Um belo dia de sol

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Delilah

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Delilah

Meu futuro está incerto.

Amedronta-me saber o que me aguarda agora, já que fui abandonada às vésperas do meu casamento. Tudo o que aconteceu na noite passada virá à tona em algum momento, e tenho receio das consequências que isso possa trazer a mim e ao meu pai.
Ontem, após o baile, quando arrumava as minhas malas na companhia de uma criada dos Clifford, fui interceptada por Dante para uma conversa.

Não bastasse toda a humilhação que enfrentei, ele ainda ousaria manchar minha reputação, aparecendo sem mais nem menos no meu quarto?
Relutei por um instante, mas quando vi a sinceridade em seus olhos, enquanto insistia em se explicar... não pude negar ouvir sua versão dos fatos.

Após me contar toda a verdade, ele me pediu perdão e disse que eu merecia alguém melhor. Bem que poderia ter me contado antes que sua paixão secreta era Elodie, mas entendo o que o levou a isso... Seria, no mínimo, desconfortável saber do caso entre os dois, e tê-la perambulando pelo complexo. De repente, nem amigas seríamos.

Ainda que eu tente, não consigo sentir raiva dele por isso.

Nesses sete meses em que estive em Richmond, Dante sempre foi um cavalheiro, muito respeitoso e um bom amigo. Cheguei a vislumbrar, sim, um futuro ao seu lado. Afinal, sem sombra de dúvidas, o visconde era um excelente partido. E, tirando toda a questão do desinteresse dele pela minha pessoa, tivemos bons momentos que vou guardar no coração com muito carinho.

Mas agora Dante deverá se casar com Elodie, queira ela ou não. Pelo que ouvi Ava e Mia, irmãs dele, comentarem, as coisas se complicaram no salão, e o rapaz acabou dando com a língua nos dentes sobre as intimidades que tiveram.

Agradeço a Deus por não presenciar esse momento. Pois, céus! Seria uma humilhação ainda maior que a outra!
Meu pai ficou furioso com tudo o que aconteceu, o que não é de se surpreender, mas me pediu para que eu aguardasse até o dia seguinte para decidirmos o que fazer e irmos embora.

Bem, ao menos eu esperava que fosse assim. Pois, no meio do desjejum, onde estavam todos os Wilde, os Clifford e os Hellish, meu pai anunciou que se casaria com Sarah Clifford, que, até ontem, seria a minha sogra.

Mal acreditei no que estava ouvindo. As palavras saíram da boca do homem, no entanto, tudo ao redor pareceu congelar. Senti-me atordoada com tal afirmação e pisquei repetidas vezes para concluir que não estava sonhando.

Ele revelou que pretendem morar aqui mesmo, na mansão Clifford. Mas qual seria o sentido disso? Já não possuímos a nossa casa em Lancaster? Por mais que os Clifford sejam extremamente poderosos, também temos boas condições, um título importante e não há a menor necessidade de nos mudarmos para cá.

A revolta me tomou, e saí em direção ao meu quarto, com os olhos cheios de lágrimas que, por mais que eu tentasse conter, insistiam em cair.

Meu pai, logo em seguida, bateu à porta com o jeito adocicado que usa sempre que quer me persuadir ou desculpar-se por algum deslize.

Meu anjo da guardaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora