◌◌◌ Nath ◌◌◌
Sentada na mesa daquele restaurante, senti uma inquietante sensação de que algo estava prestes a acontecer. Um formigamento na pele, os cabelos da nuca eriçados... era como se estivesse carregada de eletricidade estática e prestes a tocar em algo metálico. Parecia até que conseguia ouvir o crepitar do choque. Não, será que estou enlouquecendo de vez? Já não bastassem os sonhos estranhos, agora estou tendo pressentimentos também?
Desde que cheguei a Nova York há três dias, tenho tido sonhos bizarros. Na noite passada, sonhei que estava em um beco em uma noite chuvosa, ouvindo uma voz masculina me chamando de "meu amor" e pedindo para seguir sua voz. Mas, por mais que a seguisse, não conseguia encontrá-lo. A voz suplicava: "Por favor, não desista agora, estamos tão perto." Acordei completamente desconcertada, sem saber onde estava. Levei alguns segundos para me situar e alguns minutos para me livrar da inexplicável necessidade de procurá-lo.
Na noite anterior, a experiência foi ainda mais bizarra. Eu estava à beira de um precipício, de costas para o abismo. Lá embaixo, podia ouvir o barulho das ondas quebrando nas paredes de pedra, enquanto à minha frente se estendia uma vasta floresta nevada, de onde aparentemente eu havia vindo. Na floresta, podia ouvir sussurros, e no caminho por onde havia passado, o gelo estava derretido. Ao olhar para mim mesma, percebi, apavorada, o motivo: meu corpo estava em chamas, da cabeça aos pés, uma camada de fogo se estendia. Como eu não estava morrendo queimada, é um mistério que ainda me assombra.
Na floresta, uma voz sussurrante disse: "Bidh seo mar chrìoch aige, agus leis-san crìoch a shluaigh uile", chamando minha atenção de volta para aquela situação em que me encontrava. Levei alguns instantes para perceber que aquele não era meu idioma, mas mesmo assim, pude entender cada palavra: "Este será o seu fim, e com ele o fim de todo seu povo", a voz havia dito. Então, vi um homem parado à beira da floresta, a cerca de 100 metros de onde eu estava, com um olhar de puro desespero. "Proteja nosso povo", sussurrei, e então me lancei do abismo em uma bola flamejante, levando comigo meus inimigos. Acordei enquanto caía, arfando, coberta de suor e com o coração na boca.
-Terra chamando Nathalie - disse Isabella com um tom de deboche. - O que está acontecendo com você, garota? Parece que está em outro planeta.
-Desculpa, não ando dormindo muito bem - disse, sentindo-me envergonhada. - Deve ser a falta da minha cama - brinquei.
-Olha, eu estou achando que o que te falta é alguém com quem você costuma dividir a cama - retrucou Camille, divertida.
-Estou muito bem, obrigada - respondi enfaticamente, enquanto sentia as bochechas corando.
Isabella e Camille são minhas melhores amigas desde a infância. Crescemos juntas em uma cidadezinha chamada Reidsville, no interior da Georgia, a aproximadamente 120 km de Savannah. Passamos juntas pela infância, pelos dramas da adolescência e, como não poderia ser diferente, continuamos juntas até hoje como sócias em nossa pequena empresa de lingeries. Camille, que sempre foi ótima desenhando e muito antenada no quesito moda, é a responsável pelo design das peças. Isabella, extremamente sociável e com o dom para lidar com pessoas, cuida da parte comercial. Eu, uma mera mortal sem talento algum, fico encarregada da parte administrativa.
Buscando elevar o patamar e alçar voos mais altos, viajamos as três em direção a Nova York para uma série de reuniões com possíveis investidores para nossa marca. A reunião de hoje estava marcada para as 5 da tarde. Nós três estávamos prontas, vestidas como mulheres elegantes e poderosas, com o discurso preparado e extremamente confiantes. No entanto, o investidor remarcou a reunião para amanhã, às 2 da tarde.
Viemos direto para este restaurante, que segundo a recepcionista do hotel, servia a comida italiana mais maravilhosa de Nova York. Como estávamos precisando levantar os ânimos, aceitamos a indicação de bom grado. Chegamos ao restaurante e fomos atendidas por um garçom muito educado. Pedimos uma mesa onde tivéssemos mais privacidade, onde pudéssemos conversar e rir, como sempre fazíamos quando estávamos juntas. A decoração era sóbria, conferindo um ar de luxo, o que me deixou um pouco desconfortável e deslocada.
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Elementary: O despertar das chamas
FantasyNeste mundo, existem forças invisíveis que moldam nosso destino, que nos conduzem por caminhos intrincados e nos levam a enfrentar desafios que nunca imaginamos. Natalie Lewis, uma mulher comum de uma pequena cidade no interior do Georgia, é subitam...
