O sonho de uma vida

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Oliver

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Oliver

A moça e eu nos entreolhamos surpresos com a revelação de Vincent e percebo uma preocupação genuína da parte dela. Provavelmente, durante o tempo em que moraram próximas uma da outra, a Senhorita Montgomery e Charlie criaram fortes laços de amizade.

— Eu procurei você em todo o lugar, mas não o encontrava! Agora entendo o porquê.

— Ele nos olha com um ar de julgamento, e eu o encaro com uma expressão severa.

Vincent limpa a garganta e volta ao ponto principal da notícia: — Charlotte já está em trabalho de parto, Oliver.

A ideia do parto sempre me assustou, até porque minha mãe se foi enquanto dava à luz a Andrew. Com o tempo, fui me acostumando, conforme minhas sobrinhas começaram a nascer e aprendi a ver até uma certa beleza nesse momento.

Entretanto, o frio na barriga continua aqui.

— Onde ela está?

— Continuam todos na mansão Clifford, no segundo andar. — Ele toca meu ombro enquanto caminho para fora do gazebo. — Irmão...  você não tem ideia do caos que virou aquela festa...  A coisa ficou feia. —

Seus olhos azuis arregalados e as sobrancelhas loiras erguidas deixam claro que realmente estamos com problemas.
Coisa que minhas irmãs adoram me trazer.
Olho para Delilah, que parece totalmente perdida, mas, ao mesmo tempo, curiosa.

— Senhorita Montgomery, eu preciso ir ver o que está acontecendo. — Pauso ao encontrar seu olhar brilhante à luz do luar e da chama que queima nas lanternas. — Mas pretendo que retomemos de onde paramos em outra oportunidade.

Ela pisca algumas vezes ao ouvir minhas palavras atrevidas e entreabre os lábios na intenção de responder, porém, é interrompida:

— A coisa é séria! — Vincent gesticula com os braços. — Vocês vão ter tempo para se atracar outra hora...  Agora, vamos!
Comprimo o maxilar, irritado.

Juro que, se Vis nos atrapalhar mais uma vez, sou capaz de esganá-lo!

— Ele tem razão. Neste instante, precisamos dar prioridade à Charlie — Delilah afirma e, por fim, assinto com a cabeça.

— Eu vou entender perfeitamente se não quiser nos acompanhar. Sei que não vai ser nada fácil voltar até lá e encará-los de novo.

— Nada disso importa. Eu vou ficar com a minha amiga. Ela precisa de todo o apoio nesta hora.

Uma leve curva se forma em meus lábios, pois a lealdade dela à minha irmã é admirável, mesmo diante de uma situação tão desfavorável quanto a que se encontra.

— Pessoal? — Vincent nos chama mais uma vez, já que novamente estou me perdendo em sua beleza.

Sacudo a cabeça de um lado para o outro, como se isso fosse capaz de me trazer à realidade.

Meu anjo da guardaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora