9; Helena.

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Olho para o relógio em cima da geladeira velha da cozinha

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Olho para o relógio em cima da geladeira velha da cozinha. Os ponteiros enferrujados apontam as horas com certa dificuldade. 

— A qualquer momento essa geladeira irá de vala. — Afirmo suspirando ansiosa.

Volto meu olhar para a pequena TV da sala, estava passando um desenho esquisito. Era um desenho de anti-heróis, só que pesado demais para a idade recomendada. 

— Crianças realmente assistem isso? — Me pergunto.

Faço uma expressão de nojo com o sangue que explode da cabeça de um dos vilões que foi morto por outro vilão.

Escuto passos arrastados atrás de mim e olho no automático encontrando Vó Mirla, andando de olhos fechados, com um rosto calmo, mas cansado e amassado, assim como seus lindos e curtos fios grisalhos naturais.

— Buenos días, mamá. — Sorrio para ela.

Vovó abre os olhos surpresa. — ¿Qué estás haciendo aquí todavía, hija mía? — Perguntou arrodeando o sofá, vindo até mim e me dando um beijo na testa.

Desvio os olhos para a TV mordendo os lábios. — Esperando a ese chico... — Respondo em um sussurro.

Ela se senta ao meu lado com um sorriso divertido. — Todavía no me has dicho quién es. — Ela diz sorrindo. — ¿Es tu novio?

— Não, vó! — Minhas bochechas esquentam. — É só um amigo! — Afirmo com pressa.

— Qué amigo más cuidadoso has conseguido, ¿no?— Respondeu sorrindo travessa.

— Para de falar doideira, Vó. — Faço bico. — Ele é só um amigo. — Repito com o rosto sério.

Ela ri espalhafatoso. — Tudo bem. Tudo bem. — Ela diz passando a mão por meus cabelos e parando em minha bochecha, alisando-a com o dedão. — Que você tenha um belo dia, sim? — Desejou sorrindo sonolenta.

— Obrigada, vó. — Sorrio agradecida.

Uma buzina alta faz vovó ficar um pouco confusa.

— É ele? — Vovó perguntou curiosa.

Me levanto rapidamente indo em direção à janela, retiro a pequena cortina velhinha marrom e olho para fora encontrando Nevan. 

Depois daquele incidente na escola, ele tem me levado para escola, me levado para casa e grudado em mim como um guardas-costas por vinte e quatro horas. 

Ele me vê na janela e me olha sem demonstrar nada como sempre. Meu estômago começa a borbulhar de repente. Engulo em seco.  

— Ele é um garoto lindo. — Solavanco.

— Vó! — Fecho a cortina rapidamente.

— O quê? — Questionou rindo.

— Pare de ser doida! — Brigo com ela.

Mentes Obscuras (EM REVISÃO)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora