|Choi Sungho Pov|
O que foi que eu acabei de fazer?
Assim que Marques me perguntou aquilo, eu me senti intimidado, senti como se meu pai estivesse olhando nos meus olhos e me dando uma lição de moral sobre como eu devia me comportar como um herdeiro. Entrei em desespero, a empresa era a marca da minha família no país, eu não poderia causar um escândalo. Eu precisava me comportar para que nada saísse do controle!
E se Yuna descobrisse e processasse a empresa? E se saísse na mídia? O escândalo que ia ser! A imagem da minha família iria pro ralo e a culpa ia ser toda minha!
Eu acabei agindo de forma completamente estranha e hipócrita com Jade, obviamente não queria ter dito aquilo a ela, mas na minha cabeça, no desespero, eu precisava acabar com aquilo o mais rápido possível!
Vi que ela ficou desconfortável e inconformada, ela estava certa, como em menos de 24 horas eu pude mudar de comportamento tão drasticamente com ela?
Me senti culpado por esse lado, mas completamente aliviado por ter cortado essa relação, assim eu sei que a empresa que um dia foi de meu pai, manteve sua reputação impecável como sempre foi.
Jonghyu me chamou para ir na casa dele como de costume, e eu fui.
J - Desenbucha! Eu sei quando você está querendo me dizer algo - Ele diz enquanto estávamos amassando uma pizza de frango.
- É sobre a Jade - Jonghyu me encara com atenção - Nós estávamos indo bem, conversando todos os dias, carícias, beijos e teve até um dia que rolou algo mais, eu estava feliz com aquilo. Eu estava feliz com ela - Olhei pra baixo e ele me encarava com uma expressão confusa.
J - Estava? No passado?
- Jade me perguntou se era certo eu manter relações com ela sendo que tirei Yuna do cargo por esse mesmo motivo - Dessa vez, eu que o encarei.
J - E? - Indagou como se não houvesse nenhum problema.
- Na hora que ela me disse isso, parecia que tinha se passado um filme na minha cabeça. Parecia que eu escutava meu pai gritando comigo, e eu pensava o que o público acharia disso se Yuna me processasse e saísse na mídia e - Jonghyu me interrompeu.
J - E que ninguém tem nada haver com isso e seu pai já morreu?! - Disse óbvio.
- Não é tão simples como pensa! Aquela empresa não é só uma herança, mas o sustento de muita gente, e a marca da minha família no país!
J - Não, você não pensa na sua família e nem no sustento de ninguém, eu te conheço o bastante pra saber que a atitude que você tomou foi completamente movida pela forma que o seu pai te tratava - Fiquei em silêncio.
Sim, meu pai me causou 90% dos meus traumas. Desde que me conheço por gente eu me lembro de como ele colocava na minha cabeça de que eu devia agir como ele, que eu devia ter a personalidade dele, os trejeitos dele, me vestir como ele, ele queria que eu fosse um clone dele basicamente. Ele queria ter certeza de que continuaria aqui na terra cuidando da empresa dele, mesmo depois de morto. E em nenhum momento da minha infância ou adolescência eu pude ter personalidade própria, nunca agi como quis, apenas como quisessem que eu agisse. E se eu não me comportasse exatamente como meu pai queria, ele gritava comigo e me referia coisas absurdas, ele só não me agredia fisicamente porque minha mãe não permitia.
J - Sungho, seu pai não está mais aqui para gritar com você, ou te fazer vergonha na frente das pessoas, você é livre, a empresa é toda sua, você pode ser quem você quiser e do jeito que quiser, deixe o passado pra trás e viva de forma que nunca viveu antes. Da forma que sempre quis viver! - Abaixei a cabeça tentando esconder as lágrimas - Você não precisa ser durão comigo, vem cá - Jonghyu me puxou e me deu um abraço apertado.
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Dear Boss
Roman pour Adolescents"Querido Patrão" Será que seria errado ter um caso com meu superior? De qualquer forma, não sei se aquele bonitão se interessaria por mim. Mas, e se?
