Em meados do século XIX, em algum lugar entre o paraíso e o inferno, Oliver e Delilah se encontram - quando o mundo ainda parecia simples, e o amor, possível.
O que nasce entre eles é intenso, proibido... incontrolável.
Mas a vida tem seus próprios...
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Oliver
Ah, céus... Era só o que me faltava! Estava bom demais para ser verdade! Como não percebi que o anel que reluzia no dedo dela era de noivado?
Eu sabia do compromisso de Dante e estava ansioso para conhecer a felizarda, mas tinha que ser ela?
Limpo a garganta e tento fingir normalidade depois da revelação, desenhando um sorriso amarelo nos lábios. O visconde permanece rindo e tagarelando sem ter a menor ideia de que estava de olho em sua noiva segundos atrás. Santo Deus! É realmente muita ousadia continuar aqui, enquanto pensamentos tão impróprios vagam pela minha mente.
— Bem... se não se importam, vou me retirar por alguns instantes.
Despeço-me interrompendo o assunto, e saio para respirar em um lugar no qual o perfume floral de Delilah não embriague meus sentidos. Caminho até a mesa onde Charlotte já está sentada junto de Peter, Vincent, Andrew e a esposa dele. É impossível não notar como a silhueta delicada de minha irmã foi engolida pelo volume crescente de sua barriga. Com nove meses de gravidez, ela aparenta estar à beira de explodir a qualquer momento.
— Oi, minha querida, como você está?
— Oi, Ol... — ofega. — Estou bem, dentro do possível. — Ela se movimenta com dificuldade e tenta se levantar, mas a interrompo, inclinando-me em sua direção.
— Não precisa, princesa. Deixe que vou até você. — Abraço delicadamente.
— Obrigada, irmão. É muito cortês de sua parte... Você sabe, nesta reta final, minhas costas estão me matando!
Pobrezinha...
— E, então... como estão as expectativas para a paternidade? Estão animados? Charlie, como a apelidamos, meneia a cabeça, expressando incerteza. Seus olhos azul-acinzentados brilham numa mistura de ternura e melancolia.
— Confesso que estou um pouco apreensiva, mas, desde que perdemos o nosso primeiro filho, carrego em mim o sentimento de que sou uma mãe. Uma mãe sem seu bebê... entende?
Meu lábio inferior pende, e me solidarizo por ela. Não foi nada fácil estar ao seu lado naquele momento, e ver minha irmã caçula sofrer daquela forma foi uma verdadeira tortura. Tomo sua mão, dou-lhe um beijo no dorso e assinto, desenhando um sorriso sutil nos lábios.
— Entendo... mas agora, tiveram uma nova chance, e estou certo de que serão pais incríveis.
Ela concorda com o queixo trêmulo, e Peter lhe dá um abraço, esfregando os dedos no ombro direito da esposa, afagando-a.
— Você tem razão, Ol. — O jovem de olhos verde-escuros diz, ao sorrir também.
— Olha só quem apareceu! — Andrew anuncia a chegada de Elodie, quebrando o momento, sem se dar conta do que conversávamos.