Izuku Midoriya é um híbrido de gato que tenta manter sua natureza felina em segredo enquanto trabalha em uma grande empresa liderada por Katsuki Bakugou, um chefe híbrido de lobo conhecido por seu temperamento difícil. Após uma discussão acalorada...
- Eu falhei furball... obrigado por fazer parte da minha vida.
Ele tragou o cigarro uma última vez, sentindo o gosto amargo na boca, e subiu lentamente os pilares da sacada. O céu estava escuro e silencioso, perfeito para o que estava prestes à fazer. Aquela sensação de falha, de não ser bom o suficiente, estava consumindo-o.
Ele olhou para baixo, para o vazio, imaginando como seria acabar com tudo, de uma vez, parecia ser o certo. A ideia estava ali, rondando sua mente. Ele sabia que a decisão seria irreversível.
Enquanto isso, no corredor, Izuku passava sem saber o que estava por vir. Mas algo o fez parar. Ele olhou para a sacada e, em um instante, a visão de Bakugou lá, fez seu coração parar. O loiro estava em cima das grades de proteção completamente em pé, à um passo da queda.
- SENHOR, NÃO! O QUE VOCÊ ESTÁ PENSANDO? - seus gritos saíram em um miado involuntário. Ele tentou de novo, mas só ecoou o som de um gato comum.
Bakugou respirou fundo, o ar frio da noite entrando em seus pulmões. Ele sentiu o impulso em suas pernas, o momento de decisão chegando. Seus olhos se fecharam, incapazes de encarar o vazio abaixo. Ele não queria ver, não queria sentir o impacto - apenas o silêncio.
Quando se inclinou para a frente, sua mente estava vazia. Porém, de repente, o som de passos rápidos ecoou pelo chão da sacada, frenéticos e desesperados. Antes que pudesse entender, sentiu uma força puxá-lo com violência. Seu corpo foi arrancado do equilíbrio, e ele caiu para trás, batendo contra o chão da sacada com um baque surdo.
Por um instante, tudo ficou embaçado. Sua visão captou partes desconexas do ambiente: o teto de sua casa, a divisão entre a sacada e a cozinha. O mundo parecia girar, confuso e distante. Ele piscou, tentando focar, e então viu.
Izuku.
Ele estava chorando, suas mãos trêmulas ao se aproximar mais de Bakugou. Seus olhos verdes brilhavam com desespero, sua expressão transbordando uma dor que Bakugou não conseguia entender completamente. Ele parecia gritar, palavras altas e contínuas, como se implorasse por algo.
Mas Bakugou não conseguia ouvir. Tudo ao seu redor parecia abafado, distante, como se ele estivesse submerso em água. Apenas o movimento frenético de Izuku era claro.
Ele apenas olhava para Izuku, lágrimas escorrendo lentamente por seu rosto. Então fechou os olhos, deixando as lágrimas continuarem a cair, ainda atordoado, sua respiração ofegante, foi então que sentiu algo quente e inesperado: braços envolvendo seu corpo.
O abraço era firme, quase desesperado, como se quem o segurava tivesse tanto medo de perdê-lo quanto ele de encarar o mundo. Quando seus sentidos começaram a voltar, ele percebeu que não era possível - virou o rosto lentamente, e sua mente quase parou. Izuku estava ali mesmo. Pele contra pele, sem roupas, e ainda assim, não parecia importar no momento. O garoto apertava Bakugou contra si, soluçando baixinho, como se todo o desespero que carregava tivesse se transformado em lágrimas.
Sem saber o que fazer, Bakugou ergueu uma mão hesitante, tocando as costas de Izuku. Sua pele era quente, quase febril, e o toque fez Bakugou estremecer. Quando Izuku se afastou apenas o suficiente para que seus olhos se encontrassem, Bakugou finalmente quebrou o silêncio:
- Como você... entrou aqui? - Sua voz era rouca, confusa.
Izuku não respondeu de imediato. Em vez disso, ele sorriu - um sorriso pequeno, mas genuíno, como se estivesse aliviado por Bakugou ainda estar ali.
- Eu já sou da casa, lembra? - disse ele, com um tom meio brincalhão, mas cheio de carinho.
Olhando para Izuku, suas lágrimas desciam mais quentes e rápidas por seu rosto, ele apertou os punhos, tentando esconder a vulnerabilidade que transbordava, mas não conseguiu.
- Gato desgraçado... - murmurou, a voz quebrada, os lábios tremendo enquanto olhava para Izuku.
Izuku sorriu de leve, mesmo que ainda soluçasse, e antes que Bakugou pudesse dizer mais alguma coisa, Izuku se inclinou-o beijando.
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O beijo foi inesperado. Um toque suave, molhado, misturado com as lágrimas de ambos. Os lábios de Izuku eram quentes, pressionados contra os de Bakugou de forma hesitante.
Bakugou congelou por um segundo, o calor do toque atingindo-o como uma explosão. Mas então, sem pensar, ele respondeu, movendo os lábios contra os de Izuku em um beijo desajeitado, era o seu primeiro.
Quando Izuku finalmente se afastou, ambos estavam ofegantes, o rosto de Bakugou estava vermelho, e Izuku tinha um pequeno sorriso envergonhado, mas feliz.
- Você é insuportável... - Bakugou sussurrou, ainda lutando para respirar direito.
Quebra de tempo*
Izuku estava sentado no sofá da sala, ajeitando a blusa de moletom preta que tinha pego no armário de Bakugou. Já havia encontrado uma calça simples e estava vestido, mas seus movimentos eram nervosos, denunciando a tensão no ar.
Bakugou estava de pé, encostado na porta que levava para outro cômodo, os braços cruzados e o olhar fixo em Izuku. Seu rosto estava fechado, e a irritação era evidente na sua voz quando finalmente falou:
- Vai me explicar por que diabos você estava me enganando esse tempo todo?
Izuku ergueu o olhar, suas mãos tremendo levemente enquanto puxava a bainha da blusa.
- Eu... não foi bem assim... - tentou justificar, a voz hesitante. - Eu só queria... Ficar perto de você, desta vez..
Bakugou, deu um passo à frente, apontando para Izuku.
- ESTAR AO MEU LADO? - rosnou. - Sua ideia brilhante pra isso foi virar um gato de estimação? Você tá me zoando?
Izuku desviou o olhar, sentindo o peso da acusação. Ele mordeu o lábio inferior antes de murmurar:
- Isso...não foi bem assim..
Bakugou rebateu, a voz mais alta, quase cortando o ar. Ele descruzou os braços, gesticulando com frustração.
- Você Mentiu Pra Mim! Fingiu Ser Algo Que NÃO ERA! O QUE MAIS VOCÊ ESCONDE, HEIN?
Izuku respirou fundo, tentando manter a calma, mas era difícil diante da intensidade de Bakugou.
- Eu não queria que fosse assim, mas você parecia tão... tão feliz comigo, mesmo sem saber que era eu - disse Izuku, a voz agora mais firme, mas ainda com um tom de arrependimento. - Eu só queria estar perto de você de qualquer jeito que fosse...
Bakugou ficou em silêncio por alguns segundos, o maxilar trincado enquanto processava as palavras de Izuku. Ele finalmente bufou, balançando a cabeça, e murmurou com irritação:
- Você é um desgraçado, sabia disso?
Apesar do tom áspero, Izuku reconheceu um traço de exaustão e algo quase... magoado. Ele abaixou a cabeça, sentindo uma pontada de culpa.
- Eu sinto muito, senhor Bakugou... - murmurou, quase inaudível.