Em meados do século XIX, em algum lugar entre o paraíso e o inferno, Oliver e Delilah se encontram - quando o mundo ainda parecia simples, e o amor, possível.
O que nasce entre eles é intenso, proibido... incontrolável.
Mas a vida tem seus próprios...
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Oliver
A moça e eu nos entreolhamos surpresos com a revelação de Vincent e percebo uma preocupação genuína da parte dela. Provavelmente, durante o tempo em que moraram próximas uma da outra, a Senhorita Montgomery e Charlie criaram fortes laços de amizade.
— Eu procurei você em todo o lugar, mas não o encontrava! Agora entendo o porquê.
— Ele nos olha com um ar de julgamento, e eu o encaro com uma expressão severa.
Vincent limpa a garganta e volta ao ponto principal da notícia: — Charlotte já está em trabalho de parto, Oliver.
A ideia do parto sempre me assustou, até porque minha mãe se foi enquanto dava à luz a Andrew. Com o tempo, fui me acostumando, conforme minhas sobrinhas começaram a nascer e aprendi a ver até uma certa beleza nesse momento.
Entretanto, o frio na barriga continua aqui.
— Onde ela está?
— Continuam todos na mansão Clifford, no segundo andar. — Ele toca meu ombro enquanto caminho para fora do gazebo. — Irmão... você não tem ideia do caos que virou aquela festa... A coisa ficou feia. —
Seus olhos azuis arregalados e as sobrancelhas loiras erguidas deixam claro que realmente estamos com problemas. Coisa que minhas irmãs adoram me trazer. Olho para Delilah, que parece totalmente perdida, mas, ao mesmo tempo, curiosa.
— Senhorita Montgomery, eu preciso ir ver o que está acontecendo. — Pauso ao encontrar seu olhar brilhante à luz do luar e da chama que queima nas lanternas. — Mas pretendo que retomemos de onde paramos em outra oportunidade.
Ela pisca algumas vezes ao ouvir minhas palavras atrevidas e entreabre os lábios na intenção de responder, porém, é interrompida:
— A coisa é séria! — Vincent gesticula com os braços. — Vocês vão ter tempo para se atracar outra hora... Agora, vamos! Comprimo o maxilar, irritado.
Juro que, se Vis nos atrapalhar mais uma vez, sou capaz de esganá-lo!
— Ele tem razão. Neste instante, precisamos dar prioridade à Charlie — Delilah afirma e, por fim, assinto com a cabeça.
— Eu vou entender perfeitamente se não quiser nos acompanhar. Sei que não vai ser nada fácil voltar até lá e encará-los de novo.
— Nada disso importa. Eu vou ficar com a minha amiga. Ela precisa de todo o apoio nesta hora.
Uma leve curva se forma em meus lábios, pois a lealdade dela à minha irmã é admirável, mesmo diante de uma situação tão desfavorável quanto a que se encontra.
— Pessoal? — Vincent nos chama mais uma vez, já que novamente estou me perdendo em sua beleza.
Sacudo a cabeça de um lado para o outro, como se isso fosse capaz de me trazer à realidade.