🩸 S/N NARRANDO
Manhã seguinte
Desci as escadas da cabana com passos firmes, o cabelo ainda um pouco bagunçado e o corpo coberto por uma camiseta preta que, definitivamente, não era minha.
Era dele.
Do Chan.
O tecido ainda tinha o cheiro dele grudado — amadeirado, quente, reconfortante.
E no fundo... eu gostava que todos sentissem.
A cozinha estava silenciosa quando entrei.
Felix estava encostado no balcão, com uma xícara de café nas mãos.
Han sentado à mesa, devorando um pão com geleia.
Seungmin, como sempre, com o olhar afiado e o cenho levemente franzido.
E Minho, parado junto à janela, de costas, mas com os ombros tensos.
Eles não disseram nada.
Mas também não precisaram.
O olhar que Felix lançou por cima da caneca foi longo. Avaliador. Curioso.
Han me olhou de cima a baixo com aquele sorriso maroto dele — mas sem dizer uma única palavra. Só arqueou a sobrancelha.
Seungmin me encarou por um segundo a mais do que o necessário... e então voltou os olhos pro jornal.
Minho virou levemente a cabeça — só o suficiente pra ver minha silhueta — e depois continuou encarando a floresta.
Chan desceu logo depois. Camiseta diferente. Mas com o mesmo cheiro.
Ele parou ao meu lado como se fosse natural. Pegou uma xícara, serviu café e encostou no balcão ao meu lado, casualmente.
— Dormiu bem? — ele perguntou, com aquele tom de voz rouco e calmo que só ele sabia usar.
Assenti, sem tirar os olhos da xícara nas minhas mãos.
— Uhum. Finalmente.
Felix escondeu um sorrisinho. Han tossiu — mas soou bem mais como um riso engasgado.
— A casa tá mais silenciosa hoje. — disse Minho, por fim. — A vibe mudou.
— Mudou mesmo. — murmurou Seungmin, com a cara enfiada no jornal. — Tem cheiro de... possessividade no ar.
PAUSA.
Todos ficaram em silêncio por meio segundo.
O tipo de silêncio que grita.
— Vocês são insuportáveis. — falei, pegando uma maçã da fruteira e mordendo com mais força do que o necessário.
— E você tá brilhando. — disse Han, casual, como quem fala da previsão do tempo. — Tipo... pós-multiplicação-de-células intensas, sabe?
— Fala logo que ela transou com o Chan, pô. — disse Felix, rindo.
Chan não se mexeu. Só bebeu o café e deu aquele sorrisinho de canto que ele raramente soltava.
— Vocês têm muito tempo livre. — ele respondeu.
— E você tem muita sorte. — disse Seungmin, se levantando. — Mas se ela tropeçar num degrau e cair de novo... a culpa vai ser sua.
— Eu tropecei em ninguém. — retruquei. — Eu subi
Minho finalmente se virou. Os olhos pararam nos meus por um longo momento.
— E vai continuar subindo?
Eu não hesitei.
— Vou continuar sendo... eu.
Ele assentiu. E pela primeira vez em muito tempo, sorriu. De verdade.
A atmosfera no ambiente mudou. Não era ciúme.
Não era rivalidade.
Era aceitação.
Era pertencimento.
A gente não era comum.
Nunca fomos.
E naquela manhã, entre olhares, chá, pão e memórias da noite passada, eu senti e percebi que nao poderia estar eu um lugar melhor...
🩸 S/N NARRANDO
Depois do café e dos olhares que gritavam mais que palavras, eu precisava de ar.
Ar puro. Silêncio. Movimento.
Coloquei um moletom leve e saí pela trilha que ia em direção ao norte da floresta.
As folhas ainda estavam molhadas pelo orvalho da manhã. O cheiro de terra úmida me acalmava, e os galhos se moviam com o vento suave.
Mas eu sentia.
Alguém me seguia.
O faro do meu sangue não errava. Os passos eram leves... mas constantes.
Ritmo de quem sabe o que faz.
De quem quer ser notado só quando for tarde demais.
Mas comigo... nunca é tarde.
Dei uma volta na trilha, me afastei discretamente e me escondi atrás de uma árvore grossa, esperando. Controlei minha respiração. Agucei os sentidos.
Quando senti a aproximação exata — o som da folha pisada, a leve aceleração no ar — ataquei.
Saltei sobre a figura, empurrando com força e cravando o joelho no peito alheio, com a mão na garganta.
— QUEM TÁ ME SEGUINDO, PORR—
— AI, CALMA, MULHER! É SÓ O FELIX!
Arregalei os olhos.
— Felix?
— Sim, SOU EU! — ele tossiu, as mãos erguidas em rendição. — Caralho, você é rápida.
Afrouxei o aperto e desci de cima dele, sem saber se ria ou gritava.
— Que susto, idiota! Você quase tomou uma voadora no fígado!
— Quase não, eu tomei!
Ele se sentou no chão, esfregando o peito, mas com aquele sorrisinho de canto que só ele tinha.
— Confesso... foi sexy.
— Você é maluco! O que você tava fazendo me seguindo?
— Te protegendo. — ele respondeu, com o tom mais natural do mundo. — Achei que você precisava de alguém por perto, caso o clima de "rainha em guerra" fosse demais pra processar sozinha.
Suspirei, ainda tentando acalmar a adrenalina.
— E você achou que o melhor jeito de mostrar isso era me seguir igual um stalker?
— Era isso ou te chamar e quebrar o clima misterioso.
— Eu podia ter te matado, Felix.
Ele se levantou com um salto e se aproximou com um brilho nos olhos.
— Podia. Mas não matou. Porque no fundo... você gostou da adrenalina, né?
Revirei os olhos, mas não consegui esconder o sorriso.
— Você é impossível.
— E você... é perigosa. Quase me deixa duro com uma chave de braço.
— FELIX!
— O que foi? A culpa é sua por ser sexy até tentando me matar.
Dei um empurrão no peito dele — leve dessa vez — e ele só riu.
— Vamos voltar. Antes que alguém ache que você desapareceu... e eu vire o suspeito número um.
— Já é tarde pra isso. Eu tô coberta do seu cheiro agora.
— Então deixa assim. Vai que alguém sente e fica com inveja.
Caminhamos lado a lado, em silêncio por alguns instantes. Ele não falou mais nada, mas o jeito como ele olhava pra mim...
Era diferente.
Votem para eu saber se estão gostando gente 🥰✨🤍
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Apenas uma garota
Mystery / ThrillerUma história de suspense, traição, segredos e amor Os 8 garotos n sabem oq a garota misteriosa esconde, mas estão dispostos a descobrir ... Essa história contém palavras de baixo calão/drogas/conteudo explícito/mortes/ violência/conteúdo sexual...
