Eu quero voltar pra casa.

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Isabella Parker

— Eu quero voltar pra casa. - falo com a voz embargada.

Gustavo ainda me carregava nos braços, preocupado, tentando me manter firme enquanto atravessávamos o espaço até a mesa. Mas assim que minhas palavras tocaram o ar, ele parou. Seus passos cessaram. Nossos olhares se cruzaram, e naquele instante, o tempo pareceu segurar a respiração.

— Assim... de repente? — ele perguntou, com a voz baixa, como se tivesse medo da resposta.

Assenti com a cabeça, sentindo o peso das últimas semanas desabar sobre meus ombros.

— As aulas vão voltar e eu preciso ter a minha vida de volta, dês de quando eu me aproximei de você parece que tudo desandou, eu vi armas, explosões, fui perseguida, quase fui morta, não fico mais segura em nenhum lugar. - Comecei a falar com a voz falha.

Ele estava em silêncio. Um silêncio endurecedor.

— Eu preciso voltar a viver como tudo era antes, as aulas vão voltar e eu não lembro mais de nada, a minha mente tá um turbilhão e eu não consigo pensar. Faz semanas que eu não vou pra academia, meus cursos, minha agência, tudo o que eu andei conquistando foi ladeira a baixo. - Desabafo sem conseguir olhar nos olhos dele, encostei a minha cabeça no peitoral do mesmo e o garoto permanecia paralisado.

— Eu sinto muito que as coisas estejam sendo desse jeito, mas isso não foi por conta que você me conheceu, uma hora ou outra isso ia acontecer na sua vida. - O garoto disse e eu dei um sorriso amargo.

— Por que ia aconteceu uma hora ou outra? O que você sabe que eu não sei? Por que caralhos você não me conta? Eu não consigo te entender! Eu nem ao menos sei quem você é. - Murmurei com a garganta apertada e o garoto me apoiou pna parede, me olhando nos olhos.

— Você vai descobrir mais cedo ou mais tarde, por que você tá fazendo isso? - Ele perguntou e eu revirei os olhos.

— Por que eu estou fazendo isso? Por que eu não aguento mais ser a única idiota no meio de todos vocês que não sabe de nada! Vocês todos escondem coisas de mim, é como se eu fosse um monstro. - Digo olhando finalmente nos olhos dele.

— Você não é um monstro, você é a minha princesa...a mulher mais incrível que eu já conheci. Por favor, para com isso. Se você quer voltar, tudo bem, eu te levo. Mas não fala assim... - Ele disse enquanto seus dedos acariciavam meu rosto, tão delicado, como se temesse que eu desaparecesse.

[...]

A volta pra casa foi mergulhada em silêncio. As palavras trocadas mais cedo ainda pairavam no ar como uma tempestade prestes a estourar. Eu olhava pela janela, fingindo que aquele mundo lá fora era o mesmo de antes. Mas não era. Não dava mais pra fingir. Eu já não enxergo mais a minha vida sem essa bagunça que ele é. Ele sendo desse jeito que faz a minha vida ter adrenalina, ele que faz eu me sentir viva. Mas isso já estava saindo do controle.

O carro parou a poucos metros do condomínio.

— A sua mãe pode ver pelas câmeras se você entrar comigo, melhor você descer aqui e eu fico vendo você entrar como segurança. - Ele disse e eu assenti com a cabeça, segurando a maçaneta pra sair do carro até que o garoto puxa a minha mão.

— Eu não quero ficar assim com você, eu sinto muito de verdade, me desculpa por favor. Eu não consigo te ter longe de mim, me perdoa antes de sair e diz que tudo vai ficar bem. - Ele disse com a voz embargada enquanto segurava a minha mão, o que me fez soltar um sorriso fraco.

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