|19|A Difícil Estrada do Amor

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O silêncio me assusta.

Não o silêncio de uma sala vazia. O silêncio que me incomoda é aquele que se abomina de tudo e todos, não existem conversas, risos, apenas o silêncio. é como se todas as coisas boas que já fizemos sumissem porque o silêncio as apaga, afasta ele de mim.

Malfoy não fala comigo já tem alguns dias, sinto que se passaram meses, porque não ouvir sua risada ou a implicância é dolorosa, como se uma parte importante de mim tivesse sumido. A dor dele era minha dor também e por mais que não quisesse compartilhar ela comigo eu ainda podia sentir. Porque esse é o problema do silêncio, você consegue escutar tudo, até mesmo a dor angustiante que serpenteia pelo laço.
Quanto mais se afasta mais meu coração doi, quanto mais ignora minhas investidas para ajudá-lo mais um pedacinho de mim se quebra.

Draco é sorrateiro, ele se esconde de mim durante o dia e apenas a noite ele sai da sua toca. Espera até que eu esteja dormindo para destrancar o banheiro, abrir a porta lentamente e pé ante pé caminhar até a cama. Eu finjo estar dormindo, mesmo querendo confronta-lo, ainda assim deixo que me abrace durante a noite, que esconda seu rosto em minhas costas e me agarre com força até que pegue no sono.
Ele não me deixa tempo nem mesmo de tentar, logo pela manhã não está mais na cama e a porta do banheiro voltou a ficar trancada. 

Tomar café da manhã é ainda pior, o lugar onde normalmente senta sempre está vazio, mesmo que a mesa esteja posta para quatro pessoas um prato sempre ficará sozinho. Meus padrinhos conversam sobre coisas diversas, assuntos que normalmente prestaria atenção, no entanto cada vez que pisco o que tenho em mente é como ele está? Ou o que está fazendo para estar em silêncio a tanto tempo?

– Como ele está?

– Boa pergunta - Respondi a voz distante, não sei quem havia perguntado, eu me sentia muito longe para prestar atenção em qualquer coisa que não fosse o formato estranho da panqueca do café da manhã. Por que diabos aquele pedaço de comida parecia um coração partido?

– Harry?

Levanto do meu lugar pra tirar o prato da mesa e jogar aquela comida estúpida fora.

Filho.

Eu não devia jogar comida fora, a culpa não é da comida que a minha vida seja ridiculamente dramática, muito menos minha culpa. Amar não devia ser tão difícil, não é justo que o universo continue brincando com a minha cabeça desse jeito.

– Harry Potter! - Mãos agarram meus ombros me obrigando a encarar aquele par de olhos preocupados.

Lupin não escondia seu nervosismo, o olhar preso no meu tentando entender algo que nem mesmo eu havia conseguido entender. Mas apenas focar meu olhar no dele foi o suficiente para me quebrar por inteiro, toda a dor que vinha guardando nos últimos dias se soltou de mim explodindo em uma cachoeira de lágrimas, cobrindo minhas bochechas e embaçando minha visão.
Meu padrinho me agarrou com mais força abraçando meu corpo como se fosse uma mamãe coruja protegendo seu filhote. Acariciou minhas costas deixando que eu soluçasse, meu corpo tremia enquanto chorava.
Quando as lágrimas começaram a diminuir pude sentir a liberdade ao ter soltado elas, ao ter deixado meu corpo desabafar.

– Não conversaram ainda? - Lupin sussurrou próximo ao meu ouvido enquanto ainda me abraçava começando um embalo gentil com nossos corpos.

Neguei com a cabeça, sinto meu corpo tremer com alguns soluços como se falar dele fosse o gatilho para que todo o meu ser se desmontasse de novo.
Ele era meu gatilho e uma parte de mim, aquela cruel que sussurrava coisas ruins desejou que ele estivesse sentindo minha dor agora, que soubesse o mal que faz a mim quando age daquela maneira. Abraço Lupin com mais força tentando afastar essas ideias ruins, Malfoy estava passando pelo seu momento e por mais que não fosse justo comigo também não era justo com ele.

Sinfonia das Almas | Drarry Fanfic |Histórias para pegar e não largar. Descubra agora