Capítulo 13: O Encontro Proibido

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"O que é proibido tem sempre um sabor mais intenso."

Clara

A

sexta-feira chegou, e o pensamento de descansar estava firme na minha mente. Já fazia dias que não visitava minha mãe e sabia que o sábado seria reservado para ela. Mas o convite de Juliana e Renata, minhas amigas de sempre, me fez hesitar.

- Vamos sair, Clara, a noite está perfeita para a balada - disse Renata, com aquele tom de voz que não admite recusa.

Eu queria tanto recusar, precisava de uma noite tranquila, mas o peso da rotina me fazia pensar que talvez fosse bom me desligar um pouco. As enfermeiras tinham me atualizado sobre o estado de minha mãe, então decidi que não faria mal sair com as meninas. Precisava relaxar, precisava me divertir. Talvez me distraísse o suficiente para enfrentar o sábado com mais energia.

A balada estava cheia, o som pulsante ecoando por todo o lugar, e eu deixei as luzes me envolverem. Juliana estava se divertindo, como sempre, dançando e conversando com todo mundo. Renata e eu estávamos em uma mesa, rindo das piadas que inventávamos, até que o assunto de Rafael surgiu.

- Você viu o Rafael? Ele é tão gente boa! Já pensou em dar uma chance para ele, Clara? - Renata brincou, mexendo na minha bebida.

- Ah, sei lá, Renata. Ele é legal, mas não é meu tipo - respondi, sem muita vontade de me envolver.

Mas, quando olhei para ele, Rafael parecia muito mais interessante naquela noite. Talvez fosse o ambiente, a música, o modo como ele sorria e tentava me incluir na conversa. Deixei-me levar um pouco pela atmosfera, até que a conversa realmente fluiu.

- Ei, Clara, você sabe que eu também trabalho com tecnologia, né? - Rafael disse, se aproximando mais.

Eu concordei com a cabeça, tentando manter o foco no papo, mas, quando ele me olhou de perto, algo dentro de mim mudou. Ele era bonito, charmoso, e comecei a me sentir mais confortável. Conversávamos sobre projetos, nossas carreiras, quando de repente, meu celular vibrou na bolsa. A vibração cortou o clima de forma abrupta, e eu sabia que era alguém que não poderia ignorar.

O número na tela me causou um arrepio. Era dele.

- Oi? - atendi, sem olhar, porque sabia exatamente quem era.

- Clara, onde você está? - A voz carregada de possessividade me fez vacilar, mas não podia demonstrar fraqueza.

- Estou na balada - respondi, tentando soar natural.

Ele ficou em silêncio por alguns segundos, e eu podia sentir a tensão do outro lado da linha.

- Cuidado, Clara. Se você se perder, me avise. - Sua voz parecia rosnar, carregada de uma tensão perigosa.

Antes que eu pudesse responder, ele desligou.

Suspirei e voltei ao papo com Rafael, que me olhou de forma curiosa, mas parecia compreender o que estava acontecendo.

- Tudo bem, Clara? Parece que algo te incomodou.

Eu sorri, mas a verdade é que eu não conseguia deixar de pensar em Lucas, no tom possessivo da sua voz.

Rafael continuava charmoso, sua presença ao meu lado me fazia me sentir mais relaxada. E então ele fez algo inesperado:

- Eu sou gay, Clara. Só para você saber. Eu realmente gosto de você, mas não da maneira que você pensa. Queria ser seu amigo.

Eu o olhei surpresa, mas algo em mim se aqueceu ao perceber sua honestidade. Ele não estava ali para me fazer me sentir desconfortável. E, por mais que o momento fosse bom, a tensão no ar aumentou quando vi Lucas aparecer na pista de dança. Ele me viu de longe, e logo sua expressão mudou. Seus olhos se fixaram em mim e Rafael, e uma sensação de possessividade tomou conta do ambiente.

Eu tentei ignorar, mas Lucas não ia deixar barato. Ele se aproximou com um olhar penetrante, focando em mim. Rafael percebeu a mudança no clima e se afastou discretamente, como se entendesse a dinâmica entre nós. Lucas, então, me puxou com força para si. Não houve palavras, apenas a intensidade no olhar dele, no toque das suas mãos que me agarravam como se quisessem me marcar.

- Eu te avisei, Clara - ele sussurrou perto do meu ouvido, a voz rouca.

Eu sentia seu corpo quente contra o meu, e, num impulso, ele me puxou para um canto mais escuro da balada. Ali, longe de olhares, ele me prendeu contra a parede, seus lábios encontrando os meus com uma urgência que me fez perder o fôlego.

A química entre nós era inegável, como se o simples fato de estarmos juntos tivesse a capacidade de incendiar o ambiente. Cada toque, cada olhar carregado de desejo, só aumentava a tensão entre nós. Eu sentia que não conseguia mais pensar com clareza, o desejo tomava conta de mim de forma avassaladora.

Quando ele finalmente se afastou, meu corpo ainda tremia, como se o calor dele tivesse ficado gravado na minha pele.

- Isso é um aviso, Clara. Não me faça repetir - ele murmurou, antes de dar um último beijo, agora mais suave, mais possessivo, e se afastar.

Eu não sabia o que esperar, mas antes que pudesse sequer processar o que estava acontecendo, Lucas me puxou pela mão e me conduziu até o carro.

- José, suba a divisória - ele disse ao motorista, batendo no vidro separador.

Com um movimento rápido, a privacidade no carro foi garantida, e o som do motor se tornou distante, como se o mundo lá fora não existisse mais. Lucas me puxou com força, seu corpo colado ao meu. Eu sentia sua ereção ainda mais forte. A cada toque, meu corpo respondia de forma intensa, e tudo o que eu conseguia pensar era nele.

A atração era quase palpável, a intensidade de tudo que estávamos vivendo era como um fogo prestes a consumir tudo. Eu sabia que o que estava acontecendo ali era perigoso, mas o desejo era mais forte. Nada mais importava. Eu queria mais. E, de alguma forma, sabia que ele também queria.

Entre Sombras e Segredos.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora