"Acho isso meio engraçado, acho meio triste Os sonhos em que estou morrendo são os melhores que já tive"
- Mad world- Gary Jules
Capítulo II
Krystal estava imersa em um mar de fotos de vítimas, seu coração acelerando a cada imagem que passava diante de seus olhos. As fotos eram sombrias, mostrando a expressão de desespero nos rostos de homens e mulheres que haviam sido trancados em caixões, suas vidas pendendo por um fio. O detalhe mais perturbador era que cada um deles tinha ao seu lado um telefone, a bateria fraquejando em 4%, uma cruel armadilha do serial killer que parecia gozar com a agonia de suas vítimas. Dean, seu colega de trabalho, entrou no escritório com uma xícara de café na mão, notando a expressão preocupada de Krystal.
— O que você encontrou? — perguntou ele, inclinando-se para olhar as fotos.
— Essas vítimas... — Krystal suspirou, indicando a tela do computador. — Elas foram deixadas com um telefone com apenas 4% de bateria. É como se o assassino quisesse que elas soubessem que tinham uma chance de escapar, mas nunca realmente a tivessem.
Dean franziu a testa, seu olhar se tornando sério. — Isso é doentio. Por que ele faria algo assim?
— Talvez para sentir o poder sobre elas, — respondeu Krystal, sua voz tensa. — Para brincar com a esperança delas antes de tirá-las de tudo. Temos que descobrir quem ele é antes que mais vidas sejam destruídas.
Seu pensamento voltou-se para Pietro. Ela sabia que ele poderia ser crucial na investigação. Afinal, em seu primeiro presságio, ela o havia visto, assim como a série de assassinatos que agora a assombravam. Sua decisão de se tornar detetive, na verdade, não foi impulsiva, mas cuidadosamente planejada.
10 de agosto de 1983
"Krystal se viu em um vasto galpão, movendo-se lentamente na tentativa de identificar o local. O ambiente era frio e opressor, e seu coração acelerou ao notar um homem encapuzado saindo às pressas, assoviando calmamente. A partir desse momento, as imagens de seu presságio tornaram-se confusas e caóticas. Ela sentiu o medo visceral das vítimas trancadas em caixões apertados, os gritos sufocados e o desespero crescente enquanto tentavam, em vão, ligar para a polícia com celulares cuja bateria estava prestes a esgotar. O pavor de não saber onde estavam era palpável. Então, sua visão focou-se em um homem – um homem amaldiçoado a prever a morte de outros, vislumbrando como elas pereceriam apenas ao olhar em seus olhos. Krystal sabia que, sozinha, não conseguiria desmantelar tudo aquilo, mas com a ajuda daquele homem... ela poderia ir além."
Ao relembrar essa antiga visão, ocorrida há dez anos, Krystal subitamente recordou uma informação vital.
— Dean! — chamou a atenção de seu colega, rapidamente acessando um arquivo no computador. — Veja isso! Você se lembra daquele caso em 1983? Aquele assassino... como era o nome dele? Thomas Bennet! Ele foi capturado, mas os casos que estamos investigando são incrivelmente similares. A maneira como as vítimas são deixadas para morrer com uma falsa esperança... é tudo idêntico!
Ela mostrou o arquivo para Dean, que imediatamente franziu o cenho ao examinar os documentos.
— Mas por que alguém recriaria esses assassinatos? Que tipo de mente doentia faria isso? — murmurou Dean, enquanto o peso da revelação começava a se abater sobre ambos.
Krystal, porém, sentia que estavam diante de algo muito mais complexo do que um simples imitador.
— Dean! — Krystal levantou-se de repente, pegando as chaves em cima da mesa e guardando-as na bolsa. Em seguida, tomou um generoso gole de café. — Preciso ir a um lugar.
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Sinais
Mystery / ThrillerEm meio a um cenário de crime e mistério, Pietro, um jovem jornalista com uma habilidade sobrenatural, descobre que pode prever a morte das pessoas apenas ao olhar em seus olhos. Após se envolver com a detetive Krystal Williams, uma mulher determina...
