~ So close ~
Vergonha. Se Mualani tivesse que descrever o que estava sentindo naquele momento seria vergonha.
A água fria do chuveiro nem sequer parecia fazer efeito para esfriar sua pele quente, lembrando da noite anterior.
Passando pela sala, só conseguia pensar no que deveria dizer, mas... no fim, nem conseguia encarar o amigo sem corar.
— Acordou mais cedo do que eu imaginava. — A voz surgindo da cozinha deu um susto na azulada.
— Ah... tinha esquecido que você acorda cedo.... — Se sentou bem a frente do balcão, criando uma distância considerável com Kinich. — Você é convidado então eu que deveria cozinhar, não?
— Normalmente... sim, mas não achei que você teria energia para cozinhar. — Colocou um prato com algumas panquecas para Mualani.
Mualani sabia cozinhar, mas não importava o quão boa sua comida era, em qualquer lugar, quem cozinharia seria Kinich. A ansiedade que estava sentindo a poucos segundos atrás parecia sumir assim que teve sua primeira mordida da panqueca de sabor familiar.
— Está de ressaca? — Se Apoiou no balcão, ficando no lado oposto da azulada.
— Huh? Não... meu corpo lida bem com álcool. — Tentava ignorar o olhar do mais alto, mas no canto de sua visão, conseguia perceber um semblante... incomum. — Tá tudo bem?
— Tá, por que? — Odiava aquilo, mas sua mente voltava para a carta e para a resposta da amiga.
— Você tá com uma expressão estranha.
— Só estou pensativo. Não precisa se preocupar muito com isso.
— Se você diz... — Acabou deixando o assunto morrer, mesmo não acreditando nenhum pouco na resposta do amigo.
— Você já está em condição de participar da peregrinação? — Puxou um assunto novo.
— Ei... O "acidente" foi a mais de um mês... óbvio que eu tô cem por cento. — O mesmo tom confiante de sempre.
— A sua confiança às vezes me preocupa.
Kinich não conseguia se lembra, em todos os anos de amizade, algum momento em que Mualani não era confiante.
— Vou levar essa como um elogio. — Fingiu não reparar, mas tinha um pequeno sorriso no rosto do mesmo. — Enfim, você vai, né?
— Vou, só preciso arranjar um grupo para a primeira fase. — Quando olhou para Mualani, uma expressão animada já estava estampada em seu rosto.
— Vamo formar um time? Eu, você e a Kachina? — Sua animação era tão calorosa que fazia negar parecer uma tarefa impossível.
— Se vocês duas quiserem, eu aceito. — Não demorou nenhum segundo até a comemoração barulhenta da platinada.
E o resto da semana seguiu da mesma forma que o primeiro dia, Kinich tendo que aguentar a energia excessiva do grupo de amigos de Mualani.
— Nas próximas "férias", você já sabe onde ir, ou melhor, vir, né? — Foi a última coisa que Mualani falou ao se despedir.
Não iria admitir em voz alta, mas aquela semana tinha sido realmente uma das mais agradáveis que já tinha vivido. A única coisa que o incomodou pelo menos um pouco foi ter sido bombardeado de perguntas quando voltou.
E assim, exatamente duas semanas se passaram, a Peregrinação tinha chegado. O Estádio estava em sua época mais animada. Desde que a peregrinação tinha se tornado apenas um torneio, o número de participantes tinha crescido absurdamente.
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Always You
Hayran KurguAlguns dizem que briga é a pior coisa que pode acontecer em uma amizade mas todos sabem que, no fundo, se apaixonar pelo seu melhor amigo é pior. Mualani se apaixonou a primeira vista, disse que tinha esquecido aquele sentimento após sua rejeição, m...
