Observei-a sem piscar nem desviar meus olhos de sua figura enquanto me movia para a esquerda, minha mão indo lentamente em direção à espada presa em minha perna. Bridget se movia em sincronia comigo. O sorriso felino não deixava seu rosto.
Ela era uma verdadeira predadora, mas de forma alguma eu seria a presa.
_Por que está aqui? – Bridget perguntou com o sorriso nada gentil que partia sua face em duas. Sua voz não continha mais um pingo que fosse da fingida doçura e amabilidade, era fria e me causava arrepios.
_Por que você acha que eu estou aqui? – Perguntei, minha voz soando mais como um rugido feroz.
Estávamos a dois metros de distância e, em um salto, acabei com eles, minha espada no alto. Cortei o ar de cima para baixo, até acertar a carne do demônio com força. Agilmente, fiz mais dois cortes em seu tórax e abdômen que não levaram mais de cinco segundos para sumirem de seu corpo.
Ela me presenteou com mais um sorriso repleto de dentes afiados antes de uma de suas mãos alcançar meu pescoço e a outra agarrar o meu braço direito com firmeza. Fui arremessada contra a parede atrás de mim com força.
Senti o impacto machucar as minhas costas, mas o que mais incomodava no momento era o meu pescoço, que queimava, levei minha mão até ele e o massageei. Certamente a forma das mãos dela tinha ficado marcada em minha pele.
Bridget, em seu belo vestido de noiva, contrastando com seu sorriso ameaçador, que não se encaixava de forma alguma com o branco brilhante e angelical, se aproximou lentamente de mim. A imagem que eu enxergava estava muito mais para uma pintura surrealista do que para a realidade, no entanto era o que era.
_Corajosa você é. Tola, é claro, mas bastante corajosa. Assim como sua mãe era. Infelizmente, não posso dizer o mesmo do seu pai.
No momento em que ela iria me atacar novamente, rolei para a esquerda, alcancei minha espada e parei com um joelho e um pé no chão. Minha mão esquerda permanecia no chão como um terceiro apoio e a direita segurava a espada prateada com firmeza. Meu rosto estava voltado para o demônio em minha frente, meus olhos o encaravam com ferocidade.
_Não tem o direito de falar do meu pai!
Em um movimento brusco cortei sua garganta com a ponta da espada e desviei do golpe que ela aplicaria em mim. Aproveitei seu breve desnorteamento para pegar um punhado de sal que eu carregava comigo, na mesma tira que prendia a espada em minha perna, e joguei nos olhos de Bridget. Ela rugiu.
Tola, é claro, mas bastante corajosa. Assim como sua mãe era.
As palavras ficaram gravadas em meu cérebro.
_Como sabe sobre minha mãe? – Perguntei inquisitiva.
Ela sorriu ferozmente com os olhos fechados.
_Quem você acha que a matou?
Tentei não me abalar com as palavras.
_É claro, você causou o acidente. – Disse mais para mim mesma do que para ela. _Por isso sabe tão detalhadamente como foi.
_Eu não apenas causei o acidente. – Ela baixou as mãos e deu um sorriso assustador. _Eu a atormentei por meses sem fim. Pesadelos, aparições. Eu a enlouqueci. Fiz a morte ser um alívio para ela.
Balancei a cabeça.
_Não vai me abalar.
Bridget ergueu as sobrancelhas.
_Focada, determinada. Que desperdício. – Ela balançou a cabeça. _Poderia se dar muito bem na vida, pena que vai morrer hoje. Exatamente como a sua mãe, há dezesseis anos atrás. – Ela pôde ver minha mente trabalhando e gargalhou. _Como é? Não reconhece a data?
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SOMBRAS I (Revisado)
FantasiVivendo sozinha em Boston, tentando fazer uma vida para si mesma, ela tenta ignorar o frio na espinha e o terror cada vez que cai na inconsciência: Milla está sendo atormentada por pesadelos cada vez mais recorrentes, e cada vez mais reais. Sua vid...
