Queime comigo

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A mansão estava em silêncio, exceto pelo som ritmado dos passos de Chan no salão de treino. O chão de pedra escura refletia o brilho suave das tochas nas paredes, e o ar carregava a promessa de algo... elétrico.

S/N entrou como se o lugar fosse dela — e de certa forma, era.

Roupas justas, cabelo preso, expressão de quem já tinha ganhado a luta antes mesmo de começar. Chan, que estava aquecendo os braços com uma faixa de couro, não conseguiu conter o sorriso.

— Veio preparada pra lutar... ou só pra me provocar?

— Por que não os dois? — ela respondeu, se aproximando com passos lentos, predadores. — Ou você prefere que eu treine com outro?

— Tenta — ele rosnou, o sorriso ficando mais selvagem — e eu arranco a cabeça dele antes que consiga te encostar.

— Possessivo logo cedo? Uau. — Ela parou na frente dele. — Isso é pré-aquecimento ou ameaça disfarçada de flerte?

Chan inclinou a cabeça, os olhos escuros percorrendo o corpo dela.

— Não disfarço nada com você.

Ela apenas sorriu, provocante.

— Então me mostra.

Antes que ele pudesse reagir, ela girou o corpo e o atacou com um chute direto — que ele bloqueou com facilidade. O impacto ecoou no salão, e o jogo havia começado.

Eles se moviam com velocidade sobrenatural, sombras em choque, o som de estalos, desvios e golpes abafados preenchendo o espaço. Mas o mais intenso de tudo... eram os olhares. Cada toque, cada bloqueio, era mais do que técnica.

Era tensão crua.

Chan segurou os pulsos dela, prendendo-a contra uma das colunas. Os rostos estavam tão próximos que ela podia sentir o hálito dele.

— Tá me testando?

— Sempre. — Ela se inclinou um pouco mais. — Tá com medo de perder o controle?

Ele riu baixo, um som grave, perigoso.

— Perder o controle com você é quase inevitável. Mas se eu cair... te levo comigo.

Ela soltou um sorriso afiado.

— Que romântico. Vamos queimar juntos, então?

Chan aproximou ainda mais o corpo, roçando propositalmente no dela.

— Você não faz ideia do quanto eu quero te ver queimar.

Antes que ele se afastasse, ela o empurrou com os joelhos e o jogou no chão — com um golpe rápido, elegante e deliciosamente provocativo. Ela subiu em cima dele, sentada sobre o quadril dele, com as mãos firmes no peito dele.

— Te derrubei, Chan. Isso conta como vitória?

Ele riu, deitado, a respiração pesada. As presas à mostra.

— Conta como prévia.

Ela sorriu com malícia, descendo o rosto até o ouvido dele.

— Então se prepara pro resto da noite, treinador.

Ela se levantou, rebolando de leve de propósito, e saiu da arena de treino como se não tivesse acabado de acender um incêndio entre as pernas dele.

Chan ficou ali por alguns segundos, olhando pro teto, a respiração descompassada e o ego deliciosamente ferido.

— Ela vai me matar... e eu vou agradecer sorrindo.

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