Agnes aprendeu cedo que pessoas perigosas não parecem monstros.
Às vezes, elas têm olhos tediosos e um sorriso quase inexistente.
Em um mundo de corridas clandestinas, segredos e mentes quebradas, confiar pode ser fatal.
Algumas pessoas sobrevivem.
...
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
13/01/2018, Sexta. – 15:46P.M Casa Winyler, quarto da Agnes.
Estou há dois dias seguidos sem ir para escola por conta do atestado médico que recebi da enfermeira. Foram dois dias sem dormir por conta dos pesadelos e pela preocupação com os estudos. Ela disse que eu tinha que descansar, porque o meu problema era exaustão e falta de sono. A enfermeira também passou uns remédios para o meu pescoço e disse que quando estivesse pinicando, procurasse algo que tiraria meu foco daquilo.
O melhor de tudo isso, é pensar que esse atestado médico não serviu para nada. Não dormi e quando tentei, eu tive pesadelos.
Me sinto uma criança de dez anos que tem pesadelos durante a madrugada e corre para debaixo da coberta de seus pais.
Depois de tudo o que a enfermeira tinha me mandado fazer, ela saiu da salinha e as duas cocotas, que eu ainda ouso chamar de "amigas", entraram no quarto com sorrisos gigantes em seus rostos.
Elas disseram que um garoto do terceiro ano tinha me trazido em seus braços para a enfermaria. Falei que ia desmaiar de novo e as duas manés quase acreditaram no meu drama. Sempre que eu tentava mudar de assunto, elas voltavam para o assunto "Futuro namorado da Agnes.", eu preferia estar desmaiada de novo.
Agora estou eu, deitada de bruços na minha cama, enquanto ambas as idiotas conversam, de novo, sobre o mesmo assunto daquele dia. Suspiro irritada.
— Vocês por acaso não tem outro assunto para conversar, não? — Pergunto.
— Não. — A loira respondeu rápido.
— Clarinho que não. — Daniela responde rindo.
— Fala sério! — Me sento na cama. — Vocês vieram para minha casa me dar apoio ou ficar de palhaçada com a minha cara?
— Nenhum dos dois, viemos para conversar sobre um fato. — Daniela diz e Chiara concorda com a cabeça.
— Aquilo não foi um fato, foi um acontecimento acidental. — Tento esclarecer.
— Ou seja, um fato. — Daniela repete com firmeza. — Sem contar que você precisa viver mais, por isso estamos aqui falando sobre este fato. — Pontuou.
Grunho em raiva. — Vocês são insuportáveis. — Pego um travesseiro e jogo nelas que riem. — E eu não preciso viver mais. — Dani revira os olhos.
— Sério, você precisa sair mais, a gente sempre te chama para ir para algum lugar, mas você sempre recusa. — Chiara diz meio triste. — Parece até que tem vergonha de nós.
Rio sem humor. — É mais fácil vocês sentirem vergonha, eu que sou a pobre lascada com as amigas ricas. — Afirmo.
— Ela tem um ponto. — Dani concorda. — Mas ainda assim, você deveria sair mais com a gente, somos amigas e nunca saímos juntas.