Capítulo 31

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_Quer ajuda? – Perguntei erguendo uma sobrancelha e ostentando um sorrisinho que não consegui evitar de dar. _Ou quer preservar o resto do orgulho que ainda lhe resta?

Percebi, tarde demais, que tinha sido muito dura com ele. Leo estava machucado, com costelas quebradas e tudo, que ele adquirira tentando proteger meu pai. Além do mais, ele estava apenas tentando me treinar. Mas odiava que me subestimassem, e ele havia feito isso!

Leo levantou sem a minha ajuda, e percebi que não havia muito do que me orgulhar, afinal além de ele estava com duas costelas quebradas, também ostentava um corte semicicatrizado horroroso no supercílio. E agora também estava sangrando pelos braços e pernas, por causa de todos os pequenos cortes que eu havia feito nele. E ele não havia feito um único corte em mim!

Ele passou a mão direita no nariz, que também sangrava por conta das minhas cotoveladas, limpou um pouco o sangue que escorria e, enfim, falou alguma coisa.

_Você é boa. – Admitiu. Seu choque inicial tinha passado. _Talvez devesse treinar com Flynt, ele é rápido como você.

_É. – Concordei. _E não tem medo de lutar comigo. – Acrescentei antes que pudesse evitar.

Dei as costas a Leo, pendurei o saco de pancadas em sua árvore de costume e comecei a desferir socos rápidos sobre ele. Meu sangue ainda estava fervendo e eu não queria dizer mais alguma coisa a ele da qual fosse me arrepender mais tarde.

Leo entendeu o recado e não se aproximou de mim. No lugar disso, foi limpar os seus novos cortes e trocar de roupa.

Foi nessa hora que Flynt, finalmente, apareceu. Dobrou na lateral do galpão, inúmeras sacolas em seus braços. Ele deu uma olhadinha para o tio e caiu na risada enquanto balançava a cabeça. Isso quase me fez rir também.

Fiquei mais um tempo no saco de pancadas e, quando os dois garotos já estavam dentro do galpão, tomei o meu banho.

Passei por Leo, agora recomposto, quando eu estava cruzando as portas duplas do galpão. Ele assentiu pra mim com a cabeça. Retribuí o gesto de forma respeitosa.

Logo que atravessei as portas duplas, porém, estagnei. Havia uma caixa preta sobre a minha cama, enrolada com um laço de presente prata. Segui até a minha cama, sem tirar os olhos dela.

_O que é isso? – Perguntei a Flynt que estava no nosso equivalente à cozinha do galpão.

_Abre. – Ele disse apontando em direção à caixa com o copo de água que segurava. Os cantos da sua boca estavam quase imperceptivelmente voltados para cima.

Sentei-me na cama, ao lado da caixa e abri-a. Dentro dela havia algo feito de um tecido preto elegante. Puxei a peça de dentro da caixa, onde estava enrolada por papel de seda, e descobri um vestido. O analisei encantada, era magnífico.

_Gostou? – Flynt perguntou logo atrás de mim. Levei um pequeno susto, estava tão hipnotizada pelo vestido que nem notara a sua aproximação.

Virei meu rosto para trás e ali estava ele, a centímetros de distância, o sorriso no rosto agora bastante perceptível.

_É lindo! – Exclamei sorrindo para ele. _Mas... – Não completei a frase, não sabia como dizer. Queria perguntar por que ele me comprara um vestido tão lindo, mas não conseguia encontrar uma forma de perguntar aquilo sem parecer que eu não gostara da surpresa.

_Você precisa de uma roupa adequada para o casamento do seu pai. – Ele respondeu à pergunta que eu nem chegara a fazer.

_Mas usar preto em casamento não dá azar? – Por que eu estava me preocupando com aquilo? Meu pai ia casar com um demônio e eu estava preocupada se a cor do meu vestido daria azar?

_É que você fica linda nessa cor. – Flynt sorriu. Senti um friozinho na barriga. _E também preto não mancha de sangue. – Certo, ele acabou com todo o momento romântico. Mas isso apenas me fez ter mais vontade de beijá-lo. _E, na verdade, só não é de bom tom aparecer vestida de preto em um casamento, já que é a cor do luto.

_Não estamos indo para estar em bom tom, não é mesmo? – Perguntei sorrindo, cheia de uma confiança e determinação assassina. _Afinal estamos indo matar a noiva.

Flynt parou de sorrir.

_O que foi? – Perguntei também desmanchando o meu sorriso e já começando a me arrepender do que eu acabara de falar.

_Droga, Milla! Você fica tão sexy falando desse jeito assassino! – Seu rosto estava a cinco centímetros do meu.

Acabei com essa distância e colei meus lábios aos dele. Nosso beijo durou cinco segundos porque Leo entrou pela porta falando:

_Acabaram as balas... – E ele ficou paralisado no meio do caminho enquanto Flynt e eu nos afastávamos. _normais. – Leo completou atrasado, sem tirar os olhos de nós.

_O almoço está pronto. – Flynt disse se recompondo e levantando-se.

_Sim. – Leo disse olhando de Flynt para mim.

Guardei o vestido na caixa tão rápido que duvido que Leo tenha identificado sequer a cor do tecido.

Enquanto eu me encaminhava para a cozinha, de trás de Flynt, Leo me barrou no caminho.

_Eu sei que você ficou brava hoje mais cedo. Eu também fiquei irritado, mas foi mais comigo mesmo do que com você. Quero saber se está tudo certo entre a gente.

O que eu poderia dizer? Eu tinha descontado a minha raiva no saco de pancadas, e também no próprio Leo. Eu estava calma novamente e, embora Leo tivesse me subestimado, ele só queria a minha segurança, e ele ia ajudar a resgatar o meu pai. Eu precisava dele.

_Claro. - Respondi. _Tudo certo entre a gente, desde que você não me subestime outra vez.

Leo assentiu com a cabeça, satisfeito.

Depois disso, nos concentramos apenas no que iríamos enfrentar pela frente, em como resgatar o meu pai e matar Bridget. Definitivamente, não seria algo fácil de realizar.

SOMBRAS I (Revisado)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora