Gustavo Ribeiro
Assim que eles desceram e eu soube que minha garota estava segura, foi como se um peso fosse retirado das minhas costas. Eu podia parar de pensar em tudo, deixar de lado o medo que me sufocava e arriscar tudo o que restava em mim.
Meu único medo nessa vida é perder Isabella.
E meu único desafio é protegê-la, mesmo que isso me custe a alma.
Os sons ao meu redor pareciam abafados, como se tudo estivesse acontecendo dentro de um aquário. Em questão de segundos, eles invadiram. Estávamos cercados. Só restávamos eu, Pedro Henrique e Samir — o velho que agora segurava uma metralhadora.
Pedro Henrique, com um movimento rápido, abriu um compartimento escondido na parede. Era um estoque de armas camuflado por trás de prateleiras de remédios. Dentro, encontramos tudo o que precisaríamos: rifles, munições, granadas. Era uma cena que beirava o surreal.
Eles sempre tiveram ódio de mim, mas, aumentou principalmente quando eu troquei de lado, traindo eles.
Isabella Parker.
Um zumbido insuportável ecoava em meus ouvidos, enquanto meu corpo parecia preso em um torpor. Cada músculo doía, como se eu tivesse sido atropelada por um caminhão. Milhares de perguntas inundavam minha mente. Nada fazia sentido.
A visão estava turva, mas eu sabia que aquele lugar escuro e abafado não era o mesmo porão onde estivéramos antes. Estava deitada sobre uma manta fina no chão frio, enquanto o pessoal passavam apressadas ao meu redor.
Então, a porta foi escancarada, e o som da maçaneta quebrando ecoou pelo ambiente.
— CADÊ A ISABELLA?! — A voz desesperada de Gustavo cortou o ar como um raio. Ele parecia um fantasma de guerra: o rosto sujo de fuligem, o corpo coberto de sangue e queimaduras, e a camiseta rasgada. Pedro Henrique entrou logo atrás, mancando.
Quando nossos olhares se encontraram, Gustavo atravessou a sala como um furacão e me envolveu em um abraço apertado. Sua respiração estava ofegante, e o desespero era evidente.
— Você está bem? E sua perna? Não dorme, Isabella. Não dorme! — ele dizia rápido, inspecionando meu rosto com uma mistura de medo e alívio.
— Onde estamos? — perguntei, minha voz trêmula.
— Em breve, em casa. — Ele me abraçou novamente, afundando meu rosto em seu peito, como se precisasse sentir que eu estava viva.
Tudo aquilo era um caos. Minha vida, antes tão previsível, agora parecia uma teia de mistérios e perigos.
Meu irmão estava com uma expressão que misturava fúria e exaustão, segurando o braço, onde havia um corte superficial.
— Que porra é essa?! Eu não aguento mais! — ele explodiu. — Quero saber o que está acontecendo! Isso era pra ser uma viagem tranquila, e agora estamos sendo perseguidos por assassinos. Vocês são o quê? Agiotas?
— Agiotas? — Gustavo perguntou incrédulo, trocando um olhar divertido com Pedro Henrique.
— Agiotas. Essa foi boa. — PH respondeu com um sorriso debochado.
Minha raiva explodiu. Eu queria gritar, mas mal conseguia me levantar por causa da dor na perna. Enquanto Gustavo analisava o ferimento, senti o mundo girar.
Foi então que Samir, o velho de antes, entrou com um pano onde carregava pães e doces.
— Obrigado por cuidar dela — Gustavo disse, e o senhor apenas sorriu.
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Sombras do passado.
FanfictionIsabella sempre foi observada em silêncio, mesmo sem saber. Entre sombras do passado e segredos guardados, o destino a cerca de perto. E nem tudo é o que parece. Uma história de amor que nasceu na infância, entre promessas não ditas e verdades esco...
