Guerreiro
Bato devagar no meu baseado uma tragada demorada. Estou encostado na parede de uma casa, calado como sempre. A fumaça do baseado sai entre meus lábios.
Meu olhar sério por baixo do meu boné analisa Patatá e Ratinho comentando alguns assuntos, algumas palavras entram no meu ouvido e saí no outro de tão desinteressantes.
Dois dias passaram desde o assalto e nesse momento estamos na comunidade da Pedreira. Minha vida sempre girou em volta do crime, desde menor atuando em vários cargos. Na hierarquia sou considerado como um 157 mais amplo possível.
— A crentona do cú quente! — a voz do Patatá soou alto, sentado na calçada.
Tiro meu olhar do baseado, mirando minha visão na garota, que desce ainda em uma distância grande.
Em passos lentos seu corpo se move com uma bíblia em suas mãos. A saia molda até os joelhos, marcando a curva do corpo dela e blusa social por dentro, tampa a parte de cima dos seios. Cabelo cacheado e enorme balançam na medida dos seus passos. Olhar baixo, ela está envergonhada, parceiro.
Acompanho seus passos com meus olhos. O exato momento que ela passa em frente, percorro minha língua por meus lábios. Abaixo a mão onde seguro o baseado.
Minha atenção passa pela lateral do seu rosto, nariz empinadinho, pele lisa mesmo tendo o cabelo cacheado cobrindo seu rosto.
— Fala tú, crente, mas você é doidinho pra foder…— Ratinho gasta sarcástico.
— Não estou a fim de ver a visão da amazônia, deve estar toda... cheia. Bom que deve ser apertadinha.
Eles soltam umas risadinhas irônicas, fazendo a mandada trazer os olhos pelo canto dos olhos.
Minha visão se encontra direto com seus olhos. Nossos olhos se encontram com uma fixação única. Sua atenção é retraída em uma íris de quem está brava, de imediato muda a atenção para frente novamente ao perceber minha atenção diretamente nela.
A visão agora que tenho é dela de costas, dessa vez a saia não marca tanto sua bunda, mas tenho a visão do cabelão cacheado na cor clara sendo refletido pela luz do sol. Olho pelos próximos minutos até ela tomar uma distância pela ladeira, entrando na primeira rua sem olhar para trás.
— Qual é o nome da garota? — minha voz rouca pergunta.
— Qual foi, não é do seu porte não. — Ratinho diz.
— Eu te perguntei a porra do nome — ergo o olhar na sua direção. Fito seu rosto e seu corpo quase do meu lado.
Sua pele negra reflete sobre o sol das cinco horas da tarde desta sexta-feira.
— Ela é a crente, filha do pastor do beco do lado, estou ligado que é Jéssica. — Patatá avisa na frente.
Suspendo minha mão esquerda, fazendo um joia na sua direção e apago o baseado com a outra mão, guardo-o no bolso junto com o isqueiro.
Mulher comigo são as interesseiras, deixo explícito a única transa e quando me der vontade novamente, eu aciono, caso contrário não quero contato. Não me prendo nessas paradas, odeio dar satisfação pra mulher, mané. Na minha criação aprendi dessa forma, meu pai me influenciou desde quando eu era criança. Cresci revoltado por ter que aprender cada ato dele com a minha mãe, mas cresci com isso em mente. Ambiente de lar é um aprendiz.
Sou errado. Sou todo fechado para me expressar, quando falam que bandido não tem sentimentos acreditem, não tem! Sem massagem, sem maquiagens. Sou 157 e 33. Tudo que eu acompanhei nessa vida jamais desejo para alguém.
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Amor Bandido
Romansa+18|Sua única Salvação... O propósito de Deus foi unir os dois. Talvez a melhor saída do Rodrigo seria conhecê-la, ele entendeu que tudo em nossa vida tem um propósito. Rodrigo aprendeu a conviver com seus medos e passados, o seu medo de relacionar...
