Minha mãe decidiu mudar-se para uma cidade mais próxima, e, apesar das decepções passadas, me convenceram a dar-lhe uma segunda chance. Hesitei, receosa de outra desilusão, mas afinal, ela ainda era minha mãe. O novo marido dela, Bruno, despertou inicialmente minha desconfiança pela maneira como tratava minha mãe, mas ao conhecê-lo melhor, percebi que ambos carregavam seus próprios traumas.
Desenvolvi uma amizade com Bruno, mesmo diante de conflitos ocasionais, pois compreendia as marcas que a vida nos deixa. Ao passar os finais de semana com minha mãe, redescobri o prazer em sua companhia. Apesar das ressalvas, ela fazia falta em minha vida, e muitas coisas poderiam ter sido diferentes se ela tivesse sido mais presente desde o início.
Entretanto, o temor de ser magoada novamente se concretizou quando, em um momento difícil, ela me expulsou de sua vida. Fiquei sozinha o dia todo, não tanto pela solidão, mas pela mágoa de ter sido excluída. Decidi me afastar novamente, resistindo a influências externas. Um ano se passou, e ela procurou reconciliação, pedindo desculpas. Aceitei, sabendo que, apesar de tudo, ela continua sendo minha mãe.
Thais, por sua vez, trouxe à minha vida uma nova irmã, Emanuelle. O sorriso e a inocência dessa criança foram verdadeiros bálsamos nos meus piores dias. A presença dela trouxe consigo não apenas alegria, mas também a oportunidade de me reconciliar com Thais, a quem agradeci sinceramente por tudo que fez por mim.
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Relatos de uma adolescente
Short StoryO medo de enfrentar novos desafios não pode te parar, e sim te dar força para ser superados.