TW’s: ataques de pânico,
abuso familiar,
menções a torturas.REGULUS POV:
Regulus e sua mãe estavam parados na frente do Largo Grimmauld, em completo silêncio. Não cara a cara, porque pelo visto Walburga se recusava a olhar seu próprio filho no rosto, então estava na frente dele, virada de costas.
A mente de Regulus rondava em torno de ser deserdado. E o mais estranho, era que isso não soava tão mal quanto deveria em sua cabeça. Ele tem a convicta certeza de que os Potters seriam para onde ele ia, por causa do seu irmão. Não parece o pior destino de vida a se seguir, se ele se aprofundar nisso.
Mas a outra parte do seu cérebro é: ser deserdado não é o mesmo que fugir. É ser expulso, e ser expulso é ser tão insuficiente ao ponto de não fazer diferença entre ter e não ter mais um herdeiro. No fundo ── mesmo tendo a realização mais cedo de que ele poderia fazer isso acontecer usando Potter, da mesma forma que foi com seu tio, embora ele tenha feito isso genuinamente, e a conversa com Barty fortalecendo essa ideia ainda mais ── ele estava assustado com isso. Estava se desenrolando aos seus olhos, e acredite, falar é muito mais fácil do que fazer.
Se sentia constrangido em pensar que estava prestes a forçar a sua própria expulsão da Casa dos Black, tudo isso para ficar com seu irmão novamente. Como se, só de ser deserdado e passar a morar junto com ele, tudo fosse ser consertado entre eles dois. As coisas não são fáceis assim. Esse seria o primeiro passo, e Regulus não estava disposto a dar o segundo, então, se tudo desse errado para seus pais e certo para eles dois, Sirius deveria dar o segundo passo. E todo o resto. Regulus não quer ficar responsável pelo desenrolar.
Como pode se ver, sua mente está divagando demais sobre o futuro como alguém que nem sabe se isso vai dar certo. Como alguém que nem tem mais certeza absoluta de onde está sua moral, onde está sua lealdade, porque a ponte, novamente, separa ele e seu irmão, mas ela é firme no solo que é construída, então é difícil a retirar dali.
Eventualmente, Walburga fala.
"Me surpreende, Regulus, você ter fugido para ir se encontrar com o seu... irmão." Ela adiciona uma nota de desgosto no final. "Sabendo que o mesmo lhe considera o traidor no meio de toda essa história. Não acha isso humilhante?"
Regulus inspira profundamente. Ele precisa criar coragem para jogar as cartas na mesa. Cartas, essas, falsas. Mas a trapaça já o ajudou a ganhar partidas de quadribol, então pode o ajudar a... oh, não o faça dizer novamente que ele está se auto expulsando de casa. Por favor.
"Sirius não foi o único a quem busquei nessa tarde, mãe" Ele limpa a garganta, Walburga ainda não está o olhando.
"E à quem mais você teria ido atrás, Regulus?" Walburga pergunta em tom zombateiro, algo raro, mas não do tipo bom e sim do tipo estranho.
"Por... alguém."
"Regulus, você sabe de como destesto quando fica com joguinhos." Ela finalmente se vira, o olhando. É preciso de menos de um minuto para o brilho da realização passar por seus olhos. "Ah."
É esse o momento que não tem mais volta, Regulus pensa. Ele está sentindo um peso sair das costas do seu eu mais novo, que era apaixonado por Potter. Um favor ao não tão antigo Regulus. Um garoto que sempre quis poder falar com seus pais sobre paixão, futuro e sonhos. Um garoto que teve que esconder isso, e nunca teria a experiência de sua mãe ser sua melhor amiga, ou de seu pai ser o melhor exemplo do homem que ele queria se tornar, como assim devia ser.
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𝗗𝗔𝗬𝗟𝗜𝗚𝗧𝗛, starchaser
FanfictionㅤEm uma caixa de segredos, a paixão por James Potter está trancada a sete chaves desde que Regulus Black tem doze anos. Até o verão de 1975, quando viu seu irmão sair de casa e ficou claro que Sirius realmente havia o deixado por conta dele. ㅤRegulu...