Agnes aprendeu cedo que pessoas perigosas não parecem monstros.
Às vezes, elas têm olhos tediosos e um sorriso quase inexistente.
Em um mundo de corridas clandestinas, segredos e mentes quebradas, confiar pode ser fatal.
Algumas pessoas sobrevivem.
...
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
02/06/2023 - Domingo. 22:30 p.m.
O despertador toca me fazendo acordar em um solavanco. Minha cabeça lateja e o hálito amargo de álcool me dando ânsia. Levo a mão direita para a barriga acariciando ela por sentir o estômago doer, enquanto a esquerda vai para a testa tirando o suor acumulado de lá e a massageando. Abro os olhos e a tontura me faz fecha-los novamente.
Passo a língua pela minha boca e lábios para diminuir o amargo, volto a abrir os olhos quando a tontura diminui.
— Porra... — Resmungo tentando entender a posição em que meu corpo se encontra.
Meus músculos doem muito, mesmo que com uma leveza enorme caudada pela ressaca.
Dormi com as costas no chão e as pernas estiradas e apoiadas no colchão. Toco minha testa quando mais a dor se torna mais aguda, gemo de dor e ergo minhas costas com ajuda dos braços, mudando minha posição para as costas apoiadas na cama e as pernas no chão. Suspiro deixando meus ombros caírem e os braços também.
O despertador continua tocando contribuindo com o meu mal estar. — Que merda. — Levanto e me desequilibro sentindo tontura, quase esbarrando nas várias garrafas de vidro. Recuei por pouco.
— Pra alguma coisa realmente boa serviu aquela droga de treinamento. — Praguejo. — Não pisar em garrafas de vidro. — Concluo.
Volto a andar em direção ao despertador que não para de tocar, presto atenção no chão e nas garrafas, mas ainda com uma leve tontura. Meus olhos estão cansados e confusos. Conforme vou andando, percebo as milhares de garrafas, de marcas e sabores diferentes, espalhadas pela quitinete, além dos diferentes tipos de cigarros e drogas que larguei.
Paro de andar colocando as mãos na cintura. Observo o desastre que se encontra a minha casa.
— Que merda aconteceu aqui? — Tento forçar minha mente a lembrar o que fiz nos dois dias seguidos bebendo trancafiada na quitinete, mas nada, depois do primeiro dia, vêm em mente. — Caramba... — Laumurio esfregando as mãos no rosto.
A pequena mesa redonda ao lado da cama está cheia de drogas e imunda como se fosse de bar, duas carreias de pó, um baseado na metade, um maço de cigarros aberto e dois cigarros eletrônicos, que me lembro de um ter acabado. O cinzeiro, que está cheio de cigarros e um narguilé posicionado no chão, bem próximo do lugar em que estava dormindo à alguns segundos atrás.
Sinto uma pontada forte e levo minha mão á testa. — Que dor! — Ofego apertando os olhos.
Puxo o ar com força e junto vem o cheiro que o ambiente carrega, álcool e maconha. Quase que um bordel. Preciso fazer uma faxina.