O sol e a lua

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Em meados do século XIX, em algum lugar entre a Inglaterra, o paraíso e o inferno

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Em meados do século XIX, em algum lugar entre a Inglaterra, o paraíso e o inferno.

Oliver
Os passeios até a casa de campo de minha avó, como sempre, são bastante cansativos; mas não se comparam ao árduo percurso até Richmond. Sentindo a tensão em cada um dos meus músculos após passar quatro horas intermináveis enclausurado em uma carruagem apertada, finalmente posso respirar aliviado e alongar-me, pois chegamos ao nosso destino.

Confesso que me arrependo um pouco de ter escolhido vir no mesmo veículo que meu irmão Andrew e sua família. Não é nada fácil estar com três crianças pequenas no auge da agitação, perguntando a cada minuto se já chegamos gritando e puxando os cabelos umas das outras.

Já tive inúmeras aventuras em viagens por todo o mundo. Conheço praticamente a Europa inteira, parte do continente africano e até mesmo as Américas, tanto do Norte quanto do Sul. E, com isso, posso garantir que dar a volta no globo terrestre seria menos exaustivo.

Da próxima vez, seguirei minha intuição e virei com meus pais e nosso outro irmão visitar as meninas...

Elodie, minha irmã do meio, mudou-se para cá a fim de explorar novos horizontes, acompanhar Charlotte — a caçula da família — durante a gravidez e dar continuidade aos estudos, buscando avançar em sua carreira como escultora.

Ela sempre foi obstinada e admiro-a muito, mas nem em mil anos imaginaria que se envolveria justo com o tipo com o qual se envolveu. Henry Clifford, um dos irmãos do marido de Charlotte. E agora, viemos para cá com o intuito de "comemorar" o seu noivado.

Se é que posso usar esse termo...
Minha irmã sabe que sou contra essa união, mas não tenho muito conhecimento sobre o amor, então minha opinião não vale nada para aquela criatura. Pelo que sei do seu gênio, poderia lhe aconselhar, e ela mandaria que eu fosse plantar batatas.
Logo, não abro meu bico. Ela é uma moça crescida com seus 23 anos e sabe muito bem o que faz.

A grande propriedade Clifford tem paredes em tom de marfim e detalhes esculpidos em toda a sua extensão. Provavelmente, Elodie enlouqueceu ao admirar a arquitetura refinada quando chegou aqui, já que não havia coisas do tipo em Ravenshire, a pitoresca cidade em que crescemos. Eu mesmo estou impressionado.

Andrew, sua esposa e minhas sobrinhas seguem à nossa frente, adentrando o baile, enquanto minha sobrinha mais velha ameaça vomitar pela quinta vez devido à estrada tortuosa e pedregosa que enfrentamos.

Meu irmão e minha cunhada estão ocupados com as outras filhas que saíram correndo empolgadas com a chance de participar, pela primeira vez, de um baile da alta sociedade — mesmo que seja somente no início da festança, antes que o álcool e as danças tomem conta.

Assim, como tio favorito e padrinho dedicado, levo-a às pressas para trás de um dos elegantes arbustos que adornam a mansão, para que ela possa devolver o almoço inteiro sem ser vista por algum dos ilustres convidados dos Clifford.

Meu anjo da guardaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora