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Entro em casa num impulso, quase derrubando a porta, o coração na garganta e o pensamento a mil.

- Henry?! — grito já no corredor.

Meus olhos se enchem de lágrimas de alívio quando vejo ele.

Meu alívio se mistura com confusão. Atrás dele, surgem Candice e Bárbara

— Relaxa. Ele tá seguro. - Responde Bárbara

— E quem disse que vocês podiam encostar nele? — minha voz sai firme, mas minha garganta aperta.

- Bill, claro — responde Candice, sentando no sofá com naturalidade, como se estivesse em casa.

- Bom agora que o seu irmão está a salvo, o que aconteceu? E qual foi o contrato que você assinou? Suponho que não seja boa coisa. - Diz Bárbara se sentando ao sofá ao lado de Candice

- Espera... você assinou contrato? - Questiona Candice

- Sinceramente nem sei se posso falar sobre o que o contrato era,
Mas não, não era boa coisa.

- Acho que já vi essa história antes! - Responde Candice mas antes que eu perguntasse o porque ouço alguém bater a porta.

Ao abrir vejo um cara alto, de barba e careca, chamando Candice e Bárbara de volta pro carro.

- Candice vai na frente e Bárbara me dá um abraço e sussurra no meu ouvido pra conversamos depois lá no Vitrola e em seguida sai me deixando a sós com meu irmão.

Coloca ele na cama e em seguida me deito e descanso pois mais tarde teria de ir até a boate.


Mais tarde, no Vitrola...

A boate já estava começando a encher quando cheguei. As luzes vermelhas, o cheiro forte de cigarro. Coloco minha bolsa no camarim, me troco rapidamente e me olho no espelho. Tento reconhecer quem eu sou agora. Mas só vejo uma versão minha que tá tentando sobreviver.

- Enquanto me arrumo, Dylan surge e me orienta a subir pois tenho uma reunião com Bill e só sigo ele, estou vivendo no automático e já não sei oq sentir com toda essa situação.

Ao chegar no escritório, vejo Bill como sempre fumando um cigarro enquanto da um gole em seu copo de whisky.

Fico parada no meio da sala, o coração martelando dentro do peito. As palavras dele ainda ecoando na minha cabeça

- Você sabe que é minha agora, né? - Diz Bill enquanto se levanta e se aproxima

— Não sou sua coisa, Bill — respondo, firme, mesmo com a voz trêmula. — Eu não sou propriedade de ninguém.

Ele se vira devagar, como se estivesse medindo cada reação minha. Depois dá um meio sorriso cínico, e balança o copo de uísque na mão.

— Engraçado. Você assinou um contrato. Ganha bem. Tem segurança. E agora até o seu irmão tá protegido. Mas ainda acha que não deve nada a mim?

- Eu não vendi minha alma, Bill. Eu vendi o meu corpo. O resto... você tá forçando. Tá ultrapassando um limite que nem você deveria querer cruzar.


Ele dá dois passos na minha direção, a expressão mudando de cínica para algo mais sombrio.

- E se eu quiser cruzar esse limite, Chloe? Você vai correr pra quem? Pra polícia? Vai dizer o quê? Que tá sendo "forçada" a viver num mundo que você mesma escolheu?

- Eu escolhi dançar, não ser ameaçada. Não viver com medo do que vai acontecer com meu irmão se eu respirar errado!

Bill joga o copo com força contra a parede. O barulho do vidro quebrando me faz estremecer, mas eu não recuo. Não dessa vez.

Ele fecha os olhos, respira fundo, como se estivesse tentando se controlar.

— Você me tira do sério. - Responde ele colocando a mão na testa

— Ótimo. Agora sabe como eu me sinto desde que te conheci. - Respondo firme

Ele abre os olhos, e por um breve instante... parece cansado.

— Você acha que isso aqui é fácil pra mim? — ele pergunta, mais baixo. — Você acha que eu queria estar envolvido com alguém como você?
— Alguém como eu? — repito, com raiva. — E quem você acha que eu sou, Bill?
- Você é tudo que me tira do eixo. E eu não posso me dar ao luxo de perder o controle. Não agora.

Por um segundo, não sei se ele vai gritar comigo de novo ou me beijar. Mas ele não faz nenhum dos dois.
Simplesmente caminha até a poltrona, senta e passa a mão pelos cabelos.

— Vai pro palco. Ensaia pro show da noite. Quero ver você dançar. Só isso. Depois... a gente conversa.

Fico olhando pra ele, ainda tentando entender o que está acontecendo. Essa oscilação entre ameaça e fragilidade. Ele é perigoso.

Sem dizer mais nada, viro e saio da sala, deixando a porta fechar atrás de mim.

....

Saio do escritório e fecho a porta com cuidado, como se qualquer som mais alto pudesse provocar um novo estouro de raiva dele. O corredor está mais escuro do que o normal, e o som abafado da música vindo da pista só faz meu peito apertar mais. Sigo até os bastidores, ainda meio zonza com tudo. Meus pés se arrastam, o corpo cansado, a mente exausta.

Subo no palco pra ensaiar, mas meus movimentos estão mecânicos. Meus olhos varrem o salão, e por um instante, vejo Bill no andar de cima, na sacada que dá visão total da boate. Ele está parado, um copo na mão, me observando. O olhar dele não é o mesmo de antes — não há raiva, nem frieza... há algo mais contido. Quase curioso.

Mas aquilo não me acalma. Me deixa ainda mais nervosa.

Mais tarde, após o ensaio, Candice aparece nos bastidores e me chama com um aceno discreto.

— Bárbara quer falar com você. No camarim vermelho. Sozinhas.

Assinto, limpo o suor do rosto e sigo com ela. O camarim vermelho é reservado só pra certas "reuniões" dentro do Vitrola — nada que envolva dança. Ao entrar, Bárbara já está lá, sentada no balcão de espelhos, com um cigarro aceso e um olhar que me atravessa.

— Você tá mexendo com ele. — diz ela, direto, sem nem me dar tempo de respirar.

— Eu não tô fazendo nada. Só tentando sobreviver aqui.

— É exatamente isso que o deixa louco. Bill não suporta sentir que perdeu o controle de algo... ou alguém. E com você, ele tá claramente perdendo.

— E isso é bom ou ruim?

— Depende do ponto de vista. Mas cuidado. O que ele sente, ele não demonstra como os outros. Você claramente mexe com ele mas isso normalmente tudo vem carregado de perigo, Bill é imprevisível.

— O Vitrola é só a superfície. A festa anual que vai acontecer daqui a uma semana... é o evento mais lucrativo do ano. Mas não é só sobre dança. Gente poderosa vem de longe. Dinheiro, acordos... e outras coisas que não posso nem dizer em voz alta. — Ela apaga o cigarro. — Se prepare. Vai ser a noite mais importante da sua vida... ou a mais perigosa.

My Worst NightmareOnde histórias criam vida. Descubra agora