Quem diz ama-la? (12)

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- Acho que ela está acordando. - Aquela voz, era familiar, Engfa?

- Ela não estava desmaiada quando chegou aqui também? Isso deve ser coisa de humano. - Essa com certeza é Orm, pensei soltando um meio sorriso entre o sono. - Olha Engfa!! Ela deve usar uma raiz alegre ou algo assim.

Não contive a gargalhada que veio a tona com a fala de Orm, abri os olhos em meio ao riso a penas para ver minhas amigas me olhando com pequenos sorrisos nos lábios.

- O que seria uma raiz alegre? - Questionei enquanto me sentava na cama, diferente de quando acordei aqui, não me sentia perdida, pelo contrario parecia que estava no lugar certo, meu lugar.

- É a raiz de uma arvore risonha, são arvores traiçoeiras, as raízes vivem se movendo para derrubar a gente e quando conseguem fazem um barulho estridente, como um riso. - Engfa explicou me deixando de queixo caído. - A raiz dela é como um remédio para dormir, só que você não dorme, seu cérebro só desliga e você sai por ai fazendo coisas sem sentindo.

- Resumindo: drogas. - Orm acrescenta me fazendo rir, Engfa revirou os olhos e empurrou Orm de leve.

- O que fazem aqui final de semana? - Perguntei vendo as duas trocarem um olhar e me olharem como se eu tivesse tres cabeças. - O que?

- Faye, hoje é terça. - Engfa explica e eu salto da cama imediatamente.

- Eu dormi o fim de semana todo? - Me aproximei da janela e cai para trás assim que vi lá em baixo, grifos, mas não como normalmente, eram muitos e a maioria sem cela, grifos selvagens cercavam o castelo paladino inteiro. - Que porra é essa?

Orm e Engfa se aproximaram pelas minhas costas.

- Eles estão ai desde que a sua cupido trouxe você. - Orm disse, e a ironia dela chamar Yoko de "minha cupido" me embrulhou o estomago.

- Não é muito seguro ficar tão próximo de grifos selvagens, então estamos em confinamento. - Engfa acrescentou.

- Vocês não podem, pedir para eles saírem? - Perguntei e elas me lançaram aquele olhar novamente.

- Só falamos com o grifo que divide o laço de parceria conosco. - Engfa fala me fazendo arquear a sobrancelha.

- Mas eu... 

- É, sabemos. Você falou com todos. - Orm me interrompe. - O que é muito maneiro, já que você não tem laço com nenhum.

- Esta todo mundo esperando que você fale com eles. - Engfa me olhava com expectativa.

- Okey... - Olhei para baixo novamente e pude avistar Lia, que me viu também, ela se levantou abrindo as asas em comprimento, mas depois seu olhar se perdeu para além de mim. Engfa estava bem as minhas costas, seus olhos brilhando para a Bico Negro.

- Ela é linda. - Ri com o entusiasmo dela, elas realmente combinam.

***

Já devidamente vestida, eu assistia enquanto dois paladinos abriam os portões revelando a manada de grifos que se levantam como um só assim que começo a me aproximar.

- Eu... - Limpei a garganta ao sentir minha voz falhar. - Eu imagino que estejam preocupados comigo, mas eu estou bem. e vou continuar assim, mesmo sem tê-los tão... perto.

O silencio reinou, nem um pensamento sussurrado em minha mente, olhando para trás, pude ver o conselho na sacada da torre, assim como Ize, e Yoko que estava escondida mais ao canto, mas sentia seu olhar sob mim.

Ao me virar para os grifos novamente, me assustei ao que um Bico Marrom estava a centímetros de distancia de mim, sentia cada respiração sua diretamente em meu rosto, ele parecia antigo, suas penas marrom eram opacas, e seu bico com inúmeros arranhões.

Antes que eu pudesse me pronunciar, sua voz ecoou em meu pensamentos.

"Não confie no sábio e em quem diz ama-la."

Ao sussurrar o pensamento em minha mente, ele alçou voo, sendo seguido pelas outras centenas de grifos. Uma sombra escura se formou no castelo devido as muitas asas cobrindo o sol.

Olhei novamente para o conselho, que me olhavam sem qualquer emoção. Ize estampava um sorriso satisfeito e Yoko... sumiu.

***

POV: Yoko

*Enquanto Faye estava em coma*

Yoko estava bem longe, não queria estar perto quando ela acordasse, não queria ver a dor nos seus olhos ao vê-la, não queria desaponta-la, Faye...

Não queria que ela soubesse que a única fraqueza que possui é aquele sentimento corrosivo que se instala em seu corpo quando aqueles olhos castanhos estão sob ela.

Queria ser alguém que merecesse tudo oque Faye é, ser mais que uma mancha de amargura e demonstrar o quanto sentia.

Um barulho em meio aos arbustos do bosque onde Yoko estava, farfalharam deixando a cupido em alerta.

— Então, a inabalável Yoko Apasra se apaixonou por uma humana, raça a qual diz odiar, e sacrificou o amor do seu pai em troca de continuar perto de uma mulher que, antes nem reconhecia sua existência? — A voz debochada e conhecida fez Yoko revirar os olhos, odiava os sermões de Ling, uma de suas irmãs.

— Eu não diria apaixonada, talvez interessada e curiosa. — Ling riu com a fala de Yoko, conhecia a sua irmã o suficiente para saber que uma curiosidade não a levaria tão longe.

— Ah sim, entendo, e já matou seus interesses e curiosidades? — Ling pergunta se acomodando ao lado de Yoko.

— Ainda não. Sempre achei que os humanos fossem todos iguais, mas ela é tão diferente daqueles montes de pele e osso. — Yoko argumenta sem pudor fazendo sua irmã soltar uma risada nasal e negar com a cabeça.

— Todos iguais? Ah minha querida irmã, você não sabe de nada. — Ling usou aquela voz de irmã mais velha que fez Yoko bufar. — Nós somos todos iguais. Nascemos já sabendo nosso propósito, levar o amor até às pessoas, e seguimos esse propósito pela nossa eternidade. Bom, você está de folga prolongada. — Ling brinca fazendo Yoko á acertar uma cotovelada.

— Ha-ha, quanta graça. — Yoko cruza os braços. — E o que faz você achar que os humanos também não são iguais? — Ling suspira com a pergunta.

— Basta olhar. Diferente de nós, desde que eles dão o primeiro suspiro, o primeiro passo, eles estão mudando. Uma raça que evolui constantemente e nunca são os mesmos, eles tem como objetivo descobrir sua função na terra e tentam várias caminhos diferentes, alguns optam por seguir os passos de quem os pós no mundo, já outros se aventuram nos próprios objetivos. Mas sabe o mais engraçado disso tudo, Yoko?

Yoko olhava para irmã atentamente e logo nega com a cabeça.

— O único objetivo deles é viver. E isso é tão mágico, viver a vida para si próprio. — Ling tinha o olhar longe e sonhador, Yoko riu.

— Raramente eles fazem algo de útil com o pouco tempo que tem. — Yoko fala e Ling nega, seu semblante tranquilo ao encarar a irmã.

— Faça valer a pena Yoko, não espere que as coisas simplesmente se encontrem. Mostre que você a merece.

— Eu não estou ap-

— E acima de tudo, proteja ela. Os grifos não podem esconde-la para sempre. — Ling interrompe a irmã.

— Você sabe o que esta atrás dela? — Yoko questiona, seu semblante chocado.

— Você também sabe.

— O que? Se eu soubesse ela não estaria se escondendo, porque esse ser não passaria de um punhado de pó ao vento. — Yoko olhou para irmã, seus punhos fechando. — Quem é?

— Antes, descubra quem ela é. Aí tudo fará sentido. — Ling respondeu sorrindo, e em um bater de asas ela se foi, assim como chegou.

***

NOTAS DA AUTORA

Eu sei, eu sei. Tô fazendo muito suspense, mas tudo vai se ajeitar, vou tentar postar mais amanhã, fiquem atentos!!

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