Agnes aprendeu cedo que pessoas perigosas não parecem monstros.
Às vezes, elas têm olhos tediosos e um sorriso quase inexistente.
Em um mundo de corridas clandestinas, segredos e mentes quebradas, confiar pode ser fatal.
Algumas pessoas sobrevivem.
...
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
08/06/2023 - Sábado. 23:56 p.m, Mansão Muñoz.
— ¿Es eso? — Questionou rouco enquanto olha e brinca com os anéis de prata nos dedos.
— Sí. — Respondo, cruzando os braços.
— ¿Entendieron, hombres? — Perguntou, erguendo o olhar para os homens ocupando os dezesseis lugares em volta da grande mesa. Todos assentem com a cabeça de imediato. — Genial. — Sibila, ajeitando a postura.
— Estén preparados. ¿Entendieron? — Perguntou e todos assentem impassíveis novamente. — Perfecto. — Afirma, abrindo um sorriso satisfeito enquanto aconchega suas costas na cadeira. — Déjame a solas con mi perrita. — Ordena.
Meus pelos do braço se eriçam com a ordem e o meu corpo endurece com a obediência ligeira dos homens dentro da sala de reuniões.
— Você se supera em cada roubo. — Afirma com um sorriso largo.
— Foi um elogio? — Questiono com uma sobrancelha erguida.
— Sim. — Afirma.
— Obrigada, então. — Debocho, impaciente.
O silêncio perdura de maneira desagradável, mas não serei eu a quebrá-lo. Embora meus olhos tenham me traído e se erguido para observar a feição do homem sentado distante e de frente para mim. Um nó se forma no meu estômago quando o âmbar rijo de suas íris me encontra. A garganta seca e molho os lábios no automático, inspiro e expiro profundo. O lugar da raiva sendo tomado pelo desconforto da presença onipotente quase que transcendente de Santiago.
— Tem algo diferente em você, mi amor. — Diz de repente. Seus dedos tocam a barba crescida.
Reviro os olhos e encosto as costas na cadeira. — É a falta dos hematomas que você criou. — Retruco baixo. Seus olhos mostram repreensão. — Deve ser o meu cabelo. Nunca mais pintei ele e a raiz está grande. — Desconverso.
— Entendi. — Responde.
— Posso ir agora? — Questiono com a voz irritadiça, sua feição enrijece. — Tenho assuntos para tratar. — Apresso as palavras, descruzo os braços e sento direito.
— Depois de responder uma pergunta. — Ele suspira pondo os antebraços na mesa com as mãos unidas. Seus olhos cor de âmbar parecem flechas prestes a atravessar os meus. — Você tem passado mais tempo com Carmen... Devo me preocupar com essa aproximação, mi amor?
— Não. — Minto. — Estou apenas fazendo o meu trabalho. Que, inclusive, você está me atrasando neste exato momento. — Alfineto impaciente.