Noite de Chuva

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Izuku estava de pé diante de Bakugou, seus dedos tremendo enquanto agarravam a camisa do outro com força, como se aquele gesto pudesse impedir a distância emocional que crescia entre eles. Seus olhos brilhavam com arrependimento, enquanto Bakugou o encarava com frieza, o desprezo evidente na curva dos lábios e na postura rígida.

- Quando voltei pra casa da primeira vez - começou Izuku, a voz trêmula, mas sincera -, senti sua falta. Não conseguia parar de pensar em você...

- Falta? - ele riu, mas o som era cortante. - Eu não senti sua falta, nem como humano, nem como aquele gato infeliz.

As palavras de Bakugou cortaram Izuku como uma lâmina, e ele recuou um pouco, como se tivesse levado um golpe físico.

- Mas... você não parecia estar cuidando de mim por obrigação - Izuku rebateu, a voz embargada, mas com um fio de coragem. - Você parecia... gostar da minha companhia.

- Gostar da sua companhia? - ele repetiu, cada palavra carregada de sarcasmo. - Eu só cuidei daquele gato porque alguém precisava fazer isso. Não significava nada além de uma responsabilidade irritante.

Izuku apertou os punhos ao lado do corpo, tentando segurar as lágrimas que ameaçavam cair.

- Não parecia nada irritante quando você sorria pra mim, quando me dava carinho... - disse ele, a voz baixa.

A tensão na sala se intensificou quando Bakugou agarrou Izuku pela camisa, os olhos ardendo com um misto de raiva e frustração.

- Vai embora, agora. - Sua voz era dura, cortante, mas havia algo quebrado por trás das palavras.

Izuku hesitou por um momento, os lábios entreabertos como se fosse argumentar, mas desistiu. Seus olhos se encheram de lágrimas, mas ele abaixou a cabeça, virou-se e saiu correndo para a porta.

A chuva começou a cair no exato momento em que Izuku atravessou a rua, encharcando-o rapidamente. Suas passadas eram apressadas e desajeitadas, os soluços se misturando com o som das gotas batendo no asfalto.

Bakugou ficou parado por alguns segundos, respirando fundo, os punhos cerrados. Ele xingou baixinho e correu atrás de Izuku, ignorando a chuva que agora também o molhava por completo.

- Droga, Deku! - gritou ele, alcançando Izuku e segurando-o pelo braço.

Izuku virou-se bruscamente, os olhos brilhando com raiva e lágrimas.

- Me Solta! - gritou ele, tentando se desvencilhar.

Bakugou segurou firme, mas não com força suficiente para machucá-lo. Ele respirou fundo, tentando controlar o próprio tom de voz.

- Volta pra casa. - As palavras saíram mais suaves do que ele esperava, quase um pedido.

Izuku sacudiu a cabeça, ainda lutando contra o aperto no braço.

- Eu não quero voltar!

Bakugou puxou Izuku um pouco mais para perto, olhando diretamente em seus olhos.

- É tarde, e está chovendo. Volta pra casa. Amanhã... amanhã a gente resolve isso.

Quebra de tempo*

A casa estava mergulhada em silêncio, exceto pelo som constante da chuva batendo nas janelas. Bakugou desceu as escadas devagar, cada passo calculado para não fazer barulho. Quando chegou à metade, parou. Seus olhos fixaram-se no sofá-cama da sala.

Izuku estava ali, encolhido debaixo de uma manta que mal cobria seus pés. Ele dormia, os cabelos verdes bagunçados caindo pela testa e sua expressão finalmente tranquila. Era uma visão tão estranha, considerando o caos de horas atrás, que Bakugou não conseguiu evitar franzir o cenho.

Ele desceu mais alguns degraus, até parar ao lado do sofá. Olhou para Izuku por um longo momento, os braços cruzados, enquanto tentava entender por que sua presença ali parecia pesar tanto.

"Eu vou ter que inventar uma desculpa pra ele não sair daqui amanhã... Não posso deixar ele ir embora assim," - pensou, suspirando enquanto seus olhos percorriam o rosto de Izuku. Ele parecia tão vulnerável que quase fazia Bakugou se sentir culpado.

A chuva lá fora continuava intensa, e Bakugou desviou o olhar para a janela por um momento, como se buscasse uma resposta na escuridão. Mas nada veio. Com um suspiro frustrado, ele voltou sua atenção para Izuku, se aproximando mais.

Por impulso, abaixou-se, ajustando melhor a manta que cobria o rapaz. "- Tsc, gato desgraçado... Não facilita, né?"

Bakugou deu alguns passos para trás, prestes a subir novamente as escadas, quando sentiu algo segurar sua mão. Ele congelou no lugar, olhando para baixo, apenas para ver a mão de Izuku agarrando a sua.

- Viu? Você se importa comigo - Izuku murmurou com os olhos ainda meio fechados, a voz baixa e sonolenta.

Bakugou sentiu seu rosto queimar instantaneamente. Ele tentou puxar a mão de volta, mas Izuku apertou um pouco mais, se sentando no sofá-cama e esfregando os olhos.

- Por que você gosta tanto de me maltratar, Bakugou? - perguntou, a expressão agora mais séria, embora seu tom mantivesse a suavidade de quem havia acabado de acordar.

Bakugou desviou o olhar, as sobrancelhas franzidas enquanto tentava controlar o rubor em seu rosto. Ele abriu a boca, fechou, e então soltou um suspiro pesado.

- Porque... eu gosto de você, droga.

A resposta saiu num tom baixo, quase abafado, mas Izuku ouviu perfeitamente. Seus olhos se arregalaram, e por um momento ele ficou sem palavras.

Bakugou simplesmente se deitou ao lado de Izuku no sofá-cama, o silêncio entre eles pesado, mas confortável. As horas passavam lentamente, e o som da chuva batendo contra as janelas preenchia o ambiente. Eles estavam deitados, ambos se olhando, mas sem dizer uma palavra.

Após alguns minutos, Izuku não conseguiu mais se conter e quebrou o silêncio.

- E agora? O que você vai fazer com seu pai? - perguntou ele.

- O velho... - ele começou, a raiva ainda transparecendo, mas a voz soando cansada. - Ele me mandou embora. Disse que eu não tinha mais lugar aqui e que devia ir para os Estados Unidos, onde ele acha que eu vou "aprender a ser alguém" ou qualquer coisa desse tipo.

Izuku sentiu seu peito apertar ao ouvir isso.

- E o que você vai fazer? - Izuku perguntou, com um olhar preocupado.

- Eu não sei... - Bakugou respondeu, a frustração evidente em sua voz.

My feline friend Histórias para pegar e não largar. Descubra agora