quadril.
_Droga, Milla! – Flynt gritou. Não sei por que, o tiro não passou nem perto dele. _Eu disse pra mirar antes de pôr o dedo no gatilho!
_Eu sei, entendi. – Falei já ficando nervosa.
Outro tiro.
Dessa vez pegou à direita do alvo. Flynt fez uma careta.
_Tem certeza que está enxergando a mira de trás no centro de mira da frente?
_Tenho. – Respondi mais alto do que eu deveria.
Flynt passou para trás de mim.
_Não estique tanto os braços. – Ele disse fechando a mãos na dobras de um dos meus cotovelos e o puxando para trás de leve. _Assim está melhor. E diminua a tensão dos ombros. – Ele passou a mão para o meu ombro e fez uma leve pressão.
Tranquei a respiração.
_Você ficou mais tensa. – Flynt disse com a mão ainda em meu ombro. _Eu disse pra diminuir.
_Que tal tirar a mão daí? – Perguntei irritada. Imediatamente o calor e o peso da mão de Flynt deixaram o meu ombro.
_Desculpa. – Ele disse se distanciando de mim outra vez.
_Não. – Eu disse balançando a cabeça, acionando a trava de segurança e abaixando a arma. _Você estava me treinando.
_Mas me excedi. – Flynt contestou. _Não devia ter lhe tocado. Sei que... desaprova o que eu fiz.
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SOMBRAS I (Revisado)
FantasíaVivendo sozinha em Boston, tentando fazer uma vida para si mesma, ela tenta ignorar o frio na espinha e o terror cada vez que cai na inconsciência: Milla está sendo atormentada por pesadelos cada vez mais recorrentes, e cada vez mais reais. Sua vid...
