Pequenos convidados.

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Gustavo Ribeiro.

Atravesso com a Isabella no colo pela porta principal, o restante do pessoal havia ido se acomodar em outra casa, que não era muito longe daqui, a casa deles era somente mais próxima da cidade.

As enfermeiras se aproximaram e eu vejo Isabella me lançar um olhar, o que me fez dar um sorriso, ela ficava linda com ciúmes.

Coloco a garota na maca e qualquer mero movimento a fazia gemer de dor, a garota se contorcia toda vez.

— É mais grave do que imaginávamos. A ferida antiga foi aberta, por sorte não a perfurou por completo, pois se a antiga tivesse sido perfurada um centímetro a mais, ela poderia perder os movimentos da perna. - A médica explicou.

— Vou fazer pontos e enfaixar, irei atrás dela a cada algumas horas para ir trocando o curativo. - Ela permaneceu explicando e eu a apresso quando Isabella geme de dor.

— Tudo bem, menos fala e mais processo, não está vendo que ela está com dor? - Reclamo e a doutora se curva.

— Certo, desculpe senhor. - Ela disse e rapidamente todas levam a Isabella até a sala separada especialmente pra isso, onde fazem todo o trabalho.

— Margareth? - Chamo pela mulher que praticamente me viu crescer, ela sempre me ajudava com tudo.

— Sim? Pequeno Guto. - Ela caminhou na minha direção, me cumprimentando com um abraço abraço forte, repleto de saudades.

— Preciso que prepare uma refeição saudável pra Isa, coloca tudo que tiver dos melhores nutrientes, pode ser? - Peço enquanto retribuo seu abraço.

— Pode contar comigo! - Ela disse com um sorriso de orelha a orelha e rapidamente foi até a cozinha, a sua comida e a da Rosa eram as melhores.

[...]

A sala de entrada que tinha ficado em silêncio por alguns minhotos, agora fazia barulho pelas rodinhas da maca, assim, fui até Isabella.

— Você está melhor? - Pergunto e a garota toca sua coxa para ajudar a se sentar com suas sobrancelhas curvadas para baixo.

— Sim, eu só estou me em sentindo muito cansada. - Ela diz com a voz baixa e logo eu escuto uma das médicas gritarem.

— Já falei pra você não tocar. - A doutora disse com o tom de voz alto e a Isabella logo tira a mão, parecia constrangida.

— Ela pode arrancar se quiser e vocês terão que fazer novamente, não admito falarem assim, em algum momento eu permiti isso? - Aumento o tom de voz para a mesma que se afasta e logo a Isabela toca meu braço.

— Tá tudo bem, ela está certa, pode ser contaminado.

— Não importa, isso não dá o direito dela gritar com você, ela poderia ter falado numa boa. - Digo pegando a garota no colo.

— Vocês estão avisadas. - Digo por fim e subo as escadas até a maior suíte, o quarto principal.

Ela se apoia com as mãos no meu ombro enquanto eu tento ser o mais cuidadoso possível para não acabar machucando a pena dela.

— Eu quero tomar banho. - Ela diz e eu concordo com a cabeça, levando ela até o banheiro no quarto.

— Espera um pouco aqui. - Digo deixando ela num pequeno sofá de couro que havia dentro do banheiro e logo vou preparando a banheira.

— Por que diabos você tem um sofá no banheiro? E uma Tv? - Ela pergunta me encarando.

— Quando eu era menor, acontecia muitas brigas e mudanças, então eu me trancava no banheiro e fingia estar tendo uma dor de barriga, quando na verdade ficava vendo desenhos. - Explico e termino de preparar a banheira.

Sombras do passado.Onde histórias criam vida. Descubra agora