PESCARIA

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Era um raro final de semana livre na vida de Maraísa. Entre shows, gravações e viagens, ela finalmente conseguiu um tempo para escapar com Fernando para a tranquila Araguaína, onde ambos adoravam pescar. Para ela, o som da água e o balançar suave do barco eram quase terapêuticos; para ele, era a chance de mostrar suas habilidades — ou pelo menos tentar impressioná-la.

Chegaram ao rio logo cedo, o sol ainda tímido no horizonte. Maraísa, com seu boné virado para trás e óculos escuros, parecia mais uma garota do interior do que uma das maiores cantoras do país. Fernando, ao seu lado, ria das piadas que ela soltava enquanto preparavam as varas de pescar.

- Você acha mesmo que vai pescar mais do que eu? - ela provocou, ajeitando a isca com habilidade.

- Ah, não tenho dúvidas, minha linda. Só não vale roubar minha isca quando eu virar pra lá! -  ele respondeu, piscando para ela com um sorriso maroto.

A manhã foi passando entre risadas, conversas sobre sonhos e até mesmo um silêncio confortável enquanto esperavam os peixes morderem. Maraísa pegou o primeiro do dia, um belo tucunaré, e fez questão de exibir como um troféu.

- Tá vendo, Mocó? Aqui a estrela sou eu!- ela disse, gargalhando.

- Por enquanto, né? Mas a pescaria é igual ao amor: paciência e estratégia - respondeu ele, com aquele tom charmoso que só ele tinha.

- Eu já tô avisando, amor. Hoje vou pegar mais peixe que você! - disse Maraísa, abrindo a  cerveja  antes mesmo de lançar a linha na água.

- Vai nada, amor! O máximo que você vai pegar é um resfriado se cair nessa água! - ele respondeu, gargalhando, enquanto também abria uma latinha.

Entre um gole e outro, as piadas começaram a ficar mais soltas. Cada vez que um peixe escapava ou um anzol enroscava em algo, os dois riam tanto que mal conseguiam continuar.

- Você tá pescando peixe ou tentando buscar as estrelas no céu, amor? Porque essa linha tá indo longe demais! - Maraísa brincou, já visivelmente mais animada pelas cervejas do que pela pesca.

- tô tentando roubar a lua para você.

Ela riu, fingindo que ele estava sendo brega, mas a verdade era que seu coração acelerava. Araguaína tinha se tornado mais do que um lugar de descanso; era o cenário perfeito para um amor tão genuíno quanto os dois.

Enquanto o sol ainda brilhava sobre o rio em Araguaína, Maraísa e Fernando estavam no barco, tentando dar alguma dignidade ao dia de pesca que já começava com mais risadas do que resultados. Fernando, com uma vara de pesca na mão, olhou para a mulher ao seu lado, que estava distraída com uma cerveja na mão e os pés descalços balançando na água.

- Ô, amor. - ela começou, sem tirar os olhos do rio. - Você acha que a gente vai ensinar os nossos filhos a pescar? Ou eles vão ser ruins igual você?

Ele soltou uma risada, balançando a cabeça.

- Filhos? Já tá me colocando pra trocar fralda enquanto eu tento pegar peixe, é? E ainda me chama de ruim?

Maraísa deu um gole na cerveja e piscou para ele.

- Claro! Porque eu já sei que se depender de você, eles vão voltar pra casa com as mãos abanando. Alguém nessa família precisa garantir o jantar, né?

Fernando se inclinou na direção dela, ainda segurando a vara, mas com um sorriso genuíno.

- Tá falando isso agora, mas aposto que vai ser você a mimar eles, ensinar a fazer bagunça e me deixar como o chato da história.

- Ah, claro que vou mimar -  ela respondeu, rindo. - Mas a gente vai ensinar tudo a eles. Até as coisas mais simples, como esse momento aqui. Sabe, ficar juntos, no meio do nada, rindo das nossas próprias besteiras.

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