Vingança silenciosa

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Capítulo V

O som frenético dos teclados e o murmúrio constante dos jornalistas preenchiam a redação, criando um pano de fundo familiar, mas Pietro estava alheio a tudo isso. Sentado em sua mesa, ele revisava arquivos, reportagens antigas e notas soltas, tentando organizar suas ideias. O caso de Krystal o consumia, e ele precisava encontrar algo que pudesse ajudá-la. Cada detalhe parecia importante, e, com o tempo correndo contra eles, ele sabia que qualquer pista poderia ser vital.

Ele folheou um dossiê recente que Krystal havia lhe enviado sobre as vítimas. As fotos delas estavam organizadas, cada uma com informações de data, local e causa da morte. Pietro analisava cada uma cuidadosamente, mas quando seus olhos pousaram na imagem de uma jovem de rosto pálido e olhar congelado de pavor, algo mudou.

Por um instante, o mundo ao seu redor desapareceu. Sua visão se estreitou, focando-se exclusivamente naquela foto, e de repente, Pietro viu a cena. Não a cena do crime como fora registrada pelos investigadores, mas o momento exato da morte. A vítima estava trancada em um caixão, o ar rarefeito, as mãos desesperadas batendo contra a tampa. Ela arfava, seus olhos revirando-se de pânico, até que, finalmente, o último suspiro escapou de seus lábios.

Pietro puxou o ar com força, ofegante, largando a foto de volta na mesa. Seu coração batia acelerado.  "O que foi isso?" Ele não tinha visto apenas o corpo, mas o último momento de vida daquela mulher. Ele sabia exatamente como ela havia morrido, como se tivesse estado lá, testemunhando tudo.

Ainda atordoado, Pietro se levantou da cadeira, esfregando os olhos, tentando afastar a visão, mas uma inquietação crescia dentro dele. Ele olhou em volta, tentando se acalmar, mas assim que seus olhos encontraram o rosto de um colega de trabalho, aconteceu de novo.

A morte.

Ele viu o homem, correndo pelas ruas escuras, sendo atropelado por um carro que avançava no cruzamento. O impacto, o som dos ossos quebrando, o corpo voando no ar. Pietro piscou, tentando apagar a cena horrível de sua mente, mas ela persistia, como uma sombra. Agora, era como se qualquer pessoa que ele olhasse revelasse um segredo terrível.

Ele virou-se rapidamente, tentando evitar os olhares, mas não adiantou. A cada rosto que via, a morte vinha junto. Uma mulher no café — afogando-se em um rio escuro. Um jovem estagiário — morrendo sufocado em um incêndio. O editor-chefe — vítima de um infarto fulminante.

Pietro começou a suar frio, o pânico crescendo a cada nova visão. "O que está acontecendo?"  Ele tropeçou em direção ao banheiro, o ar de repente pesado, sufocante. Suas mãos tremiam enquanto ele empurrava a porta e se trancava em uma das cabines.

Seus pulmões queimavam enquanto ele tentava controlar a respiração, mas tudo o que conseguia ver eram as mortes repetindo-se em sua mente, uma após a outra. Ele puxou o celular do bolso com mãos trêmulas e, sem pensar duas vezes, ligou para Krystal.

— Krystal... você precisa vir aqui... agora — a voz dele saiu entrecortada, quase em um sussurro, enquanto ele tentava manter o controle.

— Pietro? O que está acontecendo? — A voz de Krystal, preocupada, ecoou do outro lado da linha.

— Eu... Eu não sei explicar. Eu... Vejo mortes. Sempre que olho para alguém, vejo como vão morrer. É horrível, Krystal... — Ele engoliu em seco, fechando os olhos, tentando afastar as imagens. — Preciso de ajuda.

— Estou indo. Fique aí. — Krystal desligou rapidamente, e Pietro soltou o celular no chão, sentindo as batidas frenéticas de seu coração ecoarem em sua cabeça.

Ele não sabia quanto tempo havia passado, mas o som da porta do banheiro se abrindo o fez levantar a cabeça. Krystal entrou apressada, o rosto marcado pela preocupação.

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