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28/01/2017 – Terça, 05:30 A

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28/01/2017 – Terça, 05:30 A.M.
Casa da Agnes, Morgan City.

Me pergunto quando que as coisas voltaram a ficar tão atormentadas assim. 

Tenho tido pesadelos todas as noites, não tenho conseguido dormir. Minhas energias estão baixas, quase esgotadas.

Me olho no pequeno espelho do banheiro apertado e passo uma mão sobre minha bochecha com uma lagrima solitária caindo do meu olho direito.

Estou me sentindo feia e sem o sentimento de Helena sobre mim. 

Vovó ajeitou o meu cabelo, até mesmo a franja, antes eu tinha uma longa franja, agora ela é uma pequena franja que cobre toda a minha testa.

Vó Mirla ficou a semana toda tentando me tirar o motivo dos meus cabelos estarem tão curtos do nada. Ela vivia pedindo para cortar as pontas e eu sempre recusei, de um dia para o outro, estava com eles batendo nos ombros e todo repicado. Ele era longo, escuro, chegava perto da minha bunda. De repente, as pontas estão cobrindo apenas a minha nuca e quase nada dos ombros. 

Pego a faixa preta com um laço grande em cima da pia e a coloco na minha cabeça com cuidado para não desajeitar a parte horrível da frente que tentei ajeitar.

"É uma tiara, use se quiser. Você combina com coisas assim." Sorrio pequeno.

— É uma faixa, bobão. — Penso em voz alta.

Eu me senti melhor. O laço é lindo e delicado, ficou bom com o tamanho do meu novo cabelo e corte indesejado.

A buzina de sua moto toca e eu me olho uma última vez no espelho para ver se tem algum resquício de que estava chorando. Concluo que não. Saio do banheiro e vou direto para a sala, recolho minha mochila no sofá e o seu casaco, vou em direção à porta e rodo as chaves a abrindo, saio e a tranco novamente.

Coloco a mochila no chão e abro o zíper do casaco preto de Nevan, vestindo-o e deixando ele aberto. Pego minha mochila colocando as chaves no bolso da lateral. Vovó não iria ficar em casa hoje, ela foi para um passeio de idosos em uma trilha. Eu senti a falta de suas panelas pela manhã. Espero que amanhã chegue logo para eu vê-la.

Coloco minha mochila nas costas, e me viro para o quintal, vendo Nevan me observar sentado em sua moto. Suspiro começando a andar até ele.

Tenho tentado ignorar sua presença depois do que ele me disse, mesmo que seja quase impossível ignorá-lo.

Nevan está sempre atrás de mim e piorou depois da última situação na sala.

— Está com o rosto inchado. — São as primeiras palavras e a primeira voz que escuto hoje.

Inspiro profundamente pegando o capacete de suas mãos. — Cai da cama enquanto dormia. Doeu muito, então chorei. — Minto.

— Pesadelos de novo? — Perguntou.

Mentes Obscuras (EM REVISÃO)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora