Faustina
O som dos cascos dos cavalos ressoava pelas ruas de Roma, enquanto Faustina olhava pela pequena abertura da carruagem que a levava de volta ao palácio imperial. Tudo parecia tão familiar, mas ao mesmo tempo tão distante. Os muros altos, as colunas imponentes, o luxo que cercava o lugar nada havia mudado. O tempo parecia ter congelado, mas dentro dela, tudo estava diferente. O coração batia rápido, apertado pelo nervosismo. Não havia respostas para o que a aguardava. Tudo o que lhe disseram era que o imperador a havia chamado de volta e que retomaria suas funções. Mas por quê? Por que o imperador Commodus, o tirano conhecido por sua crueldade, se daria ao trabalho de requisitar o retorno de uma simples serva?.
Quando o cocheiro anunciou que haviam chegado, Faustina respirou fundo, tentando controlar a ansiedade. Desceu da carruagem com as mãos tremendo levemente e foi imediatamente escoltada por dois guardas pretorianos. Eles a levaram por corredores familiares, mas a cada passo, o peso da memória se tornava mais sufocante. Era como se as paredes do palácio ainda guardassem os ecos de tudo que havia acontecido ali as intrigas, os sussurros e, mais recentemente, o ataque contra sua amiga. Ela conseguia sentir os olhares furtivos dos outros servos, que cochichavam enquanto ela passava.
Os guardas pararam diante de uma porta grande e ornamentada, onde um oficial a anunciou brevemente antes de abrir. Ela hesitou, mas, antes que pudesse recuar, foi praticamente empurrada para dentro. O coração disparou em seu peito.
Quando entrou era uma sala ampla, com janelas altas que deixavam entrar a luz do sol da manhã. Seu olhar imediatamente pousou na figura que estava no centro da sala.
Ele estava de pé, próximo a uma grande mesa de madeira cheia de pergaminhos e mapas. Vestia uma túnica roxa com detalhes dourados, e a coroa de louros descansava sobre sua cabeça. Era exatamente como ela se lembrava antes de se tornar imperador altivo, imponente, orgulhoso mas com uma intensidade nos olhos que fazia a espinha de qualquer um gelar. Ele parecia distraído, movendo uma adaga entre os dedos. Quando finalmente levantou o olhar para ela.
— Majestade. — sua voz saiu quase em um sussurro, e ela rapidamente fez uma reverência profunda, tentando esconder o nervosismo.
Commodus não respondeu imediatamente. Ele virou-se devagar, deixando a adaga de lado, e a olhou com aquele mesmo sorriso. Era um sorriso cordial, mas havia algo nele que parecia... errado. Como se fosse um disfarce para algo mais sombrio.
— Faustina. — disse ele, sua voz baixa, quase melódica. — Um nome interessante. Sabe que é o mesmo nome da minha mãe?.
Ela se engessou. Não sabia o que responder. A menção à mãe do imperador parecia um terreno perigoso. Limitou-se a assentir levemente, mantendo os olhos baixos.
— É um bom nome. — continuou ele, casualmente. — Simples, mas forte. Não acha?.
— Sim, majestade. — respondeu ela, esforçando-se para manter a voz firme.
Ele parou de repente e virou-se para encará-la, como se estivesse avaliando algo em sua expressão. Por que ele estava falando sobre isso? O que queria dizer?.
— Mas não estamos aqui para falar de nomes, não é?. — disse ele, com um leve tom de desdém, enquanto começava a andar novamente. — Não. Estamos aqui porque tenho um presente para minha doce esposa.
Faustina ficou confusa. Não sabia o que dizer, então permaneceu em silêncio, esperando que ele continuasse.
— Você, Faustina. — disse ele, parando novamente, desta vez mais perto dela. — Vai voltar a servir Gaia.
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Oaths of Revenge - Gladiador (2000)
Historical FictionGaia filha de Marcus Annius Libo é a única sobrevivente de sua família após o cruel Commodus ordenar a execução de todos, pois seu pai se recusou a reconhecê-lo como herdeiro do império, Commodus então decide eliminar todos os possíveis herdeiros da...