Capítulo 43

750 72 56
                                        

GIZELLY

Semanas depois...

Aquele mês em si, foi árduo, mas passou rápido. Consegui acompanhar os processos em andamento dos meus advogados e também fiz uma fiscalização generalizada em todo o edifício.

Visitei todos os andares e salas, sem exceção, quando a empresa de manutenção veio fazer a vistoria. Conversei com os funcionários desta empresa, e constatei que estava tudo certo com os reparos, e tudo em dia. Também visitei o financeiro e me coloquei a par de todos os últimos balancetes. Quando me vi satisfeita com tudo, fiz uma reunião por vídeo com meus outros dois sócios e passei tudo para eles.

Durante essas semanas que estive aqui, Rafaella veio com as crianças e Madalena, mas apenas duas vezes. Num dos finais de semanas eu também fui até lá. E quando foi difícil de nos reunir, somente ela fez o bate e volta no meio da semana. Ainda faltam uma semana para completar os trinta dias, no entanto não conseguimos nos ver desde há quinze dias atrás. Rafaella não pode vir e eu também não pude ir até lá.

Contudo, o final de semana passado e esse de dois dias atrás, não foi possível nos vermos.

Em contrapartida, o meu objetivo de ter vindo para cá foi alcançado. Pois aquele sentimento esquisito, que fez-me atrair involuntariamente por minha cliente foi se dissipando aos poucos. Conforme eu mergulhava de cabeça no trabalho, menos tempo eu tinha para pensar nesse problema. Agora só me restava focar em: chamar Rafaella para conversar.

No entanto, eu só conseguia pensar em como fazer isso, e em como ser objetiva e clara. Em como fazê-la entender o modo como tudo aconteceu, sem deixar que seus instintos mais primitivos tomem as rédeas da situação e responda por ela.

Era uma manhã de segunda-feira, naquele escritório, quando minha secretária interfonou para a minha sala.

"Sim, Kelly!"

"Doutora Gi, uma cliente. A dona Maya Garcia."

Suspirei em tédio antes de responder.

"Pode deixá-la entrar."

"Ok..."

Juntei os Processos Penais que eu estava dando baixa, e coloquei em uma pilha no canto da mesa. Maya abriu a porta, pediu licença e entrou.

- Sente-se, senhorita!- Retirei o óculos de leitura e juntei minhas mãos embaixo do meu queixo. Ela se sentou e me encarou. - Como vai? Aconteceu alguma coisa?-

- Não, eu vim assinar alguns documentos e soube que você estava aqui... Por que sumiu? Fui até o escritório no Rio e não te achei. Estava sempre fechado.-

- Achei que o problema em sua galeria já estivesse resolvido.-

- E foi! Eu só queria tirar algumas dúvidas sobre alguns contratos com parceiros.-

- Sua advogada empresarial é a doutora Sarah Andrade, bastava um telefonema. Ou um voo até aqui, como fez hoje... Mas foi bom mesmo a senhorita ter vindo.-

- Foi?-

- Sim!- Cruzei os dedos sobre a mesa. - Conversei com uma dos meus advogados criminalistas, e estou transferindo vocês. Aliás, estou me substituindo. O nome dela é Juliette Freire e ela já está com toda a papelada, documentação... Em fim, ela já está em meu lugar.-

- Vamos voltar à estaca zero?-

- Não, vamos colocar as coisas onde devem ser colocadas. A sala da doutora Freire é a segunda, no andar debaixo. Assim que sair do elevador, vire à direita.-

Minha Promotora 2Onde histórias criam vida. Descubra agora