Empata foda do caralho.

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Gustavo Ribeiro

— Que porra é essa. — A voz de Pedro Henrique ecoou pelo cômodo, cortante como um trovão. Eu vi minha garota arregalar os olhos, completamente paralisada.

Sem pensar, levanto a blusa dela. Isabella se sentou às pressas, ainda atônita, e eu me virei para ele.

— Eu posso explicar... — Isabella começou, mas segurei sua mão, negando com um movimento de cabeça.

— Não precisa, pequena. — Me virei para Pedro Henrique, encarando seus punhos cerrados de raiva. — Pense o que quiser. Você sabe da verdade.

Ele avançou um passo, sua mandíbula trincada, mas se conteve.

— Mais tarde, nós vamos conversar. — Ele rosnou antes de sair do quarto, batendo a porta com força.

O silêncio se instalou, pesado. Quando olhei para Isabella, ela estava completamente vermelha, o constrangimento estampado em seu rosto. Merda, isso não deveria ter acontecido assim.

— Isa, me desculpa... Eu não deveria ter feito nada. — Falei, com a voz carregada enquanto apertava sua mão.

Ela ergueu os olhos, me encarando com uma expressão que me desarmou por completo.

— Pra você foi um erro? — Sua voz saiu baixa, quase como um sussurro, mas o peso da pergunta era avassalador.

Merda.

— Não! Nunca! Não é isso. — Segurei firme sua mão.

Puxei-a para um abraço, tentando protegê-la até mesmo de suas próprias dúvidas. Sentir seu corpo contra o meu só reforçava o que eu já sabia: ela era tudo o que importava.

— Vamos? Você precisa comer. — Peguei Isabella no colo, afastando delicadamente os fios de cabelo que caíam em seu rosto.

Enquanto procurava minha camiseta pelo quarto, percebi o volume indesejado ainda evidente. Meu rosto esquentou de imediato.

— Na verdade... você pode ir na frente. — Murmurei, desviando o olhar. — Eu vou esperar um pouco.

Isabella soltou um risinho baixo e inocente, que me fez sorrir de leve, apesar da excitação. Antes de sair, ela se inclinou e me deu um selinho rápido, arrancando completamente o ar dos meus pulmões.

— Veste a camiseta e vem logo. — Ela disse, com aquele sorriso de canto que sempre me derrubava.

— Segura pra mim, já estou indo, princesa. - Digo entregando o meu celular para a pequena.

Segui obedecendo, meio em transe, e a segui até onde os outros estavam. Mas minha mente continuava presa naquele breve momento.

Quando voltamos, Antonella foi direto ao ponto:

— Trocou o curativo? Ainda está sentindo muita dor?

— Não, já estou melhor. — Isabella respondeu, com a voz doce que fazia tudo ao redor desaparecer. Meu mundo se resumia a ela, sempre a ela.

Luccas se aproximou, sussurrando com um sorriso malicioso: — E aí? O que você fez?

Fingi indiferença, mas meu tom foi seco.

— Eu? Nada. - Respondo.

— Nada? Então por que o Ph saiu daqui parecendo que ia explodir uma bomba? — Ele insistiu, cruzando os braços.

Dei de ombros, pegando um pedaço de bolo da "cesta" trazida por Samir e entregando para Isabella.

— Obrigada. — Ela sorriu, indo se sentar no canto do cômodo com as amigas.

Sombras do passado.Onde histórias criam vida. Descubra agora