Agnes aprendeu cedo que pessoas perigosas não parecem monstros.
Às vezes, elas têm olhos tediosos e um sorriso quase inexistente.
Em um mundo de corridas clandestinas, segredos e mentes quebradas, confiar pode ser fatal.
Algumas pessoas sobrevivem.
...
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09/01/2017, Segunda. 07:18 AM, CTEA High School.
— Não acredito que no primeiro dia de aula nós nos perdemos! — Dani fala cética.
— Eu que o diga! — Respondo enquanto continuo procurando por alguém. — Sou bolsista, não posso me atrasar assim!
— Vocês precisam parar de ser nervosas. — Chiara diz calma.
Como se fosse planejado, eu e Daniela paramos de andar para olhar para a loira atrás de nós. Diferente do meu nervosismo com a bolsa e Daniela com o horário, Chiara aparenta estar tranquila. Seus olhos estão calmos observando todos os cantos da escola com precisão.
— Sério? — Dani questionou.
Chiara olha para nós com os olhos um pouco arregalados, sobrancelhas arqueadas e levantando as mãos como se tivesse sido pega cometendo algum crime.
— Deus! — Dani ergue os braços franzindo o rosto em falso sofrimento. — Me leva! — Pediu dramática e frustrada, logo voltando a sua posição inicial.
Daniela se aproxima de Chiara fechando sua expressão. — Como você consegue ser tão calminha assim? — Ela perguntou gesticulando com as mãos em frente ao rosto de Chiara que se franziu.
Chiara segura a mão de Daniela com suavidade, parando os movimentos estranhos dela em frente ao seu rosto. — Porque se eu ficar nervosa, não irá mudar nada. — A loira responde simples abaixando a mão de Daniela.
— Você toma calmante? — A morena perguntou impaciente.
— Deixa de ser doida, Daniela. — Chiara agarra a mão da morena parada em sua frente puxando-a pelo braço até mim, fazendo o mesmo comigo e nos fazendo andar de mãos dadas. — Está igual um bule que esquentou e não para de soltar fumaça. — Alfinetou enquanto caminhamos sem destino certo.
Daniela dá língua para Chiara que devolve da mesma forma.
A loira continua nos puxando para algum lugar, me fazendo estranhar o fato dela parecer saber andar pela escola, como se fosse uma estudante de longa data. — Onde está nos levando? — Questiono olhando-a confusa.
— Meu irmão estuda aqui. — Simples e direta.
O rosto da morena endurece tenso, ela para de andar. — Aquele abutre estuda aqui e você não me disse? — Questionou Chiara.
— Ah, Dani... — Chiara a encarou. — Por acaso você viria estudar na CTEA se eu dissesse que ele estuda aqui?
Daniela ficou calada e desviou os olhos enfurecida, o silêncio respondeu por ela.
— Pois é! E Agnes precisa da gente aqui. — Tentou se justificar, mas seu tom saiu com ignorância. — Se eu tivesse falado alguma coisa, você teria resistido e continuado naquela escola enquanto nós duas estaríamos aqui. — Chiara diz com a expressão rígida.