Em meados do século XIX, em algum lugar entre o paraíso e o inferno, Oliver e Delilah se encontram - quando o mundo ainda parecia simples, e o amor, possível.
O que nasce entre eles é intenso, proibido... incontrolável.
Mas a vida tem seus próprios...
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Oliver
— Senhorita Montgomery!
Tento alcançar a moça que sai correndo, rápida como uma rajada de vento, e parece não me ouvir. Seus cabelos cor de mel se soltam gradualmente do penteado, enquanto suas ondas fazem um movimento de vaivém, de um lado para o outro. Apresso-me para alcançá-la, mas ela não para até chegar a um gazebo no fim do jardim.
É uma estrutura elegante e refinada, feita de madeira pintada de branco com detalhes ornamentais que lembram arabescos delicados. Em todo o entorno da entrada, há plantas trepadeiras com flores cor-de-rosa e lilás, que adornam e embelezam o lugar.
Somente a claridade da lua e das estrelas o iluminam, junto às lanternas de ferro forjado que estão em cada canto da construção, refletindo um brilho dourado que entra em conflito com a luz branca do luar.
Delilah puxa sua luva com violência, até conseguir arrancar a aliança de noivado, lançando-a longe no gramado e soltando um gemido de frustração.
Mantenho-me atrás dela sem dizer nada, apenas observando sua respiração ofegante, que vai abrandando lentamente.
Quando parece mais calma, ela se vira e dá um pulo, surpresa ao me ver.
— Céus! — Leva a mão até o peito. — O que o senhor está fazendo aqui? Quase me matou de susto!
Aproximo-me devagarinho para não afugentá-la.
— Desculpe-me. Não quis assustá-la, mas fiquei preocupado com a senhorita.
Delilah limpa suas lágrimas com rapidez, como se tentasse me convencer de que não estava chorando, e cruza os braços.
— Está tudo bem. Não precisa se preocupar comigo, milorde.
— Senhorita Montgomery, pode se abrir comigo. Sou um bom ouvinte.
— Não sei se deveria. — Ela se vira de costas enquanto segura a luva da mão direita. — Não é de bom tom uma moça e um homem como o senhor conversarem assim, tarde da noite. E sozinhos! — Gira o pescoço sutilmente para trás, dando ênfase à sua última frase.
Dou dois passos cautelosos, ainda mantendo uma certa distância para que a dama não se espante e fuja como um gato arisco.
— Não se preocupe. Garanto que estão todos ocupados com a confusão no salão. Não saberão que estivemos aqui. Ela se volta para mim e olha na direção do local onde o noivado acontecia, fazendo uma careta de desgosto.
— Não deveria estar lá? Defendendo a honra de sua irmã?
Dou de ombros.
— Elodie sabe se cuidar. Além disso, esse não é o primeiro escândalo que minha família enfrenta. Somos praticamente especialistas em arranjar problemas. — Ergo as sobrancelhas e abro bem os olhos. — Estou mais preocupado com a senhorita agora.