As noites se tornam um borrão de danças, olhares trocados e silêncios desconfortáveis entre mim e Bill. Ele quase não fala comigo depois daquela discussão, mas me observa o tempo todo. Como se estivesse tentando entender o que eu sou pra ele... ou o que ele está se tornando por minha causa.
Em um momento, ele me evita. No outro, me chama ao escritório só pra dizer que quer me ver dançando mais sensual. A tensão entre nós é como um fio esticado prestes a arrebentar.
Na véspera da festa anual, sou chamada novamente ao escritório.
Respiro fundo, ajeito a roupa e sigo. Bato na porta antes de entrar.
— Pode entrar — ele diz.
— Já dancei. O que você quer agora?
Ele finalmente se vira. Mas dessa vez, seu olhar não é de ameaça.
— Vem cá — diz ele, apontando a cadeira em frente à mesa.
— Se for pra outra ameaça, prefiro em pé.
— Não é ameaça. — Ele passa a mão pelo rosto. — É sobre a festa. A anual. Acontece daqui a três dias e você vai ser destaque.
— O quê?
— A festa vai ser importante esse ano. Você vai dançar às duas. Quero você no palco central — diz Bill, com a voz baixa, firme, sem sequer me olhar.
— Quer me vender em vitrine, é isso?
— Não seja dramática. — Ele cruza os braços. — Mas sim, de certa forma. - É pra isso que você é paga, o principal você não está fazendo, pelo menos por enquanto. - Responde Bill me analisando de cima a baixo
- Eu sei ao que se refere, não sei que milagre não estou fazendo isso.
- Não vou te obrigar a fazer algo que não quer, embora eu saiba que quer se não nem teria acontecido nada quando te levei na minha casa em Hamptons. - Responde Bill com um sorriso cinico e malioso
— O que exatamente vai acontecer nessa festa? - Respondo desviando do assunto
— Gente grande. Nomes que você não quer saber. E você vai dançar. Mas só dançar. — ele enfatiza.
— E se alguém quiser mais?
Ele se inclina, olhos fixos nos meus.
— Ninguém encosta em você. Entendeu?
Fico em silêncio por um momento. Era uma promessa? Ou uma ameaça disfarçada?
Não respondo nada, nos encaramos por longos segundos. A vontade de tocá-lo, de entender o que se passa por trás daquele rosto impenetrável, cresce em mim... mas antes que qualquer coisa aconteça, ele se afasta.
Mais tarde naquela noite...
Já estava prestes a sair do boate quando Dylan surge e fala pra eu sair pela porta dos fundos. Naquela noite meu irmão estava sob cuidados da mesma vizinha, paguei um valor maior pra ela olhar Henry por um período mais longo.
Depois do que aconteceu da última vez, tudo que poderia acontecer daqui pra frente era totalmente imprevisível e quis deixar meu irmão em segurança caso acontecesse algo ou eu demorasse mais a voltar.
Um carro preto já me esperava nos fundos da boate. O motorista não diz uma palavra. Apenas dirige. E dirige por muito tempo.
— Aonde a gente tá indo? — pergunto, finalmente.
— Bill disse pra te levar até lá. — ele responde, frio.
"Lá" só se revela depois de duas horas de viagem. A mesma casa em que fui da última vez.
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My Worst Nightmare
RomanceBill Skarsgård abandona os negócios da família e mergulha no submundo de Manhattan, comandando o Vitrola - um clube de luxo regado a drogas, sexo e segredos. Chloe Williams, 21 anos, desesperada para sustentar o irmão pequeno, aceita um emprego no c...
