Bico-de-aço (18)

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Muita coisa pra colocar em um EP só, por isso demorei tanto 😞

(Capítulo não revisado, sujeito a possíveis erros)

Boa leitura ✨

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POV: Faye Malisorn

Demorou bem mais que um dia para que eu me recuperasse das lesões causadas pelas minhas tentativas falhas de fazer a travessia dos terceiranistas, mas não faltei uma única aula daquela semana. Inveja era um bom nome para o que eu sentia vendo Orm e Engfa treinar os obstáculos, os movimentos delas eram ágeis, graciosos, e precisos, me faziam lembrar o quão humana eu sou e o quão não humana todos os outros são, quando no outro dia meu corpo inteiro reclama pelas aulas intensivas, as duas estão graciosamente bem, conversando sobre o tempero do que foi servido no café da manhã.

Não me sentir inferior era uma tarefa impossível, quando alunos passavam voando pelo auxilio de suas asas, outros se moviam tão rápido que era como se estivessem se teletransportando diante dos meus olhos.

Eu não era nada.

- Caramba, não seja tola. - Engfa resmungou ao meu lado enquanto observávamos os outros alunos tentar atravessar o percurso, uma garota de cabelos rosas e olhos negros chegou bem próximo, mas caiu antes de atravessar aquela ponte fina e sem parapeito. - Você é literalmente a reencarnação de uma Deusa que se criou sozinha, mãe das nossas montarias.

Ela sussurrou olhando em volta, pedi para Ize que meus novos títulos não fossem divulgados, por mais que eles tivessem me visto lidando com os grifos, ninguém além das minhas amigas e o conselho sabe sobre Psique.

- Esses títulos não me servem de nada se continuo pateticamente frágil, e lenta. - Fiz uma careta quando um garoto de pele escura e barbatanas caiu rolando sobre a rocha redonda.

- Fale com a general então. - Dessa vez foi Orm quem falou. - Ela, pelo visto, sabia sobre as reencarnações, talvez ela saiba como trazer mais de Psique átona.

- Por mais que ser um pouco menos humana me soe atrativo, a ultima vez que Psique esteve próxima a sair, eu me descontrolei um pouco. - Outra queda, o garoto em questão, esquelético e ágil, chegou ate metade da ponte, bem próximo ao fim, eu mal havia passado a pedra.

- Você fala como se fossem duas pessoas, você é ela e ela é você. Se entrar em um consenso com isso, não vai sair do controle. - Engfa disse convicta.

Após o fim daquela aula torturante, fui a procura de Ize seguindo o conselho de Orm, mas para a minha sorte Ize não estava em lugar nenhum, procurei no castelo inteiro, ate me arrisquei a descer pela cidade as ruas estavam movimentadas, varias barracas de comerciantes, perfumes, frutas, artefatos mágicos, animais que eu não reconhecia fazendo pequenos shows guiados por um homem esguio de cartola, crianças com orelhas pontudas, ou de cor azul e barbatanas nas orelhas e mãos, corriam pelas ruas sem se preocupar com as pessoas que esbarravam.

Andei mais um pouco entre as casas gêmeas bem decoradas, mas não avistei Ize. Acabei por me distrair quando um pássaro enorme de tons vibrantes voou próximo ao meus rosto, o bico majestoso e a penugem com uma mistura de laranja e amarelo me fez suspirar impressionada, quando a ave pousou no braço do homem de cartola, uma salva de palmas soou ao meu redor, um espetáculo.

Quando menos esperei, um vulto cruzou diante dos meus olhos, levando consigo o cordão pendurado em meu pescoço, um pequeno grito surgiu da minha garganta, de onde estava pude ver apenas uma capa esvoaçando em direção a floresta, quando o choque passou meu único instinto foi correr atras da pessoa.

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