Silencio que queima

28 2 6
                                        

S/N NARRANDO

A noite estava estranhamente calma.

Depois de tudo — Jaden, a estaca, os segredos, os sentimentos bagunçados — o silêncio da cabana me sufocava mais do que qualquer grito. Os meninos estavam todos na sala, dispersos... mas Lee Know não. Ele tinha desaparecido desde a hora que voltei com Felix.

Fui atrás dele.

Subi as escadas devagar, sentindo o piso ranger sob meus pés. Não sabia se era o frio da noite ou do meu próprio corpo, mas eu tremia. Ao chegar perto do último quarto do corredor, senti o cheiro dele. Familiar. Quente. Confortante.

Bati levemente na porta.

— Minho...?

Silêncio.

Mas a porta se abriu sozinha. E ali estava ele. Sentado no chão, encostado na cama, uma garrafa pela metade ao lado e os olhos... vermelhos. Não de raiva. Mas de dor.

— Você tá bem? — perguntei baixinho, me aproximando.

Ele riu. Um riso amargo.

— Você pergunta como se eu não tivesse assistido você se perder por cada um... menos por mim.

Fiquei em silêncio. Porque doeu. E porque era verdade. Eu o ignorei. Fugi dele. Talvez por medo... ou porque ele sempre pareceu forte demais pra quebrar. Mas ali, naquele quarto escuro, Minho estava em pedaços.

— Você não faz ideia do que é te ver sorrindo pra eles... se entregando... e depois voltar pra cá como se nada tivesse acontecido.

— Minho... — dei um passo à frente.

— Você acha que eu não sinto? Que eu não te vejo? Você se esconde atrás dessa pose de durona, mas eu... eu vejo o que você tenta apagar.

Sentei no chão em frente a ele, os olhos se encontrando.

— Eu nunca quis te machucar...

— Mas machucou. — a voz dele falhou. — E o pior é que eu deixei. Porque mesmo sabendo que você podia me destruir, eu continuei te amando.

Fiquei sem ar. O silêncio entre nós queimava como brasa na pele.

— Repete isso... — sussurrei.

— Eu. Amo. Você. — ele disse, firme, os olhos marejados. — E não é de agora. É desde o dia em que te vi mandando todos calarem a boca no corredor. Desde o dia em que você quase me mordeu de raiva... e eu só queria te beijar.

Meu coração disparou.

— Eu sei que não sou o mais doce, nem o mais fácil... mas com você, S/N, eu não quero ser o controlado. Eu quero ser teu. Mesmo que por uma noite... mesmo que doa amanhã.

Fiquei em silêncio por alguns segundos. E depois, sem pensar, subi no colo dele e segurei o rosto com as duas mãos.

— Você é idiota. Mas é o idiota mais lindo que já me amou.

Ele sorriu triste.

— Isso quer dizer...?

— Cala a boca e me beija logo.

E ele fez.

Minho me beijou com tudo o que ele segurou por tempo demais. Foi um beijo forte, desesperado, com gosto de confissão, de dor e de desejo. As mãos dele tremiam na minha cintura. As minhas se agarraram aos seus cabelos. E o mundo... parou.

Só existia nós dois ali.

Respirações pesadas, corações mortos batendo mais rápido do que nunca. Quando ele me puxou mais pra perto, como se quisesse se fundir a mim, eu soube: aquilo não era só paixão.

Era amor. E era perigoso.

Quando os lábios se separaram, ele encostou a testa na minha, ofegante.

— Me promete que não vai fugir disso... de nós.

— Não tem mais pra onde fugir... — sussurrei. — Você me achou.




Votem para eu postar mais , e me deem ideias do vc querem ver aqui amores ❤️✨

Apenas uma garota Histórias para pegar e não largar. Descubra agora