Gaia
O espelho refletia sua imagem enquanto as servas finalizavam o penteado, prendendo o coque com pequenos adornos dourados que brilhavam suavemente à luz do dia. Um sorriso discreto dançava nos lábios de Gaia enquanto ela observava o próprio reflexo. Sentia-se estranhamente animada naquela manhã, como se algo estivesse prestes a mudar de forma definitiva. Desde o ataque, seus dias haviam sido tomados por sombras e tensão, mas agora, havia uma leveza em seu peito que ela não sabia explicar completamente.
"Talvez seja ele," pensou, enquanto uma das servas ajustava o véu que caía de seu penteado. Commodus tinha prometido uma surpresa hoje, algo que, para ela poderia ser algo inesquecível. Gaia não conseguia conter a curiosidade. Nos últimos dias, eles estavam brigados mas fizeram as pazes, e por mais que tentasse negar para si mesma, começava a perceber que o odiava menos do que antes. Não, odiá-lo talvez fosse a palavra errada agora. Gaia suspirou, fechando os olhos por um momento enquanto os dedos da serva arrumavam as últimas dobras do véu.
"Estou apaixonada por ele?", ela se perguntou, era loucura mas uma loucura reconfortante, talvez fosse mesmo isso. Talvez, no meio de tudo, no meio do caos e do sangue, ela tivesse encontrado algo que poderia ser chamado de amor.
Ela abriu os olhos e sorriu novamente, olhando para a serva que terminava de ajeitar seu vestido rosa claro. O tecido macio abraçava sua silhueta com uma elegância sutil, nada extravagante, mas suficientemente marcante para sua posição como imperatriz. "Um vestido perfeito para um dia perfeito," pensou, ignorando o aperto na parte de trás de sua mente que insistia em lembrar os momentos sombrios que a haviam trazido até aqui.
— Está pronta, majestade. — disse uma das servas, recuando para admirar o resultado.
Gaia levantou-se com elegância, alisando o vestido com as mãos. — Sim!.— respondeu, com um tom suave, mas cheio de expectativa.
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A carruagem aguardava do lado de fora do palácio. Gaia foi escoltada até lá pelos guardas pretorianos, e enquanto subia, percebeu que Commodus não estava presente. Olhou em volta como se esperasse vê-lo surgir a qualquer momento.
— Onde está o imperador?. — perguntou ao guarda que a acompanhava, sua voz carregada de curiosidade.
O pretoriano fez uma breve reverência antes de responder. — Sua Majestade precisou resolver algo importante, minha senhora. Ele nos instruiu a levá-la diretamente ao Coliseu.
Gaia piscou, confusa. — Resolver algo? O que exatamente?.
— Ele não nos disse, senhora. Apenas pediu que a comitiva seguisse sem ele.
Ela ficou pensativa por um instante, mas decidiu não insistir. Commodus parecia gostar de mistérios, e talvez fosse parte da surpresa que ele havia prometido. Então, assentiu levemente e entrou na carruagem. O balanço suave da estrutura de madeira a distraiu enquanto se ajeitava no assento, e logo a paisagem de Roma começou a passar pelas janelas.
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O barulho das rodas sobre as pedras das ruas pairava enquanto Gaia observava as cenas familiares da cidade. Havia algo em Roma que sempre a fazia sentir-se parte de algo maior, como se todo aquele caos pulsante fosse, na verdade, uma única entidade viva. As multidões, as crianças correndo entre as barracas dos mercadores, os aromas de especiarias misturados ao calor do sol nascente... Tudo isso a fazia sentir-se conectada, como se o povo fosse uma grande família que, de alguma forma, incluía até mesmo ela.
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Oaths of Revenge - Gladiador (2000)
Historical FictionGaia filha de Marcus Annius Libo é a única sobrevivente de sua família após o cruel Commodus ordenar a execução de todos, pois seu pai se recusou a reconhecê-lo como herdeiro do império, Commodus então decide eliminar todos os possíveis herdeiros da...