Quintus
*Uma semana depois*
O calor seco do acampamento parecia mais sufocante naquela manhã, mas não era por causa do clima. Havia algo no ar, uma tensão que os soldados ao redor de Quintus não paravam de comentar. Ele estava sentado ao lado de uma carroça de suprimentos, fingindo verificar seu equipamento enquanto ouvia as conversas se intensificarem.
— Ouviram isso? — disse um dos soldados, um homem robusto com um bigode grosso. — Dizem que o tal gladiador espanhol, o grande herói das arenas, é na verdade um general traidor! Maximus, ou algo assim.
— Não pode ser.— respondeu outro, franzindo o cenho. — Como um homem assim conseguiu chegar tão perto do palácio?.
— Palácio? Vocês não entenderam! — interrompeu um terceiro soldado, mais jovem e claramente animado por ter algo novo para fofocar. — Ele mandou assassinos direto para os aposentos da imperatriz.
Quintus, que até então se esforçava para parecer alheio à conversa, congelou. Ele manteve os olhos baixos, os dedos segurando o punho de sua espada com força. "Gladiador... assassinos... imperatriz?" A combinação de palavras fazia sua mente correr em várias direções ao mesmo tempo, era muito confuso.
— Por quê? — perguntou o soldado mais velho, franzindo o cenho enquanto coçava a barba. — Por que ele faria uma loucura dessas?.
— Ora, por vingança, é claro. — respondeu o jovem animado, como se fosse óbvio. — O imperador mandou matar a família dele, não mandou? Então ele se vingaria matando a esposa do imperador... que espera um filho, cruel mas filosófico.
— E você sabe o que é filosófico, garoto?. — o mais velho respondeu, enquanto os outros riam.
O jovem jogou migalhas de pão no soldado velho enquanto todos riam.
— Eu ouvi outra coisa... — começou um quarto soldado, de olhos astutos, que até então estivera em silêncio. — Dizem que foi a irmã do imperador quem mandou os assassinos.
— Lucilla? — o soldado de bigode riu, incrédulo. — Por quê?
— Ciúmes. — respondeu o outro, com um tom conspiratório. — Pensem bem ela é a irmã do imperador, não é? O imperador sempre foi... próximo dela, digamos. E agora ele tem uma imperatriz. Pode ser que ela não tenha gostado de perder o "favoritismo."
— Um amor fraternal proibido? — todos continuaram rindo.
— Quem sabe? — retrucou o mais jovem, encolhendo os ombros. — No fim das contas, ninguém sabe o que se passa naquele palácio.
Os rumores continuaram, cada voz se sobrepondo à outra, enquanto Quintus ficava cada vez mais impaciente tentando controlar as emoções que invadia, ele estava atordoado e furioso.
Mas o que o perturbava ainda mais era ouvir o nome de Gaia ligado a tudo aquilo. Ele tentava apagar as lembranças dela desde o dia em que partira, mas agora as memórias voltavam, insistentes e cruéis. Gaia, com seu sorriso caloroso e seus olhos brilhantes... Agora ele imaginava a mesma mulher sendo atacada, assustada, sozinha. O pensamento fazia seu peito apertar, e ele precisou conter a expressão para não deixar escapar nada.
— O que acha, Cassianus? — perguntou o soldado mais jovem, notando seu silêncio. — O que acha que o imperador vai fazer com Maximus?.
Quintus levantou a cabeça devagar, os olhos queimando de irritação.

VOCÊ ESTÁ LENDO
Oaths of Revenge - Gladiador (2000)
Ficção HistóricaGaia filha de Marcus Annius Libo é a única sobrevivente de sua família após o cruel Commodus ordenar a execução de todos, pois seu pai se recusou a reconhecê-lo como herdeiro do império, Commodus então decide eliminar todos os possíveis herdeiros da...