Declarações

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S/N NARRANDO

Era noite de novo. Sempre é.

Eu estava na cozinha da cabana, mexendo em uma caneca de sangue morno como se fosse chocolate quente. Depois da confissão de Minho, meu peito estava estranho. Cheio. Quente. Confuso. Mas... em paz.

Até sentir o cheiro dele.

— Você tá acordada ainda? — Seungmin entrou, de camiseta preta e calça de moletom, o cabelo bagunçado e o olhar... meio perdido.

— Difícil dormir quando se tem o coração meio quebrado e inteiro ao mesmo tempo. — brinquei, tentando esconder o que sentia.

Ele se encostou no batente da porta, os braços cruzados.

— Você e o Minho...

— Não é o que você tá pensando. — interrompi. — Não existe "eu e ele". Existe "eu e vocês".

Ele arqueou uma sobrancelha.

— Isso é... corajoso. Ou suicida.

— Talvez os dois. — dei de ombros. — Mas é verdade. Eu amo vocês. Cada um de um jeito. E não quero que vocês disputem algo que pode ser... compartilhado.

O silêncio dele foi o que mais me assustou. Seungmin sempre tinha uma resposta. Uma piada. Um sarcasmo. Mas agora... ele só me olhava. Como se estivesse lutando com algo dentro dele.

— E você? — perguntei, dando um passo à frente. — Vai continuar fingindo que não sente nada?

Ele desviou os olhos, respirou fundo e falou baixo:

— Eu não sou como eles. Eu não sei mostrar. Eu fico em silêncio, observo. Cuido de longe. Quando você sorri pra mim... eu sinto tudo aqui dentro, mas não sei o que fazer com isso.

Coloquei a caneca sobre a pia e me aproximei.

— Me mostra, então. Do seu jeito.

Ele ficou parado por um segundo. Os olhos encontraram os meus, intensos, frágeis, desejosos.

E então ele fez.

Seungmin segurou meu rosto com as duas mãos, como se eu fosse algo precioso demais pra tocar com pressa, e encostou a testa na minha.

— Eu nunca beijei ninguém com o coração antes... — sussurrou.

— Então deixa eu ser a primeira.

E ele me beijou.

No começo foi tímido. Lento. Como se estivesse com medo de quebrar algo. Mas quando minhas mãos agarraram sua camiseta e puxaram ele pra mais perto, tudo mudou. O beijo cresceu, ficou urgente, com gosto de verdade guardada demais.

Seungmin me prensou contra a bancada da cozinha, o corpo colado ao meu, os lábios deslizando devagar, explorando, aprendendo. Ele mordia de leve meu lábio inferior, e entre um beijo e outro sussurrava:

— Você não faz ideia do quanto eu quis isso... do quanto eu ainda quero.

— Então me beija de novo. — pedi, e ele atendeu.

Ali, naquele momento, tudo fez sentido. O jeito dele me proteger em silêncio. O olhar dele nas minhas costas quando eu saía do quarto. Ele estava me amando esse tempo todo, sem palavras. E agora... estava me mostrando com a boca.

Quando o beijo terminou, ele encostou o rosto no meu pescoço e sussurrou:

— Se isso for um sonho... me deixa ficar dormindo.

— Não é sonho. É só o começo.



—————— na sala de treino



Apenas uma garota Histórias para pegar e não largar. Descubra agora