Jéssica
— Entra, a porta está aberta, senhor não sou digno, mas vim te adorar. Entra, a porta está aberta, quero que comigo venhas cear. Entra senhor, Jesus, em meu coração, vem inundar meu ser com tua presença, quero sentir o amor que nunca tive, porque não quero ser igual, quando amanhecer... — De olhos fechados ouço quando a música e todos cantando servem a oração do senhor.
Com minhas duas mãos contra meu peito abro um sorriso fraco e de muita bondade no coração. Abro meus olhos devagar, obtendo o contato com a claridade da igreja. Em pé no banco, engulo o acúmulo da minha própria saliva pela secura.
Falar sobre Jesus é algo tão bom, é algo que faz nossos corações saberem o quanto precisamos dele. Eu sigo, eu sou, eu louvo, eu adoro! Mas eu entendo que cada um tem sua escolha em relação a religião, nem todos pensam iguais. Porém, para entrar aqui eu me sinto bem a cada louvor e adoração, eu sinto o contato dele na minha vida, ele vive em mim.
— Merece cantar com essa sua voz perfeita. — A voz do Alan é direcionada a minha direção. — Linda como a própria dona.
— Obrigada — respondo, olhando de canto para ele ao meu lado, e seguro a bíblia em mãos.
Alan é o tipo de rapaz certo aos olhos de qualquer um, porém, eu não acho isso tudo... creio que todos sem seus defeitos e ele tem o dele. Mesmo ele sendo meu amigo, eu o conheço perfeitamente.
— Será que não dá pra nós marcamos de nos vermos hoje mais tarde? Levo você pra tomar um açaí. — Diz.
— Tudo bem, mas só que primeiro preciso estar com meus pais. Eles tem a mania de tomar o café da tarde juntos. — analiso ele confirmar levemente.
— Vou te esperar.
— Tudo bem.
O canto acontece por mais alguns minutos. Quando o louvor é encerrado, todos nós saímos de dentro da igreja
— Vou pegar o caminho de casa, mais tarde te mando mensagem, pode ser? — Alan avisa.
— Pode.
— toma cuidado, qualquer coisa me liga. — Despeço com um beijo no rosto.
Hm. Alan como sempre preparado com meus passos pela favela.
Mas meu caminhar é tranquilo em direção à minha casa. Bom, estava sendo tranquilo até eu me encontrar com um grupo de rapazes. O cheiro de maconha paira sobre o ar da rua. O medo e a vergonha intensificam as batidas do meu coração.
Em passos calmos começo a descer a ladeira, implorando para minha respiração acalmar. Prestes a passar em frente, um comentário nojento atinge minha audição.
— A crentona do cú quente.
Não retruco, não falo nada, apenas sinto um olhar emanando sobre o meu corpo, além do mais, são três rapazes me olhando, mas a minha energia é como se fosse sentida por apenas um deles.
Viro meu rosto um leve ângulo. Dessa vez meus olhos são fixados diante de um rosto sério, maxilar levemente travado por baixo de um boné preto e eu estudo: Seu baseado entre seus dedos. Camiseta na cor cinza e uma bermuda escura. Meu estômago simplesmente atrai um gélido, nossos olhares se encontram por um simples triz de segundos. Mesmo demonstrando raiva na minha íris, seus olhos me examinam.
Traficantes de merdas.
Volto minha atenção nos meus passos conforme meu cabelo cacheado balança e continuo andando com a sensação de ser apalpada só pelo olhar escuro que fica guardado na minha mente.
Não o conheço, mas pela forma que o observei, determino que seja um traficante, assim como os outros que estavam com ele. Complexo da pedreira é cheia de homens assim. Vários saem em sites de fofocas e aqui é repleto por eles.
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Amor Bandido
Romance+18|Sua única Salvação... O propósito de Deus foi unir os dois. Talvez a melhor saída do Rodrigo seria conhecê-la, ele entendeu que tudo em nossa vida tem um propósito. Rodrigo aprendeu a conviver com seus medos e passados, o seu medo de relacionar...
